Incontestável
Uma vitória incontestável do Benfica em mais um jogo complicado. A exibição pode não ter sido das mais vistosas em termos de qualidade, mas a superioridade do Benfica nunca chegou sequer a estar em causa.

Foram três as alterações no onze para este jogo: Weigl, Rafa e Seferovic nos lugares do Gabriel, Pizzi e Waldschmidt. Isto na prática significou jogarmos com dois pontas-de-lança mais 'tradicionais'. A entrada do Benfica no jogo foi muito boa, quase mesmo avassaladora. A receita foi a do costume, pressão alta e intensa, muita velocidade, transições rápidas, e as oportunidades a começarem a surgir muito cedo. Tanto que aos seis minutos já tínhamos chegado ao golo. Tudo começou numa falta marcada rapidamente pelo Taarabt ainda no meio campo, progressão do Everton, passe para o Rafa, toque de primeira para um cruzamento também de primeira do Grimaldo, e entrada fulgurante de cabeça do Seferovic. Um bonito golo e a melhor forma de começar a resolver este problema que é uma equipa treinada pelo Petit. Porque se o golo madrugador e os primeiros minutos deram a entender que seria um jogo fácil para o Benfica, isso foi engano. O B SAD defendeu sempre com muita gente atrás, e conseguiu quase sempre tapar bem os caminhos pela zona central, por onde o Benfica insiste preferencialmente. Depois do golo ainda criámos mais algumas boas ocasiões durante os quinze minutos iniciais - a melhor das quais quando o Everton se escapou pela esquerda e o seu remate cruzado foi bem defendido pelo guarda-redes com o pé - mas depois do adversário acertar com as marcações tornou-se mais difícil criar situações de perigo com tanta regularidade. Mas pelo menos tínhamos o conforto de já estarmos em vantagem, e o B SAD não conseguia ser incómodo no ataque. A única ocasião de perigo que criaram, na qual o Varela chegou mesmo a marcar, foi anulada por posição irregular.

Na segunda parte, começámos um pouco melhor e o Everton falhou de forma quase escandalosa um cabeceamento quando apareceu no meio dos centrais adversários, em posição frontal. Mas o que acabou por mudar completamente o jogo foi a entrada do Waldschmidt para o lugar do Seferovic com quinze minutos decorridos. A mobilidade e velocidade do alemão, e o bom entendimento que tem com o Darwin começaram imediatamente a produzir resultados. Pouco tempo depois de entrar, o alemão isolou-se pela esquerda e rematou ao lado - provavelmente se tivesse tentado colocar a bola no meio, onde tinha o Darwin bem colocado, seria uma melhor opção. Logo a seguir o Darwin marcou, a passe do Waldschmidt, mas o golo foi invalidado porque a unha do dedo do pé dele estava adiantada. As oportunidades de golo agora sucediam-se a um ritmo semelhante ao que tínhamos visto nos quinze minutos iniciais do jogo, e o Darwin isolou-se pela esquerda depois de um passe do Rafa, mas rematou à figura do guarda-redes (também poderia ter pensado em assistir o Waldschmidt no meio). A má notícia deste jogo veio logo a seguir, com uma lesão aparentemente séria do Grimaldo, depois de ser acidentalmente pisado por um adversário quando efectuou um desarme e que obrigou à sua substituição pelo Nuno Tavares. A quinze minutos do final, o quase inevitável segundo golo apareceu mesmo, pelos pés do Darwin. Uma transição rápida que começa num passe longo do Weigl desde a entrada da área para o Waldschmidt no meio campo, e depois o passe deste isola o Darwin, que com classe tirou o guarda-redes que saía à bola da jogada e rematou para a baliza deserta. O jogo ficou resolvido com este golo, embora como as coisas estivessem ainda fosse perfeitamente possível o Benfica chegar a um terceiro golo, tendo o Waldschmidt desperdiçado um par de ocasiões para o fazer.

O Darwin foi um dos destaques, mais uma vez muito em jogo, em especial durante a segunda parte. É um jogador de quem podemos esperar sempre que a qualquer momento crie uma jogada de perigo. Muito boa entrada do Waldschmidt no jogo, já que veio mexer muito com as coisas e a partir desse momento tornámo-nos muito mais perigosos. Gostei do jogo do Weigl, foi bastante sóbrio e seguro, e desconfio que a eficácia de passe dele deve ter andado muito perto dos 100%.
Cinco vitórias em cinco jogos. Parece até banal porque é o que nós esperávamos da nossa equipa, mas a verdade é que há quase quarenta anos que não conseguíamos um arranque assim. Há que continuar neste registo, e esperar que a equipa consiga dar a resposta necessária, especialmente na vertente física, para o manter. A pressão que o Benfica tenta exercer sobre os adversários é muito exigente neste aspecto.
Comentários
Temia-se este Belenenses de Petit, que defende muito bem, e durante o largo tempo em que a diferença era mínima ninguém podia estar descansado.
O nosso sistema defensivo desta vez esteve bem. Pena foi a lesão de Grimaldo, que parece ter alguma gravidade. Quase todos os anos a onda de lesões que afeta o clube tem sido maior na defesa, que ainda por cima tem sido e continua a ser ,o setor menos forte da equipa.
Até agora as coisas têm corrido bem, mas o pior calendário ainda está para vir.
No entanto, há que dizê-lo, esta equipa além de ter mais qualidade também pressiona muito mais do que a da última época. .
Jorge Jesus é o melhor treinador português.
Saudações Benfiquistas.