Rotatividade

Num jogo em que houve mesmo rotatividade a sério, a equipa não se ressentiu disso e acabou por realizar uma exibição de alto nível que incluiu não se deixar afectar por um golo sofrido logo a abrir o jogo e, tranquilamente, dar a volta ao resultado para construir uma diferença tão confortável no marcador que até deu para relaxar um pouco em demasia no final.


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Foi meia equipa que mudou em relação ao jogo da Champions: Bah, Grimaldo, Florentino, Neres e Rafa de fora, com os seus lugares ocupados pelo Gilberto, Ristic, Aursnes, Diogo Gonçalves e Draxler. As alterações não pareceram afectar o Benfica, que entrou no jogo a todo o gás e imediatamente começou a causar perigo junto da baliza do Rio Ave. Com uma ala esquerda (constituída pelo Ristic e o Diogo Gonçalves) bastante dinâmica - o João Mário hoje actuou mais sobre a direita, tendo o Draxler jogado atrás do avançado - o Benfica jogava de forma agradável e fluída. Mas depois do Ristic falhar um golo de forma incrível, acertando mal na bola depois de um passe fantástico do Enzo sobre a defesa do Rio Ave o ter deixado em frente ao guarda-redes, da primeira vez que o Rio Ave chegou à nossa baliza, marcou. Estavam decorridos seis minutos de jogo quando o Samaris (merecidamente aplaudido neste seu regresso à Luz) conduziu a transição ofensiva depois do Enzo não ter conseguido fazer a intercepção ainda no meio campo defensivo do Rio Ave e depois com um bom passe encontrou o Aziz com imenso espaço, aproveitando o adiantamento excessivo do Otamendi. O António Silva ainda foi à esquerda tentar compensar, mas isto deixou o espaço aberto no meio, para onde a bola seguiu para os pés do Fábio Ronaldo, que bateu o Vlachodimos sem grande dificuldade. Mas a equipa não pareceu acusar nada este contratempo. A resposta foi uma verdadeira avalanche ofensiva, que não demorou muito tempo a inverter o resultado e, como começa a tornar-se quase rotina, a levar-nos para o intervalo a pensar que apesar da vantagem confortável, poderíamos ter marcado o dobro dos golos. O empate surgiu aos treze minutos, numa jogada simples e bonita: tabela entre o João Mário e o Enzo na direita que libertou o primeiro, e este limitou-se a fazer o passe para o meio da área, onde o Gonçalo Ramos surgiu à vontade para marcar. A reviravolta ficou consumada aos dezanove minutos, num golo caricato em que apesar de haver mérito na pressão feita pelo Diogo Gonçalves sobre o defesa que faz o atraso e depois sobre o guarda-redes, a culpa total é mesmo do Jhonatan, que introduziu a bola na própria baliza quando tentou tocá-la de primeira para o lado de forma a sair a jogar. Com a vantagem no marcado obtida, o sufoco continuou - não houve mais nenhum remate do Rio Ave durante a primeira parte, enquanto que o Benfica continuava a acumular finalizações e situações de perigo, dando ao Jhonatan oportunidades para se redimir do erro tremendo que nos tinha colocado em vantagem. A resistência só acabou já no minuto de compensação que foi dado na primeira parte: mais um grande passe do Enzo para as costas da defesa, onde surgiu o Gonçalo Ramos para finalizar com grande classe, controlando a bola com a coxa direita para depois finalizar com um remate de pé esquerdo.


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Com o jogo completamente controlado e um resultado que dava tranquilidade aproveitámos o intervalo para dar repouso a mais dois jogadores, trocando o Gonçalo Ramos e o Enzo pelo Musa e o Florentino. O ritmo imposto pelo Benfica foi manifestamente inferior ao da primeira parte, mas continuámos a ter o controlo quase completo do jogo e a ameaçar o quarto golo, que surgiu pouco depois da hora de jogo. Um grande cruzamento, rasteiro e tenso, do Ristic na esquerda foi encontrar o Musa sozinho perto da marca de penálti, que marcou facilmente o seu primeiro golo pelo Benfica. Já depois do momento bonito que foi a substituição do Samaris, em que ele saiu do campo emocionado debaixo de uma chuva de aplausos, o Benfica aproveitou para dar descanso ao João Mário e trocou-o pelo Rodrigo Pinho, o que obrigou a uma reorganização no ataque: o Pinho foi jogar mais atrás do Musa, passando o Diogo Gonçalves para a direita e o Draxler para a esquerda. O Benfica continuou a dominar, a pressionar e a procurar mais golos até cerca de dez minutos do final, altura em que o Diogo Gonçalves obrigou o Jhonatan a mais uma defesa. Depois baixámos claramente o ritmo durante os últimos dez minutos, o que o Rio Ave aproveitou imediatamente para avançar no terreno e até mesmo rematar à nossa baliza. E como habitualmente as equipas que jogam contra nós arranjam sempre inspiração para não precisarem de ameaçar muito para a chegar ao golo, mais uma vez o cenário se repetiu. Foi um momento de suprema inspiração do Guga, que a cinco minutos do final rematou de primeira de fora da área sobre a direita e colocou a bola no canto oposto, completamente fora do alcance do Vlachodimos. Sendo um jogador formado no Benfica e que por cá passou muitos anos, teve a atitude bonita de não festejar o golo, o que só lhe ficou bem - aliás, jogadores com passado no Benfica houve vários em campo: para além do Guga e do Samaris, o Pedro Amaral e o Miguel Nóbrega foram formados no Seixal. Mesmo a terminar o jogo o Draxler ainda se escapou pela esquerda e serviu o Rodrigo Pinho para marcar, mas nem sequer me levantei da cadeira porque me pareceu imediatamente óbvio que o alemão tinha partido de uma posição irregular.


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No geral quase todos os jogadores estiveram a um bom nível, mas para mim o melhor em campo deve ter sido o João Mário. Atrevo mesmo a dizer que terá sido o melhor jogo que o vi fazer desde que está no Benfica. Fez a assistência para o primeiro golo, esteve na jogada do terceiro e em grande parte das jogadas mais perigosas do Benfica. A mudança para a direita pareceu ser-lhe benéfica. Outros destaques foram o Gonçalo Ramos e o Enzo (assistência e participação decisiva no primeiro golo), apesar de terem jogado apenas uma parte. Tinha bastante interesse em ver o Ristic a titular pela primeira vez, e fiquei bastante agradado. É forte fisicamente e rápido, integrando-se bem no ataque e com um pé esquerdo muito interessante. Falhou de forma clamorosa o golo logo nos minutos iniciais, mas foi o autor da assistência para o quarto golo, e na memória fica o incrível centro de trivela para oferecer uma oportunidade flagrante de golo ao Gilberto, que só não marcou por mérito do guarda-redes. A julgar apenas por este jogo, parece ser uma alternativa segura ao Grimaldo. Gostei também do Diogo Gonçalves e achei que o Aursnes subiu de produção a jogar ao lado do Florentino - durante a primeira parte achei-o descuidado em termos defensivos, já que o autor do golo do Rio Ave frequentemente recebia a bola demasiado à vontade entre linhas. A maior excepção e até mesmo desilusão para mim foi o Draxler. Parece-me claramente sem ritmo e sem grande confiança. Escondeu-se do jogo sempre que possível (basta pensar no que é o Rafa naquela posição, constantemente em jogo, e quantas vezes vimos o Draxler) e quase sempre que recebeu a bola limitou-se a devolvê-la imediatamente para trás. Raramente ou quase nunca arriscou uma finta, uma arrancada ou um remate. Espero que recupere rapidamente a forma para que possa ser-nos útil.


 


É uma boa sensação pensar que podemos rodar um pouco o plantel sem que o rendimento da equipa possa ser afectado. Eu confesso que a minha maior preocupação para este jogo era que o Rafa não fosse utilizado. Tendo em conta quem era o árbitro, tinha o pressentimento que à menor oportunidade ele seria amarelado e ficaria de fora da nossa visita ao Porto. Como isso não aconteceu, já foi motivo de satisfação. Internamente, segue-se um jogo para a Taça de Portugal contra o Caldas, que terá teoricamente um grau de dificuldade menos elevado. Pode ser uma oportunidade para dar mais minutos a alguns dos jogadores que actuaram hoje - e dar mais repouso a alguns dos mais utilizados esta época e que certamente serão novamente utilizados em Paris.

Comentários

O apartidário disse…
Bota abaixo que é do Cartaxo.
Luis Agostinho disse…
Gostei da forma como a equipa jogou apesar da ausência de cinco titulares habituais.

Não gostei da forma como sofremos o golo, ainda por cima, de um gajo chamado "Fábio Ronaldo"....

Não gostei da falta de eficácia na finalização, assim como a atitude de alguns joga dores que tinham colegas desmarcados e era só fazer um pequeno toque para eles e preferiram um chutão que invariavelmente errava a baliza.

Bom jogo do João Mário e do Enzo.

Grande golo de Guga, à Messi, pena ter sido contra o Benfica, e por isso, apesar de ser um grande golo, não gostei.

Gostei da ligação emocional entre Samaris e o Benfica (adeptos, clube). Definitivamente, um dos nossos, ao contrário da atitude de alguns jogadores formados no Benfica que fazem questão em desrespeitar e ofender o Benfica e os Benfiquistas.

Saudações Benfiquistas