Até ao fim
Mais uma vitória sofrida, obtida ao cair do pano, com uma exibição que mais uma vez acabou por compensar com garra e vontade o que por vezes chegou a faltar em qualidade e discernimento.

Desta vez, ao contrário do que é habitual, vi o jogo em casa de amigos, pelo que acabei por não conseguir prestar-lhe tanta atenção, mas pelo menos deixo aquilo que foi a impressão que me ficou do jogo. No regresso dos titulares após o descalabro da Taça da Liga, o Benfica apresentou em Paços uma equipa que foi sobretudo equilibrada. Cada jogador no seu lugar natural, não havendo essas coisas de Di María à direita, Maxi no centro, etc. A única excepção terá sido o Katsouranis, que actuou no centro da defesa, mas conforme já disse antes, sinto-me muito mais seguro com ele nessa posição, já que o Edcarlos ainda não me conseguiu convencer. E vi esta equipa ter um início de jogo que me surpreendeu, pois foi bastante forte. Lançámo-nos no ataque desde o primeiro minuto, encostando o Paços junto à sua área, sendo que o adversário raramente conseguia passar do meio-campo. Esta pressão culminou com o golo à passagem dos vinte minutos, num cabeceamento do Rodríguez (agora ele também sabe jogar de cabeça... este tipo está a revelar-se uma autêntica caixinha de surpresas, e quase sempre agradáveis) após um livre do Rui Costa na esquerda do nosso ataque.
Reagiu bem o Paços ao nosso golo, e não demorou muito a empatar. Antes da meia-hora já o resultado estava em 1-1, após um lance em que a nossa defesa se revelou muito permissiva: primeiro na forma como o Cristiano ganha sobre o Nuno Assis e fica completamente à vontade sobre a direita; depois na maneira como o jogador do Paços aparece quase à vontade à entrada da pequena área a empurrar o cruzamento para a baliza. O Benfica também reagiu ao golo, e voltou a ganhar um ligeira ascendente, embora sem voltar a conseguir a mesma supremacia dos primeiros minutos. Além disso o Paços conseguia agora lançar contra-ataques bastante perigosos, pelo que a incerteza no resultado foi ficando até ao intervalo. Quando este chegou, o resultado parecia-me ajustado para o que vi, embora me sentisse triste por termos conseguido o mais difícil, que era chegar à vantagem, para depois termos permitido de uma forma aparentemente tão fácil que o adversário pegasse num jogo que controlávamos quase completamente até ao golo, e consequentemente chegasse ao empate.
A segunda parte pareceu-me bastante mais mal jogada. O jogo mantinha-se num tom parecido ao dos minutos finais da primeira parte, com o Benfica a ter algum ascendente mas com o Paços a contra-atacar bem e a ameaçar conseguir chegar ao golo. O Camacho foi mexendo na equipa, entrando o Nuno Gomes primeiro, e depois o Di María para os lugares do Maxi e do Nuno Assis, respectivamente, mas em termos tácticos não me pareceu que o Benfica tirasse grande partido disso. Durante esse período do jogo a sensação que me ficou foi qu o Benfica era uma equipa quase partida em dois, com um espaço enorme entre o ataque e a defesa, no em que o Binya era o único que tentava fazer a ligação entre os dois sectores. E claro, todo este espaço proporcionava ao adversário oportunidades para o contra-ataque. As coisas não me pareciam promissoras, e o empate ia-se tornando o resultado mais provável. No banco, para os últimos minutos o nosso treinador decidia-se pela troca do Cardozo pelo Adu, adiantando o Nuno Gomes. Mas já temos que começar a habituar-nos: este ano os jogos são para ver até ao fim. Quando vi o relógio nos 85 minutos, e o Rui Costa a preparar-se para marcar um livre, comentei para o Harry Lime, que via o jogo comigo na altura: "Faltam cinco minutos. Está na hora do Benfica marcar". Segundos depois a bola centrada pelo Rui Costa foi cabeceada pelo Rodríguez (outra vez?), defendida a custo pelo guarda-redes do Paços, e na recarga apareceu o Katsouranis a marcar (o que teve o efeito de fazer com que o Harry não quisesse ver o resto do jogo ;)) Fico sempre muito contente quando o Katsouranis marca, porque é um jogador por quem tenho muita admiração (e não, não vou cometer o erro de afirmar que ele é o meu jogador preferido, não caio outra vez nessa), e ainda mais quando o golo pode significar uma vitória quase certa, e uma aproximação ao primeiro lugar. Apesar do pouco tempo que faltava, até final ainda se passou muita coisa: deu para apanhar um grande susto, quando na sequência de um canto o Paços levou a bola à barra da nossa baliza, deu para um jogador do Paços ser expulso após uma placagem ao Nuno Gomes, e deu para falharmos uma oportunidade flagrante quando o Nuno Gomes resolveu não rematar logo para o golo e em vez disso esperar uma eternidade até que o Rui Costa lá chegasse, sendo o remate dele cortado para canto.
Se escolhesse o nosso melhor jogador, então seria o Rodríguez. Foi sempre dos jogadores mais esclarecidos, marcou um golo, e esteve no outro. Hoje até revelou a faceta de cabeceador, que lhe desconhecia. Voltei também a gostar do trabalho do Binya no meio-campo. Quanto ao que menos gostei, foi da permeabilidade do nosso lado direito. Foi quase sempre por aí que o Paços criou maior perigo.
Foi preciso voltar o Camacho para que voltássemos a vencer na Mata Real. Não fomos brilhantes, mas mais uma vez a equipa voltou a mostrar inconformismo e vontade de vencer, sendo recompensada por esse esforço com uma vitória num campo difícil. A aproximação ao primeiro lugar foi pequena, mas pelo menos sabemos que por agora estamos apenas dependentes de nós mesmos. Espero que isto possa servir de incentivo para o futuro.
P.S.- É como costumo dizer: contra o Benfica todos gostam de se vir queixar da arbitragem para justificar as derrotas. Deve ser a frustração de se ver a oportunidade para os quinze minutos de fama anuais que poderiam advir de uma vitória sobre nós escapar-se por entre os dedos. Fiquei triste por o José Mota, um treinador por quem tenho algum respeito, vir dizer que o nosso segundo golo surgiu na sequência de uma falta que não terá existido. Isto da visão selectiva tem que se lhe diga. No minuto imediatamente anterior ao nosso golo vi uma falta que não existiu ser marcada sobre a linha da área quando um jogador do Paços se atirou literalmente para cima do Binya. Esse livre era potencialmente muito mais perigoso do que o nosso livre. O Paços falhou. O Benfica marcou. O futebol é isto, mas quando se tem mau perder é muito fácil acusar o árbitro de favorecer o adversário. E contra o Benfica, infelizmente, todos parecem ter mau perder (e alguns tem ainda pior ganhar).

Desta vez, ao contrário do que é habitual, vi o jogo em casa de amigos, pelo que acabei por não conseguir prestar-lhe tanta atenção, mas pelo menos deixo aquilo que foi a impressão que me ficou do jogo. No regresso dos titulares após o descalabro da Taça da Liga, o Benfica apresentou em Paços uma equipa que foi sobretudo equilibrada. Cada jogador no seu lugar natural, não havendo essas coisas de Di María à direita, Maxi no centro, etc. A única excepção terá sido o Katsouranis, que actuou no centro da defesa, mas conforme já disse antes, sinto-me muito mais seguro com ele nessa posição, já que o Edcarlos ainda não me conseguiu convencer. E vi esta equipa ter um início de jogo que me surpreendeu, pois foi bastante forte. Lançámo-nos no ataque desde o primeiro minuto, encostando o Paços junto à sua área, sendo que o adversário raramente conseguia passar do meio-campo. Esta pressão culminou com o golo à passagem dos vinte minutos, num cabeceamento do Rodríguez (agora ele também sabe jogar de cabeça... este tipo está a revelar-se uma autêntica caixinha de surpresas, e quase sempre agradáveis) após um livre do Rui Costa na esquerda do nosso ataque.
Reagiu bem o Paços ao nosso golo, e não demorou muito a empatar. Antes da meia-hora já o resultado estava em 1-1, após um lance em que a nossa defesa se revelou muito permissiva: primeiro na forma como o Cristiano ganha sobre o Nuno Assis e fica completamente à vontade sobre a direita; depois na maneira como o jogador do Paços aparece quase à vontade à entrada da pequena área a empurrar o cruzamento para a baliza. O Benfica também reagiu ao golo, e voltou a ganhar um ligeira ascendente, embora sem voltar a conseguir a mesma supremacia dos primeiros minutos. Além disso o Paços conseguia agora lançar contra-ataques bastante perigosos, pelo que a incerteza no resultado foi ficando até ao intervalo. Quando este chegou, o resultado parecia-me ajustado para o que vi, embora me sentisse triste por termos conseguido o mais difícil, que era chegar à vantagem, para depois termos permitido de uma forma aparentemente tão fácil que o adversário pegasse num jogo que controlávamos quase completamente até ao golo, e consequentemente chegasse ao empate.
A segunda parte pareceu-me bastante mais mal jogada. O jogo mantinha-se num tom parecido ao dos minutos finais da primeira parte, com o Benfica a ter algum ascendente mas com o Paços a contra-atacar bem e a ameaçar conseguir chegar ao golo. O Camacho foi mexendo na equipa, entrando o Nuno Gomes primeiro, e depois o Di María para os lugares do Maxi e do Nuno Assis, respectivamente, mas em termos tácticos não me pareceu que o Benfica tirasse grande partido disso. Durante esse período do jogo a sensação que me ficou foi qu o Benfica era uma equipa quase partida em dois, com um espaço enorme entre o ataque e a defesa, no em que o Binya era o único que tentava fazer a ligação entre os dois sectores. E claro, todo este espaço proporcionava ao adversário oportunidades para o contra-ataque. As coisas não me pareciam promissoras, e o empate ia-se tornando o resultado mais provável. No banco, para os últimos minutos o nosso treinador decidia-se pela troca do Cardozo pelo Adu, adiantando o Nuno Gomes. Mas já temos que começar a habituar-nos: este ano os jogos são para ver até ao fim. Quando vi o relógio nos 85 minutos, e o Rui Costa a preparar-se para marcar um livre, comentei para o Harry Lime, que via o jogo comigo na altura: "Faltam cinco minutos. Está na hora do Benfica marcar". Segundos depois a bola centrada pelo Rui Costa foi cabeceada pelo Rodríguez (outra vez?), defendida a custo pelo guarda-redes do Paços, e na recarga apareceu o Katsouranis a marcar (o que teve o efeito de fazer com que o Harry não quisesse ver o resto do jogo ;)) Fico sempre muito contente quando o Katsouranis marca, porque é um jogador por quem tenho muita admiração (e não, não vou cometer o erro de afirmar que ele é o meu jogador preferido, não caio outra vez nessa), e ainda mais quando o golo pode significar uma vitória quase certa, e uma aproximação ao primeiro lugar. Apesar do pouco tempo que faltava, até final ainda se passou muita coisa: deu para apanhar um grande susto, quando na sequência de um canto o Paços levou a bola à barra da nossa baliza, deu para um jogador do Paços ser expulso após uma placagem ao Nuno Gomes, e deu para falharmos uma oportunidade flagrante quando o Nuno Gomes resolveu não rematar logo para o golo e em vez disso esperar uma eternidade até que o Rui Costa lá chegasse, sendo o remate dele cortado para canto.
Se escolhesse o nosso melhor jogador, então seria o Rodríguez. Foi sempre dos jogadores mais esclarecidos, marcou um golo, e esteve no outro. Hoje até revelou a faceta de cabeceador, que lhe desconhecia. Voltei também a gostar do trabalho do Binya no meio-campo. Quanto ao que menos gostei, foi da permeabilidade do nosso lado direito. Foi quase sempre por aí que o Paços criou maior perigo.
Foi preciso voltar o Camacho para que voltássemos a vencer na Mata Real. Não fomos brilhantes, mas mais uma vez a equipa voltou a mostrar inconformismo e vontade de vencer, sendo recompensada por esse esforço com uma vitória num campo difícil. A aproximação ao primeiro lugar foi pequena, mas pelo menos sabemos que por agora estamos apenas dependentes de nós mesmos. Espero que isto possa servir de incentivo para o futuro.
P.S.- É como costumo dizer: contra o Benfica todos gostam de se vir queixar da arbitragem para justificar as derrotas. Deve ser a frustração de se ver a oportunidade para os quinze minutos de fama anuais que poderiam advir de uma vitória sobre nós escapar-se por entre os dedos. Fiquei triste por o José Mota, um treinador por quem tenho algum respeito, vir dizer que o nosso segundo golo surgiu na sequência de uma falta que não terá existido. Isto da visão selectiva tem que se lhe diga. No minuto imediatamente anterior ao nosso golo vi uma falta que não existiu ser marcada sobre a linha da área quando um jogador do Paços se atirou literalmente para cima do Binya. Esse livre era potencialmente muito mais perigoso do que o nosso livre. O Paços falhou. O Benfica marcou. O futebol é isto, mas quando se tem mau perder é muito fácil acusar o árbitro de favorecer o adversário. E contra o Benfica, infelizmente, todos parecem ter mau perder (e alguns tem ainda pior ganhar).
Comentários
O Benfica acabou de ganhar três pontos num mau jogo de futebol, cujo desfecho não fez por merecer.
Deplorável exibição de uma equipa cujo único objectivo só poderia ser vencer e encurtar a distância para o FC Porto. O que vimos foi diferente: jogadores sem atitude, mal preparados fisicamente, sem confiança nas suas capacidades, sem incentivos vindos do banco, sem ambição e sem argumentos técnicos e tácticos para um pretenso candidato ao título.
Está na hora de desmistificar um certo endeusamento que ainda perdura em alguns adeptos menos atentos. Não tenho dúvidas que Camacho não tem grande futuro como treinador de futebol. Nem no Benfica nem noutro qualquer clube da Europa com a pretensão de ganhar títulos.
Certamente que muitos adeptos antes do início da partida arrepiaram-se logo após tomarem conhecimento da equipa que iria subir ao relvado. Começar com Cardozo só na frente é dar de bandeja um bom avanço ao adversário.
Não está em causa Nuno Assis, que não foi pior nem melhor do que os outros, o que é óbvio para quem percebe um pouco de futebol é que aquele sistema táctico, com um único avançado com as características de Cardozo, só resulta por mero acaso ou por demérito do adversário.
Camacho não se levantou uma única vez do banco enquanto a equipa esteve empatada. Aliás, apenas se mexeu para beber uma garrafa de água que estava aos seus pés. Retirei as minhas ilações desta atitude. Dentro de um/dois meses, se não for antes, vamos ter notícias sobre a equipa técnica do Benfica.
MFQ
O comentador; " é uma maravilha esta equipa do Paços"...
Relativamente ao lance da falta sobre Leo que originou o livre para o golo, eu mantenho aquilo que disse ainda antes de ver a repetição do lance (ao contrário dos comentadores com lagartísse aguda que disseram imediatamente "Nah, nah, nah, nah... a falta foi cavada por Léo"): FOI FALTA.
E foi falta porque, na minha opinião, o Leo, que levantou a bola sobre o adversário (fez-lhe um chapéu) foi impedido de continuar o lance, pois o jogador do Paços limitou-se a não jogar a bola e com o corpo impediu o nosso jogador de progredir. Na minha terra, a isto chama-se OBSTRUÇÃO.
E digam lá o que quiserem, comentadores lagartos e jornais tripeiros (viram a manchete d' O Jogo na edição de Domingo?), para mim é falta e o árbitro tem é de marcar.
Mas há mais: o Benfica não foi beneficiado neste jogo. Pode ter sido noutros, certamente, mas neste não foi.
A vitória foi justa porque foi a equipa que criou mais lances de perigo, esteve mais tempo na área adversária, teve mais tempo de posse de bola. E acreditou, meus amigos!, acreditou que podia ganhar.
Honra aos jogadores e aos adeptos do Benfica que, contra tudo e contra todos, marcaram presença em Paços de Ferreira.
FORÇA BENFICA!
Quanto ao lance do 2º golo, concordo com o Paulo: isto não é basquetebol, em que os jogadores podem fazer bloqueios e etc. O gajo do Paços deixou-se ficar para impedir que o Léo passasse e sem qq intuito de jogar a bola - na minha opinião é também obstrução. Não reparei se foi marcado livre directo ou indirecto, mas pareceu-me claramente situação para livre indirecto.
Enfim, fico obviamente muito satisfeito com a vitória, bem mais importante que a exibição. E como é evidente, prefiro assim do que ao contrário. Mas claramente ainda é preciso melhorar muita coisa.
E amanhã é para ganhar, dê por onde der.