Amasso
De uma forma muito simples: foi um amasso. Uma exibição absolutamente dominadora do Benfica não deu qualquer hipótese ao Standrad de discutir o resultado, pecando apenas por não ter começado logo a definir o resultado na primeira parte. Foi uma boa forma de regressar à Luz após mais de sete meses de ausência.

Várias alterações no onze, com as entradas do Diogo Gonçalves (para lateral direito), Nuno Tavares, Gabriel, Pizzi, Pedrinho e Waldschmidt, saindo o Gilberto, Grimaldo, Weigl, Taarabt, Rafa e Seferovic. Desde o apito inicial que se viu que o jogo seria de um só sentido. A bola saiu dos belgas, mas o Benfica recuperou-a logo e durante mais de dois minutos eles não voltaram a tocar-lhe. Posse de bola avassaladora, assente numa pressão constante e óptima reacção à perda, significaram um jogo 90% ou mais disputado dentro do meio campo adversário. Provavelmente a estratégia inicial do Standard seria mesmo vir só para defender dada a muralha defensiva que montou, mas mesmo que não fosse não lhes seria possível fazer mais do que isso. O Benfica impedia qualquer tentativa de sair a jogar, e na maior parte das vezes os belgas eram obrigados e despejar a bola para a frente completamente pressionados ainda na zona da sua área. O que faltou mais ao Benfica na primeira parte foi criar mais ocasiões de golo que reflectissem um domínio tão completo. Achei que insistimos demasiado pelo meio, muito por culpa da constante tendência do Pedrinho, que deveria jogar pela direita, em vir para o centro. Acabava por cair na zona de acção do Pizzi, que esteve mais apagado na primeira parte, e não dar grande apoio ao Diogo Gonçalves, que assim foi mais tímido nas subidas ao ataque - enorme diferença para o Nuno Tavares, que na esquerda estava a ser um dos maiores desequilibradores e dos jogadores em maior evidência. A entrada do Rafa para o lugar do Pedrinho logo após o intervalo era previsível, imediatamente a ala direita entrou no jogo e cedo começámos a desatar o nó, com um penálti madrugador cometido sobre o Waldschmidt que foi convertido exemplarmente pelo Pizzi. Finalmente o Standard teria que arriscar um pouco mais, mas poucas diferenças se viram. Os belgas até acabaram por conquistar finalmente um canto e na sequência deste conseguirem, com uma hora de jogo decorrido, o primeiro (e julgo que terá sido o único) remate à nossa baliza, quando a bola sobrou para a zona do segundo poste e o Vlachodimos teve que se empenhar para evitar um empate que seria uma aberração. Aos sessenta e seis minutos, novo golo do Benfica, em novo penálti, desta vez sobre o Nuno Tavares. O Pizzi deixou que fosse o Waldschmidt a marcar e o alemão não deu qualquer hipótese, colocando a bola com força e no ângulo superior. A partir daqui deu para fazer poupanças e entraram primeiro Taarabt para o lugar do Waldschmidt, depois o Weigl e o Seferovic para os lugares do Gabriel e Darwin, e para os dez minutos finais o miúdo Gonçalo Ramos substituiu o Pizzi. Pelo meio, o Pizzi fez o terceiro golo, um remate em arco que ainda beneficiou de um desvio num defesa belga para fazer a bola entrar no ângulo.

Pelos dois golos o Pizzi é o destaque do jogo. Melhorou bastante da primeira para a segunda parte depois de deixar de ter frequentemente o Pedrinho a ocupar a sua zona. Mas o Nuno Tavares foi talvez o jogador em maior evidência. Parece decidido em aproveitar a lesão do Grimaldo para afirmar a sua pretensão ao lugar de lateral esquerdo titular. Um poço de força, foi uma autêntica locomotiva pela esquerda e um dos principais desequilibradores. Acabou por ser sobre ele que foi cometido o segundo penálti da noite. Bom jogo também dos nossos centrais, a actuarem bastante subidos no terreno e muito eficazes a recuperar quaisquer bolas que acabavam por cair na sua zona depois dos pontapés para a frente dos belgas.
Duas vitórias em dois jogos e já seis pontos de avanço sobre o terceiro classificado era a melhor entrada possível nesta competição. Depois da inadmissível eliminação da Champions, o Benfica tem legítimas esperanças na Liga Europa, e esta entrada reforça essa imagem. Foi também muito importante ver a equipa apresentar este ritmo e rendimento depois de feitas seis alterações no onze - se queremos atacar todas as competições, há que fazer uso extensivo de todo o plantel.
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