Fiasco

Depois das boas indicações, com respectivos resultados dilatados, nos dois primeiros jogos em casa esta época, não será exagerado dizer que as expectativas para a estreia do Benfica no campeonato, mesmo tendo em conta que nos retiraram o factor do público e nos obrigaram a jogar perante bancadas desoladoramente vazias (é assim que se protege e defende o futebol em Portugal), eram altas. Assim sendo, o empate final frente a uma equipa recém-promovida só pode mesmo ser considerado um fiasco.

Apresentámos exactamente o mesmo onze que a meio da semana tinha destroçado o Hearts, com Barrenechea, Barreiro e Sudakov no meio campo e as alas entregues ao Prestianni e ao Rafa. Podia dizer que a grande diferença entre os dois jogos esteve na eficácia, mas até nisso não estaria a ser muito preciso: é que contra o Hearts marcámos seis golos e se calhar ficaram outros tantos por marcar. Contra o Académico, foi o repetir de uma fórmula gasta e tantas, mas tantas vezes vista: desperdício quase a roçar o obsceno em frente à baliza, e depois concedermos golos praticamente de cada vez que o adversário se aproxima da nossa baliza, neste caso em duas bolas paradas. O jogo deveria já estar resolvido ao intervalo, mas fomos a ganhar por apenas um golo, da autoria do Pavlidis. Entrámos na segunda parte dando continuidade ao desperdício, e depois assim que vimos o Académico beneficiar de um pontapé de canto tenho a impressão de que muitos de nós pensámos logo 'já vi este filme'. Claro, golo do Académico, ao qual respondemos quase de imediato num lance de génio do Prestianni, marcando um golo muito semelhante ao que tinha marcado aos escoceses. Mas se sofrer um golo do Académico já era mau, conseguir sofrer um segundo foi mais uma demonstração de incompetência. Lance de bola parada, em que a defesa não subiu de forma coordenada quando a bola foi passada para trás, e depois apareceu um adversário à vontade à frente da baliza para finalizar. Depois disto começámos a jogar de forma cada vez mais destrambelhada, permitimos que o jogo ficasse partido, e não gostei mesmo nada de nos ver jogar com dois pontas-de-lança após a entrada do Durán.

O destaque deste jogo foi o mesmo do jogo a meio da semana, o Prestianni. Um golo genial, a assistência para o golo do Pavlidis, é neste momento um jogador num nível muito acima dos demais. Pode ser que assim se acabe de vez com o disparate que eram os rumores de o vendermos para a Turquia. No pólo oposto para mim continua o Sudakov, a quem o Marco Silva parece estar disposto a conceder o máximo de oportunidades possível, mas a quem eu continuo a não conseguir identificar qualquer utilidade para o nosso jogo. Entretanto, presumo que os críticos profissionais do Trubin andem satisfeitos. A minha opinião pessoal é apenas que se estamos a pensar enfrentar uma época com o Samuel Soares a ser o dono da baliza, então as minhas expectativas para a mesma vão baixar consideravelmente.

 

Isto é um trabalho em curso, já vimos lampejos de bom futebol, mesmo neste jogo vimos o Benfica, em particular na primeira parte, a ser uma equipa dominadora e a criar ocasiões de golo frequentemente. É pena que alguns dos problemas que já quase se podem considerar como prata da casa - a ineficácia quase atroz em frente à baliza e os erros básicos na defesa - teimem em manter-se.

Comentários

Nick Name disse…
Não tenho nada a acrescentar com esta analíse, com a qual concordo por completo, de um jogo que acabou de forma triste. Por isso, queria limitar-me a abordar a questão dos jogadores que estão a sair do clube porque sentem que certos adeptos (?) não gostam deles. Já falámos há dias aqui do caso do António Silva, e agora ao que parece a situação vai repetir-se com o Trubin.
Para os substituir, temos no caso do António ninguém, a não ser um Indío com 18 anos, e no caso do Trubin ainda é pior, temos o Samuel Soares.
É no mínimo anormal que os jogadores queiram sair do clube devido a campanhas de ódio conduzidas nas redes sociais. Já a semana passada me referi ao Kaminski, que começou a ser atacado mal saiu do avião. O que é normal é que os jogadores saiam quando aparecerem outros melhores. Nem o António nem o Trubin são jogadores do outro mundo, havendo substitutos à altura tudo bem. Mas assim? Ficamos com 2 centrais e com o Samuel a GR titular, e vamos para a frente e é fé em Deus?
E quando saírem estes dois bodes expiatórios, é óbvio que a mira dos haters se vai dirigir a outros jogadores do plantel. A estrutura do Bemfica devia encontrar uma forma de proteger os jogadores, e de substituir quem sai, claro, mas só se vê uma apatia total. Nestas condições, a tarefa do Marco anuncia-se muito complicada.
Anónimo disse…
A campanha contra o Trubin já existe há muito tempo. Os comentadores anti-Benfica não se cansam de a propalar.
Vejo quase todos ou guarda redes a cometerem os mesmo erros ou ainda piores do que o Trubin, Trubin este que já nos salvou de levarmos várias goleadas na Europa, mas aí os comentadores não dizem nada. apenas olham para o lado.
Eles não querem um gigante de 1,99 mts no Benfica, querem a defender a baliza do clube um anão.
Infelizmente uma grande parte dos adeptos do Benfica não se dá conta disso e deixam-se enganar e manipular totalmente por gentinha da imprensa que quer o mal do Benfica.
Enfim, um Benfica sem liderança, amorfo e sem ninguém capaz de abrir os olhos aos adeptos.
D'Arcy disse…
O que fazem com o Trubin é analisarem cada golo que ele sofre como se fosse um erro.

Já agora, o Samuel Soares não é anão nenhum. Mas para mim não tem ainda a consistência ou qualidade do Trubin. E se conseguirem que o Trubin saia, irão a seguir cair em cima do Samuel Soares por não estar pronto, e do Benfica por ter deixado sair o Trubin e apostar num guarda-redes inexperiente.
Caros marques disse…
Mas alguém acredita que temos um plantel com o mínimo de qualidade para um clube como o Benfica? Um meio campo com barrenechea, Sudakov e Barreiros,!!! Mas o que se passa, a nossa exigência está neste patamar.
Na baliza o ucraniano é um GR fraquinho, treme e coloca a equipa em sobressalto. O Samuel Soares tem qualidades mas ainda em formação. Os laterais são corredores de linha, para a frente e para trás mas quando tem a bola nos pés,!! enfim uma nulidade.Os nossos centrais não dominam os espaço aério e para um central é um grande problema.
O problema deste Benfica é a falta de qualidade em grande parte dos jogadores. O resto são desculpas com lugares comuns( não concretizarmos, sofremos um golo mal defendido, dominámos o adversário mas...
É a minha opinião, saudações benfiquistas