Pioneiro da estultícia
Os mais distraídos talvez ainda não tenham reparado que o Ricord adoptou o Acordo Ortográfico, no que foi pioneiro não só em relação aos jornais desportivos como, creio, em relação à restante imprensa portuguesa: por exemplo, o nosso Rui Costa surge como “diretor desportivo” do Benfica, a “semana transacta” é a “semana transata” e o mês de Dezembro é, aparentemente, um nome comum (“dezembro”).
Esta preocupação do Ricord além de estulta é profundamente irónica já que é justamente o único jornal português cujo título não é uma palavra da língua portuguesa – e isso nem o Acordo Ortográfico aceita – que assume a dianteira e adopta as novas regras. Ironia à parte, se fosse uma adopção plena por parte de um jornal que fosse referência no que ao uso correcto da língua portuguesa diz respeito, enfim, aceitava-se, mas é uma adopção que, além de manca, é acompanhada por um lamentável desconhecimento de algumas regras sintácticas e ortográficas básicas. Os autores desta última notícia sobre o Pablo Aimar, por exemplo, escrevem diligentemente “novembro", “dezembro" e “transata”, mas esquecem-se do “objectivo”, que, se não fosse o caso de a adopção ser manca, seria “objetivo” (é curioso que algumas linhas depois já se escreve “objetivo”). Nesta notícia encontramos ainda outras pérolas que denunciam a incongruência de ser um jornal como o Ricord a adoptar o Acordo. Vejamos: estivessem menos preocupados com o Acordo, e saberiam os jornalistas que “despoletado” tem um significado exactamente oposto ao que lhe pretenderam atribuir na notícia (qualquer dicionário, mesmo aquelas edições escolares, lhes mostrará que a palavra correcta é “espoletado”); na frase “qual o tipo de medicação lhe foi administrada” a forma verbal “foi” não tem sujeito, os jornalistas esqueceram-se do pronome “que” (dir-me-ão que é uma gralha, tudo bem, mas não deixa de ter a sua ponta de ironia).
Poderia continuar a enumeração dos erros com outras notícias, mas tornar-se-ia fastidioso para os leitores da Tertúlia, que estão mais interessados, compreensivelmente, em saber novidades do Glorioso. Mas, caros leitores, compreendam-nos também: já que a alguma imprensa apraz o exercício de vilipendiar de forma grosseira o nosso clube através de análises frequentemente parciais daquilo que é suposto a equipa fazer – jogar futebol –, a nós apraz-nos analisar de forma neutra e factual a forma grosseira e vilipendiosa como alguns jornais tratam a língua portuguesa, no âmbito daquilo que é o seu dever – escrever notícias correctamente.
Comentários
é q se dás a honra da letra capitulada ao estrangeiro título da publicação em causa, acho que, pelo menos, deverias adoptar a mesma deferência com a nossa excelente Pátria línguística
um abracço
:P
A mim arrepia-me tudo o que lá vem escrito e arrepia-me o Acordo Ortográfico. Recuso-me a aceitar uma normalização ridícula e subserviente da língua portuguesa com justificações absolutamente idiotas e desprezo profundamente os responsáveis pela aprovação desta imbecilidade.
Não hei-de mudar nunca a forma como uso a língua portuguesa, nem que tudo o que escreva passe a estar pejado de erros de acordo com os moluscos invertebrados que aprovaram esta imundície.
Não é ninguém, para quê fazer-lhe publicidade?
sem ter nada a ver...
é importante continuarmos a pugnar pela comparência de Benfiquistas, sócios e não sócios, nos jogos das modalidades.
ontem vencemos mais um troféu em andebol, uma competição onde estavam as melhores equips portuguesas e o Benfica confirmou o seu estatuto de campeão nacional.
é importante que o maior blog Benfiquista se dê ao acompanhamento das modalidades porque ver os pavilhões da Luz, por vezesm é desolador...
obrigado
abraços e amanhã lá estarei colado na Benfica TV
tiago pinto
Saudações Benfiquistas
essa da língua portuguesa é discutível, e nesse caso eu voto na minúscula.
Jorge Ventura,
não compro o Ricord, mas não consigo ignorar a sua existência.
a mais rica de todas as línguas!
Deve ser por a taxa de analfabetismo no Brasil,
ser 6 ou 7 vezes superior à nossa!
Ou seja "bué" da vezes... Espectacular!
Com ou sem estultícia a Língua Portuguesa é na realidade muito difícil, sobretudo no que concerne à leitura e interpretação.
O texto "Agora a sério" que segue está publicado no 4-4-2 e assinada pelo Katanec.
"Agora a sério"
Eu sei que o número de espectadores não é o único critério para avaliar o sucesso de uma prova - mas ajuda muito. E esta Taça da Liga tem números assustadores. Até ao momento registaram-se 144 mil espectadores, em 50 jogos. Falamos pois de uma média de cerca de 2880 espectadores por jogo. Isto é uma vergonha.
Mais. Na terceira jornada da terceira fase, ou seja, num momento crucial da prova, e numa jornada disputada totalmente ao fim-de-semana com jogos na Luz, Alvalade, Dragão e Guimarães, registaram-se cerca de 64 mil espectadores - tendo estado quase metade deles no Benfica-Belenenses. Em seis jogos, quase todos decisivos, pouco mais de 60 mil pessoas. Horrível.
katanec
Mas como 'quase' metade?!!
Então 35 000 não é um 'bocadinho' MAIS do que a metade dos números referidos ?
eu diria que isso é mais um problema de Matemática ;)
Para que o acordo entre em vigor nos restantes países ainda falta ser assinado por Timor-Leste, Guiné-Bissau e Cabo Verde, se não estou em erro. Mas essas questões são facilmente contornáveis, afinal o que conta é mesmo ser pioneiro... Nem que seja pioneiro em parvoíces.
Se querem falar português do Brazil sugiro que se mudem para lá, apenas tenham cuidado com os raptos e a malta das favelas. O meu português vem de um país com 800 anos de história, e cuja língua passou por várias evoluções durante séculos para que agora venham meia dúzia de políticos geração rasca mudar a língua falada e escrita para a que se fala no Brazil exclusivamente por decreto.