Alegria

Um sábado muito agradável. Mais uma exibição portentosa do Benfica perante um Estádio da Luz quase cheio, vitória por números apropriados a essa exibição, e face aos resultados dos outros, alargamento da vantagem sobre os outros tradicionais candidatos.


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O regresso do Neres ao onze era esperado, e quem saiu para lhe dar lugar foi o Florentino. O Aursnes deslocou-se para o meio e o João Mário regressou à esquerda. O Chaves apresentou como credenciais para este jogo vitórias em casa do Sporting e do Braga, e quis começar logo com a gracinha da escolha do campo ao contrário. A estratégia do Chaves para este jogo certamente seria a mesma que resultou nesses dois jogos: sobrepovoamento da zona central, evitar o golo adversário o maior tempo possível e depois aproveitar o pânico progressivo e o recorrer aos cruzamentos já que os seus defesas são fortes no jogo aéreo. A estratégia saiu imediatamente furada porque a entrada do Benfica no jogo foi avassaladora. Ainda não se tinha completado o primeiro minuto e o Benfica já tinha conquistado dois pontapés de canto. Pressão alta sufocante, bola rapidamente recuperada, e aos dois minutos o Neres foi por ali fora, progrediu pelo meio e largou uma bomba de pé esquerdo a uns vinte metros da baliza que fez a bola entrar junto ao ângulo. À molhada de jogadores do Chaves na zona central o Benfica respondia jogando a toda a largura do terreno, com variações rápidas de flanco nas quais o Enzo era quase sempre o fulcro e que invariavelmente iam encontrar um dos laterais completamente solto, obrigando a equipa do Chaves a bascular constantemente com os inevitáveis desequilíbrios e desposicionamentos a aparecerem. Aos dez minutos, falta sobre o Rafa à entrada da área e apesar do livre ser sobre a esquerda e 'pedir' mais um pé direito, foi o Grimaldo quem o marcou colocando a bola na gaveta. Depois do esforço a meio da semana, nada melhor do que ter o jogo praticamente resolvido ao fim de dez minutos. Sim, ainda havia muito futebol para jogar, mas o Benfica jogava de forma tão fluída e mostrava uma superioridade tal que todos nós devemos ter começado logo a fazer contas a quantos golos mais conseguiríamos marcar. Até porque os ataques e ocasiões do Benfica se iam sucedendo a um ritmo diabólico, sem que o Chaves mostrasse capacidade de resposta - destaque para uma ocasião em que o Gonçalo Ramos falhou por muito pouco, depois do cruzamento do Neres ter saído ligeiramente por alto. Se calhar por isso mesmo, pouco depois da meia hora, houve ali um período de três ou quatro minutos de desleixo da nossa parte e imediatamente o Chaves mostrou o que poderia acontecer caso nos descurássemos. Primeiro houve um contra-ataque de seis adversários contra os nossos quatro defesas, com o resto da nossa equipa a recuperar a passo - o remate saiu para as mãos do Vlachodimos. Logo a seguir, o Enzo cometeu o seu único erro no jogo e com um mau passe isolou um adversário, correspondendo o Vlachodimos com uma excelente defesa. E a seguir, nova perda de bola na zona defensiva terminou com um remate ao lado. Isto deverá ter sido suficiente para despertar-nos outra vez, e a resposta foi chegarmos ao terceiro golo ao trinta e sete minutos. Desmarcação do Aursnes pela direita, cruzamento junto à linha de fundo e o Gonçalo Ramos marcou quase sobre a linha e de ângulo apertado, depois de ter conseguido controlar a bola desviada pelo guarda-redes. Não mais voltámos a dar ao Chaves tanta liberdade, e até ao intervalo até deveríamos ter marcado mais, com realce para uma combinação de toques de calcanhar entre o Grimaldo e o João Mário, que terminou com um remate deste último por cima quando estava em posição para fazer bem melhor.


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Viemos com um ritmo bem mais pausado para a segunda parte, mas sem nunca abdicar do controlo do jogo. O meu maior lamento neste jogo foi o golo que acabou por nos ser (bem) anulado aos dez minutos deste segundo tempo. Uma jogada fantástica de equipa, onde a bola passou por vários jogadores e que envolveu passes de calcanhar e toques de primeira até o Gonçalo Ramos tocar atrasado para a entrada da área, onde o Enzo rematou de primeira para meter a bola no ângulo. Infelizmente, um dos muitos passes apanhou o Aursnes em posição irregular na direita antes de meter a bola na área e assim o golo foi invalidado, mas seria um dos momentos mais altos do jogo. O Benfica continuou a gerir a posse da bola sem forçar grandemente e o jogo chegou a tornar-se até algo aborrecido, até ao momento das substituições. As entradas primeiro do Gilberto e do Florentino (saíram o Bah e o João Mário), e depois do Musa e do Diogo Gonçalves (saíram o Gonçalo Ramos e o Neres) vieram agitar bastante o jogo e nos quinze minutos finais assistimos a um assalto à baliza do Chaves como se o jogo não estivesse já mais do que resolvido e houvesse uma necessidade absoluta de marcar mais golos. As ocasiões começaram a suceder-se a um ritmo elevado - Otamendi, Rafa, Diogo Gonçalves - até que aos oitenta e um minutos o golo chegou mesmo. Combinação pela zona central entre o Enzo e o Diogo Gonçalves, com o argentino a escapar-se entre vários adversários para depois soltar a bola já na área para o Musa, solto sobre a direita. O remate rasteiro e forte fez a bola entrar junto ao poste, sem hipóteses de defesa para o guarda-redes. Mas porquê parar no quarto se ainda havia tempo para mais? O assalto continuou e o Rafa parecia estar particularmente determinado em não deixar acabar o jogo sem inscrever o nome na lista de marcadores. E no último minuto dos três de compensação, conseguiu-o. O maior destaque no lance vai para o remate de ressaca do Gilberto, de primeira à entrada da área e de pé esquerdo. O guarda-redes pareceu ainda tocar muito ligeiramente na bola, esta embateu com estrondo na barra, depois no chão, e o Rafa reagiu mais rápido do que toda a gente para fazer a recarga de cabeça. Ao contrário do que aconteceu a semana passada no Porto, onde a bola foi embater na barra, desta vez foi mesmo para dentro da baliza. E se querem uma demonstração do que é neste momento o estado anímico desta equipa, é ver a forma como o Rafa e o resto da equipa festejaram o golo. O quinto golo, no último minuto de um jogo que estava mais do que decidido, mas que foi festejado com uma alegria que até parecia que tínhamos acabado de marcar o golo da vitória.


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Acho que toda a equipa se exibiu a um nível muito alto, incluindo os suplentes que entraram e que revitalizaram o nosso jogo. Quase que estranhamente, acho que nem sequer posso dizer que neste jogo tivemos uma exibição superlativa do Rafa ou do João Mário, dois jogadores que têm estado em grande destaque ultimamente. Mas acho que seria injusto não destacar o enorme jogo do Enzo - que pena aquele golo não ter valido. Eu ainda na primeira parte dei comigo a pensar que andámos anos à procura de um jogador assim, e que vários dos insucessos mais recentes se terão devido ao facto de não o termos conseguido encontrar. Um belíssimo jogo também do Grimaldo, o Neres muito bem na primeira parte, e mais uma vez o Aursnes excelente.


 


Acho que se precisasse de encontrar uma só palavra para caracterizar o futebol que a nossa equipa neste momento pratica, teria que ser alegria. Há muito tempo que não via os nossos jogadores demonstrarem tanto prazer em jogar futebol e a desfrutarem cada minuto em campo e cada jogada que fazem com os colegas. Pode até ser um mero pormenor, mas é bom ver tanta gente com a nossa camisola em campo a sorrir. E isto ajuda em muito a explicar o nosso actual momento. Que o saibamos cultivar e prolongar o mais possível. É que neste momento o campeonato, e mesmo não se tendo ainda atingido um terço do mesmo, começa a tornar-se cada vez mais não um campeonato que outros possam ganhar, mas sim que só nós o poderemos perder.

Comentários

Pedro Qwara disse…
Uma entrada de rompante e 15 minutos á Benfica foram importantíssimos para não permitir grandes veleidades ao Desportivo de Chaves.
O Benfica entrou muito bem no jogo, praticando um futebol vistoso e acima de tudo eficaz, já há quem lhe chame futebol champagne, eu acrescentaria também o caviar.
O jogo valeu pela atitude, pela qualidade do futebol praticado e pelos golaços, inclusive aquele que não valeu e assim se foi construindo um resultado folgado, que ficou apenas a 18 centímetros da meia dúzia.
Foi um grande sábado para o Benfica e para a Johnson & Johnson, a empresa que comercializa os comprimidos para a azia da marca Kompensan.
E Pluribus Unum.
António Madeira disse…
Olá, D'Arcy.

"Alegria" foi a palavra que me veio imediatamente após o apito final.
A alegria que se sente dentro das quatro linhas é incrível e contagia as bancadas e todos os benfiquistas espalhados por esse mundo fora.
A alegria de acordar em dia de jogo do Benfica e ficar à espera do pontapé inicial com borboletas no estômago, tal como acontecia em criança. A alegria de saber que os apitadores se veem impotentes perante tal avalancha de futebol espetáculo e que mais não podem fazer do que ir adiando com apitos aqui e ali, com uma amarelo aqui e ali, com uma anulação da lei da vantagem aqui e ali.
A alegria de toda uma nação que tanto merecia este momento pelo que nos fizeram nestes últimos anos, pelo que tentaram fazer e não conseguiram, mas também por aquilo que nós fizemos a nós próprios.
A alegria de ver o Rafa sorridente e a explanar todo o seu potencial gigantesco, atirando-se para a relva aos 93 minutos de um jogo que já ganhávamos por 4-0.
A alegria de ter um presidente que voltou a conseguir unir os Benfiquistas em torno de um projeto construído com pés e cabeça em prol do Benfica e não de A ou de B.
A alegria de voltar a sentir-me benfiquista de alma cheia e com esperança no futuro, não só pelo que se faz na equipa de honra, mas nas modalidades, incluindo aqui o orgulho de ter todas elas também no feminino.
A alegria de ter um treinador que honra os nossos mais nobres pergaminhos.
A alegria de ver o verdadeiro Benfica de volta!

Viva o Benfica!
Luís Manuel disse…
Olá D'Arcy, e muito obrigado pelo post e análise ao jogo.

A gracinha (a ordinarice) da escolha do campo ao contrário já é moda em quase todos os adversários que nos visitam, por isso já nem ligo.

Foi uma excelente exibição da nossa equipa, e eu fico sempre de pé atrás quando, depois dos jogos das competições europeias, temos de receber ou visitar equipas que fazem o jogo do costume - retranca, adiar o nosso primeiro golo, criar nervosismo, apostar nas bolas paradas para tentarem apanhar-se em vantagem. Infelizmente para eles, não demos qualquer hipótese e entrámos com uma intensidade de que sinceramente (após aquele jogo com a Juventus) não estava à espera. O resto já ficou bem dito por ti. Gostei bastante da entrada dos nossos suplentes.Vi melhorias no Diogo Gonçalves e Musa (normalmente o Gilberto entra sempre bem).

Agora anda muita gente a queixar-se que a Liga devia fazer assim e assado, corrigir e melhorar, etc. Durante três anos esteve tudo bem. Agora vamos na frente e isso gera incómodos. Percebo o que dizes, e por isso não podemos baixar a guarda. Já todos vimos muita manha, muita agitação nos bastidores, muita arbitragem pressionada quando vamos na frente, e o campeonato ainda vai no início.

Agora a concentração total é no jogo em Israel. É praticamente o jogo da vida deles, que ainda podem chegar à Liga Europa se nos ganharem. É uma equipa com qualidade, um ambiente difícil, por isso teremos de estar ao nosso melhor nível. Que magnífico seria ganharmos este último jogo!

Força, Benfica!
Anónimo disse…
Hoje é dia de Web Schmidt…
Antonio Paiva disse…
nesta tugolândia_lixo_podre todo o mundo tenta arrecadar grana falando mal do glorioso (essa é que é essa) ... e mais não digo ! ! !

saudações vermelhas & gloriosas