Superioridade

Com duas vitórias sem contestação conseguimos o objectivo de ultrapassar todas as pré-eliminatórias e aceder à Liga Europa. Foi uma eliminatória com pouca história, já que a superioridade do Benfica foi sempre notória em ambos os jogos e o desfecho nunca esteve em causa.

Apresentámos exactamente o mesmo onze em ambas as mãos, aquele em que parecemos ter estabilizado nesta fase inicial da época. Sem dúvida que o Palhinha e o Aursnes terão entrada directa no onze assim que estiverem disponíveis, por isso fica a curiosidade de ver como nos iremos arrumar para acomodá-los. A primeira mão foi mais um daqueles jogos em que mesmo após termos ganho por 3-1, saí da Luz algo irritado por achar que o resultado era extremamente curto para a diferença entre as duas equipas e o volume ofensivo que apresentámos - o guarda-redes do Aarhus fez uma exibição épica e só à sua conta deve ter-nos negado uma meia dúzia de golos quase certos. Ontem já não fomos uma equipa tão frenética no ataque, mas nunca deixámos de controlar o jogo e era quase uma certeza que os golos acabariam por aparecer. O trio de ataque tem andado particularmente inspirado, e foi dos pés deles que os golos surgiram, dois pelo Prestianni e um pelo Rafa, com o segundo do argentino a ser uma verdadeira obra de arte - um remate cruzado a colocar a bola bem junto ao ângulo superior da baliza. Pelo meio, mais um golo sofrido - se há algum pormenor que precisará de ser trabalhado, é o facto de andarmos a sofrer golos em quase todos os jogos - em que a maior parte da culpa é do Sudakov pela forma displicente como ficou parado à espera que a bola passada pelo Tomás Araújo lhe chegasse aos pés. Um adversário antecipou-se, e o remate dele teve a felicidade de desviar no Dahl e fazer a bola sobrevoar o Samuel Soares, que ficou sem qualquer possibilidade de defesa. Por falar no Dahl, temos visto os nossos laterais muito mais envolvidos na manobra atacante da equipa: ontem no primeiro golo a assistência foi do Bah, e no segundo foi do Dahl (o terceiro nasce de um passe longo do Lenglet, mas a participação do Dahl acabou por ser também decisiva ao criar incerteza na defesa com a sua subida). Estes dois jogos apenas confirma aquilo que temos visto esta época: uma equipa muito virada para o ataque, que frequentemente faz aparecer diversos jogadores na zona de decisão e que cria um volume de ocasiões de golo como se calhar já não via desde os primeiros seis meses da era Schmidt.

O destaque do jogo de ontem é naturalmente o Prestianni graças aos seus dois golos. Com a forma em que está neste momento, o Schjelderup terá muita dificuldade em entrar na equipa. A não ser que o Prestianni ou o Rafa acabem por ser desviados para uma posição mais central, porque se há um jogador que não me parece estar a conseguir aproveitar de todo as inúmeras oportunidades que lhe estão a ser dadas é o Sudakov. Tem sido consistentemente o ela mais fraco da equipa, e ontem ficou ligado ao golo sofrido. Até o Barrenechea tem conseguido mostrar bastante mais utilidade nestes jogos do que tinha mostrado durante toda a época passada, embora me pareça que a sua titularidade tenha os dias contados com a chegada do Palhinha.

 

A obrigação está cumprida, e face ao resultado do sorteio que se realizou hoje, parece-me legítimo aspirarmos a uma posição nos oito primeiros desta fase da Liga Europa. Não estamos onde deveríamos estar, e a facilidade com que nos desembaraçámos dos vários adversários nestas eliminatórias, sendo que dois deles era equipas que tinham caído precisamente das pré-eliminatórias da Champions, ainda o mostra de forma mais clara. Agora temos que aproveitar e justificar o estatuto de sermos uma equipa de Champions (como todos os nossos adversários nestas eliminatórias declararam no final das mesmas) na Liga Europa e chegar bem longe nesta edição.

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