Aimar e Saviola
Há uma diferença entre ‘memorizar’ e ‘saber de cor’. Há quem memorize, racionalize o saber mecânica e esforçadamente e que, depois, com eficácia o demonstre. Saber de cor é o saber do “cuore” italiano, do “coeur” francês ou do “coração” português. É um saber emocional, intrínseco, espontâneo e natural.
Saviola e Aimar conhecem-se de cor, sabem-se de cor e jogam de cor. Desde os tempos iniciais do River Plate que esta dupla se complementa e se constrói em campo. O mundo do futebol conhece-os desde o início, admira-os desde o início e esperava o reencontro desta dupla mítica no seu clube de origem. Só um clube mítico como o Benfica poderia antecipar e antecipar-se à história, promovendo o reencontro destes dois predestinados. E é importante que a história sublinhe o papel que Rui Costa (outro dos que conhece o futebol e o benfiquismo de cor) teve na promoção do reencontro destes dois maestros no nosso Benfica.
Daqui a muitos anos, quem escrever a história do futebol mundial continuará a dar testemunho desta dupla argentina que tem a faculdade de transformar o talento em arte. E nesse testemunho, nessa eternização destinada aos heróis, aos que se transcenderam, estará o símbolo do Benfica, do nosso Benfica. E isso é uma honra. Da mesma forma que é também para eles uma honra poderem ter na sua história, no seu percurso de vida, a responsabilidade de terem representado o Benfica.
Tenhamos a noção de que o talento que se complementa em Aimar e Saviola não é o resultado de uma aprendizagem, é antes uma disposição inata do espírito. É um encontro de talentos que se reconhecem e se sabem de cor. Pergunto-me se nós, benfiquistas, temos a noção de que uma das mais belas páginas da história do futebol está a decorrer no Benfica.
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Artigo de opinião publicado também na edição de 21/01/2011 do jornal "O Benfica".
[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]
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