Uma questão de nacionalidade

Nota prévia: gosto muito da selecção portuguesa, e apesar de a minha "paixão" futebolística ser de natureza benfiquista (mais do que portuguesa...), vibro bastante com a "Selecção de todos nós", mesmo em jogos de apuramento (e mais ainda em fases finais de europeus e mundiais).

O último post do Pedro FF levantou, como não podia deixar de ser, a questão da utilização de jogadores naturalizados na selecção.
Num dos comentários, o Artur Hermenegildo escreveu algo com que concordo: a partir do momento em que um jogador é português, por via na naturalização, passa a ser um cidadão português de pleno direito, e como tal, tem tanto direito como qualquer outro português de integrar a selecção.
No entanto, penso que representar a selecção é mais do que um "simples" direito de quem tem a nacionalidade portuguesa, seja ela adquirida à nascença ou posteriormente.
Na minha opinião, para além dos portugueses de nascença apenas deviam representar a selecção jogadores que tenham, no mínimo, feito a sua formação (ou parte) em Portugal. Um exemplo é o Ariza Makukula, que veio aos 8 anos para Portugal, por que o pai, Kuyangana Makukula, veio jogar para um clube português (Leixões). Makukula, mesmo não tendo nascido português, é mais português do que congolês (como ele próprio faz questão em afirmar), pois viveu grande parte da sua vida em Portugal.
Deco e Pepe são exemplos de jogadores que foram naturalizados "à pressão" para poderem integrar a selecção. No caso de Deco, ainda compreendo, já que na altura em que foi naturalizado, Rui Costa caminhava para os 32 anos (embora eu ache que aos 35 ele ainda teria perfeitamente lugar na selecção e para discutir a titularidade com Deco) e não havia nenhum substituto para aquela posição minimamente à altura. Entendo, portanto, o Deco como uma excepção que até aceito.
No caso do Pepe é que não compreendo minimamente a sua convocatória: há jogadores portugueses bem melhores que ele para aquela posição (vide Manuel da Costa) e mesmo na ausência de Ricardo Carvalho (para mim a principal ausência na convocatória - muito mais do que o Deco...) e Jorge Andrade, haveria outras opções, como o Paulo Jorge, do Braga, que tem demonstrado uma grande regularidade e um dos responsáveis pelas boas época que o Braga tem feito. E se é para convocar jogadores que não têm jogado, por que não o Ricardo Rocha, que para mim em nada fica atrás do Pepe?

Com estes precedentes do Deco e, sobretudo, do Pepe (já que o primeiro vejo como excepção), e para não falar da questão do desincentivo à formação nas camadas jovens, o risco é que a selecção se transforme num clube de futebol, onde as naturalizações correspondem às contratações de um clube de futebol.

E no que respeita a clubes de futebol, já tenho o Benfica e mais nenhum.


(post corrigido às 11:37)

Comentários

Esperarei mais comentários para participar neste tema. Para já, parece-me uma das reflexões mais interessantes para os próximos dias. Aguardo mais contributos.
pjff1 disse…
"Na minha opinião, apenas deviam representar a selecção jogadores que, mesmo não sendo portugueses de nascença, tenham, no mínimo, feito a sua formação (ou parte) em Portugal."

"No caso do Pepe é que não compreendo minimamente a sua convocatória: há jogadores portugueses bem melhores que ele para aquela posição (vide Manuel da Costa) "

Percebo o teu artigo, mas tem piada juntar estas 2 partes do teu texto porque Manuel da Costa NÃO fez a formação cá e mal sabe falar português. Por a tua teoria ele devia representar a selecção francesa e não a portuguesa, certo?

Americano
Não sei, mas julgo que o Ricardo rocha está lesionado...
tma disse…
O Manuel da Costa é português de nascença, porque os pais são portugueses.
Se calhar tem dupla nacionalidade, certamente também teria tido a opção de representar a França (o que teria sido perfeitamente legítimo, ex: Robert Pires).
No entanto, optou por representar Portugal e ainda bem.
tma disse…
Americano, agora apercebi-me de que aquilo que escrevi não está de acordo com o que eu pretendia...
Pretendia dizer que, para além dos portugueses de nascença, apenas deviam representar a selecção os que tivessem feito a formação em Portugal.
pjff1 disse…
TMA, o Manuel da Costa nasceu em Lorraine, em França, não em Portugal. Tem de facto pai(s) português(es), mas não nasceu cá, não viveu cá, nunca jogou cá, e mal fala português. Começa-se a entrar cada vez mais no campo da subjectividade, daí parecer-me uma discussão sem grande sentido. Se é português de pleno direito, como o Pepe e o Manuel da Costa são, deve-se falar com as pessoas, conhecê-las, e conhecer a sua vontade, e se a vontade for representar Portugal, devem fazê-lo. Se forem convocados e não se empenharem, se falharem na representação das quinas, deixam de jogar e pronto, tão simples como isso.

Americano
tma disse…
O Pepe não tem categoria para representar a selecção brasileira, e perante a hipótese de jogar pela selecção portuguesa, e pelo prestígio e valorização que isso pode trazer-lhe, obviamente agarrou essa possibilidade. Não tenho nada contra o Pepe, enquanto cidadão português :-), mas será que ele está assim tão identificado com a nacionalidade portuguesa?

Quanto ao Manuel da Costa, não sei se ele se sente mais francês que português, é certo que fala mal português, mas tenho a certeza que, embora talvez divido entre sentir-se mais português do que francês, ou vice-versa, sempre se sentiu português e minimamente identificado com Portugal.
Por exemplo, tenho primos holandeses e primos alemães (e ambos os casos também são portugueses, é claro), que apesar de falarem mal português (pq sempre viveram na Holanda/Alemanha), nunca deixaram de se sentir portugueses e alguns deles, inclusivamente, até torcem por Portugal quando joga contra a Holanda/ Alemanha.
pjff1 disse…
TMA, estás a ser totalmente parcial, estás a falar do que o Pepe e o Manuel da Costa sentem, estás a falar das razões deles sem saber. Achas que o Pepe não se valoriza a jogar no Real Madrid e na Champions??? Achas que o mundo do futebol vai descobr-lo por jogar na Selecção Nacional, achas que já não o conhecem??? Ou isso não se aplica mais ao Manuel da Costa que talvez não tivesse lugar na Selecção Francesa, mas desde que começou a jogar nos sub-21 portugueses até se conseguiu transferir para o PSV? Parece-me óbvio qual dos 2 tem mais necessidade de "valorização", neste momento.

Americano
pjff1 disse…
"O Pepe não tem categoria para representar a selecção brasileira"

Mais uma subjectividade total,acho que não é preciso lembrar-te que muito recentemente um suplente do 5º classificado português que joga na mesma posição do Pepe representou o escrete.

Americano
tma disse…
Claro que tudo isto é subjectivo. Se fosse objectivo nem seria matéria de discussão!

Ainda não me apercebi de o Pepe ter jogado na CL...
Em todo o caso, valoriza mais jogar numa qq selecção do que em nenhuma.
Em relação ao Gladstone, não me pronuncio, pois nunca o vi jogar (e também não me pronuncio sobre as razões pelas quais não joga no Cepórtêim, pois não tenho nada a ver com isso).

E embora também seja subjectivo (e sem entrar com as questões de identificação com a nacionalidade portuguesa), continuo a achar o Manuel da Costa bem melhor que o Pepe.
E o Paulo Jorge do Braga também faria mais sentido que o Pepe, pois tem jogado regularmente.

PS: no lugar do Pepe provavelmente eu faria o mesmo :-)
1) Acho que a parte final do post coloca uma questão muito interessante, que é a da selecção se transformar num "clube de futebol".

A minha opinião é de que tal já é o que acontece. Olhem à vossa volta; selecções como a Alemanha, a Espanha, a Rússia, têm jogadores naturalizados, alguns deles com tanta ou tão pouca ligação ao país que representam como Pepe ou Deco. Todos os países usam de todas as armas para conseguirem para o seu "clube" os melhores jogadores, sem qualquer pudor. E muitas vezes se recorrem a naturalizações "à pressão", o que não foi o caso nem de Pepe nem de Deco, que cumpriam os requisitos legais para serem naturalizados.

O Freddy Adu também é internacional USA apesar de ter nascido no Gana. O "nosso" Fernando Aguiar foi internacional pelo Canadá, apesar de ser portuguesíssimo. O Pedro Emanuel foi convidado a jogar por Angola e só não aceitou porque se verificou que não podia. As selecções portuguesas de basquete, voleibol, andebol, atletismo têm desde há anos atletas naturalizados.

Eu não sou nacionalista e vejo este fenómeno como positivo. Pessoalmente, se fosse possível acabava com as competições de selecções. Mas uma vez que elas existem obviamente torço pela nossa, tentando esquecer-me momentaneamente de que nela militam jogadores que abomino durante todo o ano - e não é por serem ou não "portugueses de gema".

2) A mim até me faz mais confusão a utilização de Deco do que de Pepe, pelo facto de que Pepe está cá desde os 18 anos e há muito que manifesta vontade de jogar pela nossa selecção, enquanto a naturalização de Deco foi evidentemente "interesseira" - ele precisava de ser comunitário para se poder transferir mais facilmente para Espanha.

3) E que dizer do facto de durante anos termos beneficiado do "acidente histórico" que foram as colónias portuguesas? Dezenas de jogadores lá nascidos representaram a nossa selecção. Eram cidadãos portugueses? Claro que sim, mas apenas devido às circunstâncias. E mais: só o eram provavelmente por serem bons atletas, porque a generalidade dos nascidos nas colónias sem ascendência portuguesa não tinham a nacionalidade, mas sim o estatuto de "indígena" (vejam a excelente série de "A Guerra" de Joaquim Furtado que tem passado na RTP2).

4) Dificilmente uma pessoa renega a sua nacionalidade, e portanto nunca nenhum jogador naturalizado vai deixar de colcoar em primeiro lugar o país onde nasceu. Mas isso não significa que não tenha sentimentos de amor e fidelidade também pelo país que o acolhe, e que possa portanto representar com amor e orgulho esse país.

5) Alguém duvida que se a Espanha pudesse naturalizar Pepe e usá-lo na selecção o faria, caso ele confirme o valor que demonstrou nos últimos dois anos?
Telmo disse…
Digam o que disserem, mas para mim espero que a selecção comece a perder a partir deste momento.

1 estrangeiro já era difícil engolir, 2 nem pensar.

Eu gostava de ver o limite dos portugueses: 3 estrangeiros? 5 estrangeiros? 11 estrangeiros? Se como dizem, a partir do momento que se naturalizam são portugueses, então jogar 1 ou 11 estrangeiros é sempre aceitável certo? Sendo assim que joguem 11 naturalizados que tal?

E que dizer da convocação do Pepe logo após uma lesão??? Ainda agora veio duma lesão e já tem ritmo de jogo??? Ou será privilégio que não é concedido aos jogadores portugueses?

Chamem-me o que quiserem, mas pra mim a selecção morreu, depois das saídas de Figo e Rui Costa ficaram só os meninos bonitos a sofrer de vedetismo, agora com mais um estrangeiro foi a morte da selecção para mim!

Obviamente quero que a selecção portuguesa tenha sucesso, a "minha" selecção portuguesa! O problema é que esta não é a minha selecção portuguesa! Nem a minha nem de nenhum português......

Por outro lado se eu concordar que esta é a minha selecção portuguesa vou estar a concordar com as máfias do futebol português e do fcporto, e Deco e Pepe são mais 2 peões desse tipo de máfias.

Selecção Portuguesa sim que ganhe, selecção luso-brasileira que se lixe.
Pedro disse…
Pelo contrário. Apesar de não concordar o Pepe ainda aceito. Pq o Pepe desde sempre preferiu a selecção portuguesa à brasileira. Ao contrário do Deco q só cá está pq no Brasil o Scolari não o quis. E pq dava jeito ele ir à selecção para alguns ganharem uns bons tostões.

É essa a grande merda de tudo isto.
Yur@n disse…
Esta é sem dúvida uma questão polémica.
Também não encaixei muito bem a utilização do Deco e agora a possivel utilização do Pepe, e desde logo porque acho que a Selecção Portuguesa é uma segunda escolha para eles, não eram chamados à selecção do Brasil nem viam perpectivas de isso vir a acontecer. É este exactamente o motivo que me leva a questionar essa possibilidade.
Depois é o facto de não compreender como é que o Pepe é convocado, ficando de fora jogadores Portugueses, como por exemplo o Ricardo Rocha. E mesmo o Deco, que ultimamente não tem feito nada de especial na selecção, não sei até que ponto faz falta à Nossa Selecção, aliás vamos ter a oportunidade de ver nos 2 próximos jogos a Selecção a jogar sem o Deco.
Depois sendo Portugal um pais de futebol, com grandes talentos, é estranho que tenha a necessidade de ir buscar jogadores naturalizados. Se calhar se o treinador não fosse o Scolari isto não tinha acontecido.
pjff1 disse…
Quem está aqui contra a utilização do Pepe e/ou Deco, só vos deixo umas perguntas para refelxão:
Alguma vez deixaram de apoiar a selecção de basket por ter naturalizados? Alguma vez deixaram de apoiar a nossa selecção de andebol por ter naturalizados? Não vão apoiar a nossa selecção de futsal por ter naturalizados? Deixaram de vibrar com as nossas medalhas no atletismo por parte de atletas naturalizados?
É que defender que o Pepe e/ou o Deco não deviam lá estar porque não têm qualidade, enfim é uma discussão meramente futebolística, que se aceita, como se pode discutir todos os outros jogadores. Discuti-los porque nasceram no Brasil, por serem portugueses diferentes é xenofobia pura. Discuti-los porque brilharam no Porto, é clubite na Selecção. Qualquer uma das 2 últlimas hipóteses acho triste e lamentável.

Americano
Telmo disse…
Isto não tem nada a ver com xenofobia, eu sou o primeiro a defender os emigrantes, mas uma selecção nacional de futebol é diferente, obviamente também há naturalizados nas selecções de basquete e andebol mas há uma diferença, devido à dimensão que essas modalidades têm no nosso país não se trata de naturalizar para beneficiar este ou aquele clube, o interesse é apenas e só desportivo, tratando-se da selecção nacional de futebol, já é mais complicado, pois é com ela que os portugueses se sentem identificados, um jogador para jogar por Portugal devia pedir de joelhos ao país e mesmo assim devia ter que prestar muitas provas de amor à pátria, Obikwelu é um dos casos em que o atleta mostra uma enorme gratidão e amor a Portugal.....algumas semelhanças com Deco ou Pepe? Estes 2 tão-se completamente a cagar se Portugal vai continuar a ganhar quando eles não estiverem na selecção, para eles a selecção portuguesa é só uma oportunidade de jogarem por uma selecção, para eles não importa se é a portuguesa, a espahola ou a inlgesa, mercenários não obrigado.
pjff1 disse…
Telmo,

A sério, é difícil responder ao comentário, porque não tem ponta por onde se pegue. Quem o lê parece que o Obi tem uma auréola, é um homem que sempre foi "português desde pequenino", adora Portugal e se fosse preciso até morria numa guerra pela pátria, enquanto que o Pepe e o Deco são os diabos que jogaram no Porto, mercenários da pior espécie, que só vão usar a selecção para se promover nunca mais querendo saber de Portugal. Depois dizes que nas outras modalidades já não há problema, os portugueses identificam-se com o futebol. Engraçado como tantos portugueses se identificaram com os lobos que tinham lá um "argentino" (salvo erro) que até se destacou por uma agrssão e um castigo que apanhou. Depois falas nos clubes quando o Pepe joga no Real Madrid, achas que eles é que pressionaram a FPF para o Pepe jogar???
Sinceramente vale mais seres honesto e dizes o teu critério: se é um naturalizado que jogou no Porto não pode jogar na Selecção. Já agora esticas mais um pouco e impedes todos os jogadores do Porto de jogar lá, ou melhor todos os que não forem do Benfica. Pronto, e aí passas a ter uma selecção à tua imagem.

Americano
Burmelho disse…
Esta discussão resolve-se de uma forma simples. É abraçar a discussão, pois além disso não há nada mais que actos dos agentes envolvidos. Tomaram uma decisão e nós apenas podemos discuti-la. Com isto posto atrás das costas aqui vão as minhas inúteis opiniões:
Como Benfiquista (lado emocional a sobrepor-se ao racional) esta é uma selecção que muito pouco apela aos meus sentimentos. Não nutro por ela a mesma dedicação e simpatia que alguns seleccionados anteriores me mereciam. O que querem? São poucos Benfiquistas em resumo. E como 60% de Portugal é Benfiquista não concebo que a Selecção Portuguesa não se reflicta nesse pormenor.
Como Português (lado racional a sobrepor-se ao emocional, que remédio...) acho que todos (sublinho a palavra TODOS) os cidadãos portugueses, sejam de nascimento ou naturalização, são iguais aos olhos da lei. Posto isto, o Scollari tem o direito de convocar e o jogador de optar representar o nosso país. E aqui posso mesmo argumentar que para um jogador representar este nosso país só por amor ou desespero. Resta saber qual o caso do Deco e do Pepe ...
Eu percebo as pessoas que aqui, discordando de mim e de outros, levantam a questão do "amor à selecção" e do "mercenarismo".

Mas eu pergunto; alguém sabe se alguns dos jogadores portugueses "de sempre" estão na selecção por amor? Alguém mede o grau de mercenarismo dos mesmos? Porque é que se há-de pôr para os naturalizados uma questão que não se coloca para todos? É isso que é xenofobia; tratar alguém de forma diferente por ser "estrangeiro".

Eu dar-vos-ia razão se visse por exemplo as nossas estrelas, que já ganham milhões nos clubes, abdicarem do prémios e das verbas por gestão de imagem pelas suas participações na selecção, jogando "por amor".

Dizem que são eles que jogam, logo têm direito a ser compensados. É uma perspectiva válida.

Mas eu tenho outra; ao contrário dos clubes, a FPF é uma instituição pública de fins não lucrativos. Esse dinheiro poderia ser aplicado de outras formas, nomeadamente no apoio às camadas jovens.

E é preciso não esquecer que foi a selecção quem inicialmente projectou as carreiras de Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo, entre outros. Mas Deco, por exemplo, já tinha uma carreira feita quando começou a ir à selecção.

Eu tenho disto a perspectiva mais desinteressada possível; a selecção deve ganhar, porque é o nome desportivo de Portugal que ganha; e para isso deve usar as melhores armas de que possa dispor, como o fazem todas as outras.
Superman Torras disse…
Já cá faltava este tema. É um assunto em que ninguém tem mais razão do que o próximo e em que ninguém vai conseguir convencer ninguém de que "assim é que é", ou que "devia ser".

Quanto a mim, e não me considerando nem de perto nem de longe como um nacionalista radical, apenas teriam lugar na selecção nacional os portugueses nascidos em Portugal ou filhos de emigrantes ou então jogadores que tivessem feito parte da formação no futebol português.

Ponto final parágrafo.

Tudo o resto soa a aproveitamentos pessoais que apenas servem para desvirtuar o que devia ser o futebol praticado entre selecções, isto é, competições em que estariam bem visiveis (ao contrário do que vai acontecendo cada vez mais nos campeonatos nacionais) as idiossincrasias de cada povo. O futebol como negócio é um mal com o qual temos de conviver e contra o qual pouco ou nada podemos fazer, agora deixarmos de ter no futebol de selecções a ilha onde podíamos refugiar o sentimento romântico com que o futebol sempre se deu tão bem isso parece-me lastimável.

Por absurdo, ainda há-de chegar o dia em que se oiça qualquer coisa como isto num relato de um Noruega vs Portugal:

"E aí está, a equipa norueguesa a evitar os cruzamentos por alto a fim de evitar o jogo aéreo mais forte por parte dos portugueses..."
pjff1 disse…
Muito bem Artur, levantaste uma questão fundamental que poucos terão interesse em abordar: foi culpa de Scolari, Murtosa, Pepe e Deco o caso Saltillo? Foi culpa deles o problema com os impostos/prémios na Coreia? Essas selecções de portugueses "puros" amava a nossa pátria mais que a actual? Certamente que sim era só amor à pátria, isso é que foram tempos e o povo unido. Gostem ou não a maior união à volta duma selecção foi conseguida muito por culpa dum brasileiro e numa equipa que já havia um naturalizado.

P.S. Artur, a FPF não é uma instituição pública, é uma instituição de facto sem fins lucrativos e que goza de utilidade pública e utilidade pública desportiva, mas não é um organismo público.

Americano
Telmo disse…
Simplesmente digo que devem haver critérios bem definidos, tais como ser filhos de emigrantes, terem-se formado como jogadores em Portugal, ou terem vindo para Portugal antes dos 18 anos, e para provar que não estou contra Pepe e Deco por terem sido jogadores do fcporto, sempre disse que nunca concordava com Nelson do Benfica na selecçao, afinal ele também não respeita os critérios que referi acima. Embora haja uma atenuante, as antiga colónias portuguesas são independentes há 30 anos e o Brasil é independente há 200....

Que tal 11 naturalizados pela selecção? Será que os portugueses continuariam a apoiar?
Calantrão disse…
Na minha modesta opinião, Makukula não deveria jogar na selecção, pois poucos se lembram mas há uns meses (no final da época passada, antes de vir pro Maritimo) ele andou a dar entrevistas dizendo que só não jogava pela República Democrática do Congo porque não o deixavam. Que estava magoado com Portugal, que no Congo era amado e blá blá.
Makukula na selecção é, por melhor jogador que seja, gozar com os tugas que se esfalfam para terem uma hipótese e estão tapados por um senhor que ainda há bem pouco tempo renegou a equipa das quinas.
Para mim, só vestia a nossa camisola quem fosse nascido cá (ou filho de pais portugueses) e os casos da formação/chegaram jovens teriam de ser bem analisados (para que a nossa selecção não fosse uma segunda escolha ou uma forma de projecção - vide o caso do Nélson do nosso SLB, que quando o conheci jogava no Vilanovense e assumia-se como cabo-verdiano, logo não era português).
Ah, e tinham de saber falar português! Não sei com que idade o Bosingwa veio do (então) Zaire para cá, mas o homem fala como se tivesse chegado no ano passado!
Se bem se lembram, o "santo" Figo, português "de gema" e etc., retirou-se da selecção apó so Euro 2004. Mas quando as coisas lhe começaram a correr mal e a ser suplente no Real Madrid, ei-lo que voltou a correr à mesma selecção, que mais uma vez lhe relançou a carreira e lhe abriu as portas do Inter.

Mercenarismo? Não; simples gestão de carreira (e digo-o sem ironia). O futebol de hoje já pouco tem dos termpos do "amor à camisola" de antanho, e isto é válido para clubes e selecções, e para quase todos os jogadores (até por isso o Rui Costa é um caso raro).

O Pepe, pelo contrário, até já se transferiu para o Real Madrid; não me parece que precise da selecção para nada neste momento. E acho que a vontade dele é sincera.
Sabem o que para mim deveria ser um critério para se ir à selecção, representar o nome desportivo de um país? Era ser um atleta de comportamento desportivo exemplar. Isso sim é importante, mais do que saber se lhes corre nas veias o "sangue puro de Viriato".

O que me custa é ver na selecção um f.d.p. como o Bruno Alves, que há três épocas agrediu sem piedade o Nuno Gomes e agora é seu "companheiro de selecção"; como é que o Nuno tem estômago, como é que não cospe no gajp e se vem embora?

E o Jorge Ribeiro, que nojo?

E há uns anos o Fernando Couto, provocador incansável (ainda há dias cuspiu num adversário), que até chegou a "capitão" da selecção, que vergonha! E o Paulinho Santos! (assim de repente só me vêm à memória jogadores do FCP, mas juro que não é de propósito).

Isso sim é para mim vergonhoso.
NK disse…
Tipo: Presidente da Républica
massinha45 disse…
Falas de comportamento exemplar para chegar a selecção e defendes que o Pepe deve ir a selecção? Alguma contradição neste argumento. Eu tou com o Telmo neste assunto selecção para portugueses, jogadores que sintam a camisola senão corremos o risco de poder vir a jogar com onze estrangeiros. Até lá continuamos com a mesma tactica amorfa do Scolari, com o Pepe vindo de uma lesão a jogar de inicio o Deco sem jogar nada a titular o Ricardo a titular e se calhar o Jorge Ribeiro a defesa esquerdo, enfim é o que temos. Para quando uma mudança a começar pelo Madails, Scolaris, Murtosas, Ruis Caçadores e Companhias Lda., são sempre os mesmos??
pjff1 disse…
Também acho massinhas, vamos mudar os que nos têm levado aos melhores resultados, vamos lá pôr pessoal que sinta a camisola (adoro este conceito, já deve existir um "medidor de sentir a camisola" que eu desconheço), para voltarmos ao antigamente quando ninguém se chateava com a Selecção. Aliás, pouca gente lhe ligava, não íamos às fases finais, ninguém nos respeitava, isso é que é giro pá! Melhor, cada português vota antes de cada jogo internacional para um treinador e 22 jogadores, e esses é que vão aos jogos (mas só se passarem no medidor, senão entra um suplente).
Yur@n disse…
Atenção não metas o Rui Caçador no mesmo saco dos outros. Ele sempre fez um bom trabalho nas camadas jovens, e agora 'pegou' numa selecção que ia a pique e os resultados estão à vista.
Telmo disse…
Americano desde quando precisámos de estrangeiros para chegar às fases finais? Pela tua conversa parece que só chegámos à final do Euro porque o Deco tava lá, até parece antes do Deco a selecção~não fazia nada e ninguém ligava à selecção, até parece que em 1966 o país inteiro não vibrou com a selecção realmente ninguém ligava a isso e era uma vergonha para Portugal.

Realmente pela tua convera o amor à camisola pouco importa, o que importa é a selecção ganhar, até podem ser 11 brasileiros mas isso pouco importa, vamos lá ganhar por quaisquer meios, mesmo que esses meios não sejam nossos ;)
pjff1 disse…
Telmo, mete nessa tua cabecinha que o Pepe e o Deco perante a constituição portuguesa são PORTUGUESES, apenas não podendo ser Presidentes da República. Tudo o resto é xenofobia pura.
E não está em causa se precisa ou não deles, está em causa se DEVEM OU NÃO REPRESENTAR A SELECÇÃO. Se me disserem há jogadores melhores que o Pepe e o Deco , há seleccionadores melhores que o Scolari , isso são tudo questões futebolísticas, é outra discussão. Agora essa atitude xenófoba perante 2 jogadores portugueses é que não aceito.
Boa, tiveste dois 3º lugares em competições internacionais em 70 anos de história pré-scolari , e um 2º e um 4º em 4 anos de Scolari . Tiveste 3 fases finais em 60 e tal anos antes do Madaíl , tiveste 5 fases finais em 10 anos de Madaíl . Tiveste a melhor fase final de sempre dum Euro organizado em Portugal, em 1996 nem sonhavas com tal coisa. De facto, com esses argumentos lixaste-me bem.

Americano
Telmo disse…
Não confundas isto com xenofobia porque não tem absolutamente nada a ver, uma coisa é acolher os emigrantes e dar-lhes todos os direitos como qualquer português, e acho muito bem que assim seja, outra coisa completamente diferente é a selecção PORTUGUESA ser representada por jogadores naturalizados, a selecção não é um orgão público onde qualquer português pode trabalhar, a selecção é uma questão de orgulho nacional, porque raio vou ficar contente por ver a minha selecção ganhar com jogadores que nada sentem por ela?
Por acaso tu ou eu iriamos jogar com amor à pátria brasileira??? A selecção é uma questão de amor à pátria e orgulho nacional, esse amor e esse orgulho não podem ser representados por quem não os possui por razões naturais.

Quanto à história de não termos sucesso na selecção antes do Scolari tem piada, queres dizer que foi devido à naturalização de jogadores que começámos a ter sucesso? Ou foi devido a jogadores como Figo, Rui Costa ou Pauleta? Quer dizer que nós sem estrangeiros nunca fizemos nada? Scolari é treinador não é jogador, mas em termos de jogadores tem piada referires a questão de não termos sucesso sem estrangeiros....
massinha45 disse…
Ainda bem que temos o Scolari para perder um campeonato da Europa em casa com a Grécia. E para empatarmos contra os Lichsteins e Armenias. E para ter mau perder e envergonhar-nos a todos com aquela acto ridiculo e com o circo que montou para se defender.E para perdermos contra a França coisas que o Humberto até já tinha feito. E para convocar os Pepes porque até não temos mais defesas centrais Portugueses. O Pepe e o Bruno Alves a centrais os dois maiores carroceiros do ultimo campeonato. A sorte dele é que em termos de ataque tem quem resolva porque se for a espera da tactica dele tavamos bem servidos. Já agora pergunto-te no nosso Benfica desde que vencemos podemos jogar com onze estrangeiros?
Telmo disse…
"Já agora pergunto-te no nosso Benfica desde que vencemos podemos jogar com onze estrangeiros?"
massinha45

Como já expliquei, a diferença entre clubes e selecção, é que estas últimas representam o orgulho e a dignidade do respectivo país, o Benfica representa o país enquanto clube e não como selecção, a filosofia duma selecção é escolher os melhores jogadores de um país para medirem forças com outros países, a partir do momento das naturalizações essa luta perde o sentido.
Acho que quem aponta o exemplo de 66 para atacar Scolari está a ver o problema ao contrário.

O que se deve perguntar é COMO FOI POSSÍVEL que com Eusébio e aquela excepcional geração, que por exemplo levou o Benfica a 5 finais europeias nos anos 60, a nossa selecção só tenha conseguido ir a UMA SÓ FASE FINAL!!!!

O que é espantoso não é a carreira de 66, mas que essa carreira tenha sido excepção e não regra naqueles 10/12 anos.
Avô Maltine disse…
Selecção Nacional
O internacional luso-brasileiro Deco, do Barcelona, revelou hoje que foi a conversa com o seleccionador de Portugal, Luiz Felipe Scolari, o argumento final para que o levasse a aceitar integrar a Selecção Nacional em detrimento do Brasil.

http://www.abola.pt/nnh/index.asp?op=ver&noticia=130808&tema=7



ASF
«A Federação portuguesa já vinha há dois ou três anos a falar comigo e sempre fui falando que não. A seguir surgiu uma pressão do povo e até do presidente do FC Porto, isto porque eles têm um carinho especial por mim. Praticamente toda a minha vida no futebol foi lá e foi uma forma de retribuir um pouco. Quando Scolari assumiu o comando da Selecção ele entrou em contacto comigo e acabei por tomar a decisão», explicou Deco, em declarações à TV Globo.
Ricardo disse…
tma:

acho que o teu texto tem uma contradição de ideias, ou, pelo menos na minha visão, elas não podem ser misturadas. Passo a explicar:
o simples facto de quereres (com toda a justiça, visto que é a forma como sentes a selecção) que na equipa principal de Portugal só joguem jogadores com certos atributos (portugueses nascidos em Portugal ou portugueses que tenham feito a formação em Portugal, mesmo tendo nascido noutros países) é a tua opinião, e respeito-a, talvez até concordando em parte com o que defendes. Não acho é que possas, como o fizeste, vir dizer a seguir que, e passo a copiar, "No caso do Pepe é que não compreendo minimamente a sua convocatória: há jogadores portugueses bem melhores que ele para aquela posição (vide Manuel da Costa)"; não é pela questão do Manuel da Costa que, tal como disse o americano, não entra nessas contas que defendes; é pelo facto de o argumento que vem dizer que, primeiro, não queremos (não queres) jogadores na Selecção, que não sejam ou portugueses de origem ou portugueses com formação no país (mesmo que estrangeiros, de nascença), ou seja, defende um certo romantismo (com o qual, até, concordo) e depois, logo de seguida, vem falar na precisão da Selecção para determinados lugares. Ora... ou uma coisa ou outra. Ou não concordas e ponto final. Estás no teu direito. Ou então, se é por necessidade que se devem fazer entrar jogadores naturalizados, então esquece lá o lado da ideologia, porque ela já acabou.

Quanto a mim, escolher jogadores naturalizados por "precisarmos" deles para uma certa posição não me faz sentido nenhum. Ou assumimos que, a partir do momento em que um cidadão se torna português, pode ir à selecção e, portanto, damos vale eterno a quaisquer entradas nos próximos anos de portugueses naturalizados; ou, não querendo essa globalização e sentindo que a selecção se rege por princípios acima da simples questão de cidadania (e com isso, discordando do americano, não acho que se possa falar em xenofobia. A selecção pode querer ter a representá-la atletas com os quais se identifique mais, por um motivo ou outro. Chamar a isso xenofobia parece-me demagogia), não podemos depois vir defender a excepção, quando determinada posição em campo esteja em falha. Não acho que os argumentos sejam lógicos.

Abraço a todos
david disse…
Objectivamente a única coisa que se pode dizer sobre este assunto é que, tendo em conta que os regulamentos da FPF não incluem nenhum critério em relação a convocação de jogadores naturalizados, todo o jogador que seja cidadão português pode ser legitimamente convocado. Tudo o que passa daqui entra um pouco no campo da subjectividade. Mas também podemos abordar o assunto numa perspectiva ética. Na minha subjectiva opinião diria que como princípio ético deve haver muito cuidado na convocação de um atleta naturalizado. Acho que cada caso é um caso e que se deve dar primazia a quem fez um percurso de formação nas camadas jovens de clubes portugueses ou a quem seja português de nascença. Eu gostava muito de ter sido futebolista profissional mas a minha vida nunca se desenvolveu nesse sentido. No entanto, caso tivesse lá chegado, o meu sonho máximo seria representar a selecção e deixar todo o meu suor em campo sempre que defendesse as nossas cores. Para mim a selecção deve ser vista como um prémio para esses jovens que diaramente treinam à procura de um lugar ao sol. Falo de miúdos como o Cristiano Ronaldo que fazia horas extra de treino para ganhar caparro e treinar novas fintas e que quando perdem uma final de um Euro choram como uma criança perdida.

A selecção deve ser um prémio para os miúdos portugueses talentosos. Talvez esta seja uma visão muito romântica que não se pode conjugar com o negócio que é o futebol moderno. Mas é assim que eu penso. Prefiro ter na selecção um Tonel, Zé Castro, Ricardo Rocha e, daqui a uns anos, Miguel Vítor, etc. do que um Pepe. Mesmo que eventualmente o Pepe seja melhor central do que os outros (algo que é discutível). Depois é claro que isto se transforma numa discussão complicada quando abordamos casos como o do Manuel da Costa. A primeira vez que o vi jogar foi na selecção de esperanças e nem sabia ao certo a história dele. Por isso actualmente não me choca vê-lo na selecção, habituei-me a vê-lo nos sub-21 como português. O mesmo acontece com o Nélson, que desde os tempos do Boavista vi como jogador português. Aliás, não se pode comparar os casos de jogadores das ex-colónias africanas aos restantes, porque a ligação a Portugal é completamente diferente. Muitos têm dupla nacionalidade e muitos dos que são africanos de nascença e que se naturalizaram mais tarde, vieram para Portugal ainda novos.

Há coisas que me chocam no meio disto tudo. Acho que o procedimento do Scolari nesta história não foi o mais correcto. Em relação ao Deco, não consigo entender porque é que nunca o convocou para o Brasil e depois o pressionou para jogar por Portugal. Afinal se ele tem qualidade, porque é que nunca o convocou para o Brasil? E não me venham com a treta do número de jogadores brasileiros, porque actualmente qualquer jogador da selecção portuguesa tem categoria para, pelo menos, entrar nalgumas convocatórias do Brasil. Em relação ao Pepe, faz-me confusão que se convoque o jogador assim que a naturalização acontece. Parece que é tudo demasiado premeditado. Acho que a convocatória do Pepe só poderia passar a ser equacionada depois da naturalização e nunca antes. Aliás, acho mesmo que há aqui uma inversão da relação causa-efeito que devia ser normal: quando muito um jogador poderia ser convocado POR ser naturalizado. Mas o que parece ter acontecido nos casos do Deco e do Pepe é que se naturalizaram PARA ser convocados. E a mim parece-me muito pouco ético que a FPF aceite isto, tendo em conta a minha ideia de que a selecção deve servir para concretizar sonhos.

P.S. Deixem lá a xenofobia de lado, isto não tem nada a ver com xenofobia e falar disso é falacioso.
norte vermelho disse…
o meu cometario tem a ver com um post passado

agora que o veiga foi ou poderá ir para o leiria quero ver o que dizem os defensores da profissionalizaçao como se o benfica fosse uma empresa
espero é que ele porco como é nao comece a arranjar problemas com o benfica e a provocar o riso nacional viva a profissionalizaçao do benfica
que tristeza ainda por cima benfiquistas defendem ke para ter altos cargos no benfica nao é preciso ser benfiquista???ao que isto chegou o benfica precisa de recuperar a identidade e para isso só com gente que sente amor por o clube e faz dele a sua relegiao

e mesmo ke o veiga nao venha a publico arrmar problemas deve saber de muita coisa e conece pontos fracos e de instabilidade enfim espero ke ele seja homemzinho e se porte bem mas só estamos nesta situaçao por culpa propria banfica para os benfiquistas e nao para os interesseiros seja pela conjuntura pela proissao ou outra merda qualquer
Johnny Rook disse…
Pois, pois! Eu como sou anacrónico e defendo princípios e valores devo estar errado !

Jamais um estrangeiro (naturalizado ou não)devia vestir a camisola das quinas. Jamais! Princípio Geral e Único.
Porquê? Porque é preciso sentir Portugal como se sente o Benfica! Sem razão! Só emoção!

Americano,

Disseste tudo numa pequenina frase: "só não pode ser Presidente da República". Pois! Afinal os direitos de um naturalizado não são tão plenos, tão iguais assim! não é? É, é.

Um naturalizado (já que se impertigaram tanto a falar de direitos) adquire uma série de direitos inerentes aos portugueses de gema (leia-se: nascidos em PTG ou FILHOS DE PORTUGUESES - não é Manuel da Costa?) mas não adquire todos.

Logo se há excepções, porque é que o futebol não excepciona? Eu sei. Esquemas, negociatas.

Manuel da Costa é e sempre foi português de gema( de sangue) e de lei. Desde que nasceu! Pepe nunca foi tuga (ou por outra; é tuga). Ou o SER Português adquire-se em 6 anos a viver à grande e à francesa a dar chutos na bola em território português?

D. Afonso I sempre te disse para estares quieto e não bateres na tua mãe. Para quê?
Oh Luis Vaz, porque não cantas as epopeias dos brasileiros? Devias reescrever os Lusiadas! Chamavas-lhe As Banaliades. Por mares nunca dantes navegados? Tás maluco? Por mares onde todos navegam a bordo das hipocrisias do Sec XXI!

- Menino Carlinhos : Diga lá quem descobriu o Brasil?
- Não fui eu Srª Profª. Não fui eu!
- Pois não, não foi. Foi um brasileiro chamado Pepe que afinal veio-se a descobrir 500 anos depois ser português!!
- Hã? Como a estória da fundação do FCP?
- Sim. Também foi o Toppo Giggio que descobriu isso. Grande português o Rui Guedes!


Odeio o politicamente correcto!
Johnny Rook disse…
Pura informação:

Art.122º da CRP - Da elegibilidade (do PR)

"São elegíveis os cidadãos eleitores, portugueses de origem, maiores de 35 anos. "

Portugueses de origem? Quem? o Pepe?

CRP fascista, xenófoba, estalinista, leninista, fundamentalista, nazista, comunista, socialista, retrógada, anti-brasileira, anticonstitucional, estúpida, anti- Scolari, anti- peace and love, pró D. Afonso Henriques e seu escudeiro Luiz Vaz de Camões ( não. Isso era o nosso vizinho é que tinha um escudeiro). Já não sei História de PTG! Também! Para quê?
Algarviu disse…
Que puta de discussão!
Os visados têm cidadania portuguesa ou não a têm?
Foi-lhes dada pelo Governo da República ou foi comprada ou forjada ou obtida por meios ilícitos?
Quer se goste ou não têm os direitos inerentes.
A não ser que o Johnny RooK (que nick tão português...), fazça votar uma adenda à Constituição: "naturalizados não podem ser presidentes da República nem jogadores d a selecção de futebol."
pjff1 disse…
Johnny, estás a divagar, desde o início foi reconhecido que não podem ser Presidentes da República, não vejo nenhum mal nisso. Agora proibir um cidadão de jogar na selecção nacional de futebol, quando esse mesmo cidadão pode ser Primeiro Ministro, parece-me ridículo. Ok, não podes fazer parte duma equipa de futebol, mas podes "mandar" no país! Muito lógico, de facto.
E admitindo a tua teoria, e não duvidando da tua coerência, então já te devias ter indignado com as presenças de Nani, Nélson, e Makukula, acho que nenhum deles preenche os requisitos que mencionaste. tal como a nossa selecção de futsal, de basket, a de andebol em tempos, a de rugby, os nossos medalhados olímpicos, etc.

Americano
madne0 disse…
A minha opinião é que um jogador naturalizado só deve ser chamado à selecção se:
1-For um jogador de classe mundial
e,
2-Jogar numa posição que faz falta à selecção.

Ora, o Deco preenche perfeitamente estes dois requisitos! O Pepe? Nem pensar. Não só não passa de um bom defesa central, como joga numa posição (defesa central) em que a selecção está bem servida agora e para os próximos 5-10 anos. Para quê chamar um jogador nestas condições? Será que somos como a Espanha, que à falta temporária de um jogador para determinada posição chama às "três pancadas" um estrangeiro (Marcos Senna) para depois o praticamente esquecer? Assim não.
Edson Arantes do Nascimento disse…
Ao contrário do que alguns gostam de debitar, parece-me que a maioria dos portugueses são xenófobos.

E isso reflecte-se na maioria dos comentários, Americano à parte (revejo-me em todos os comentários dele).

Este assunto resume-se a 'direitos e deveres' enquanto cidadão português.

O Deco é tão português quanto o Manuel Fernandes (segundo a antiga Lei da Nacionalidade, a actual já tem algumas premissas diferentes).

Mais: ao contrário do que se disse, o Deco não é português 'à força', ele cumpria todos os requisitos legais para ser português e concluiu o processo sem 'ajudas' (atenção, isto é diferente de 'jogar na selecção', porque ele podia ter documentos portugueses e jogar pela canarinha, já que também é brasileiro; a questão é formal, porque para ele jogar com as quinas tem de querer, tem de ser convocado e depois tem de jogar).

Já o Manuel Fernandes, QUE SEMPRE VIVEU EM PORTUGAL E NUNCA FOI A CABO-VERDE, SEQUER, teve de ser naturalizado 'À FORÇA' para jogar no Mundial de sub-17 disputado na Finlândia - isto apesar de cumprir os requisitos, só que quando o pedido foi feito já não havia tempo para tirar os papéis. Mas o Madaíl deu uma forcinha e despachou o caso.

Já o Obikwelu nem se fala - esse nem podia ser português mas como é sinónimo de medalhas passou logo a poder ser. Eu acho bem (apesar da Lei ter sido atirada para o lixo).

É incrível que não refiram os treinadores - então não se pode jogar com 'naturalizados', mas já se pode ter uma equipa técnica completamente formada por chineses! É um espanto.

Para mim, aqueles que defendem uma selecção só com portugueses 'puro-sangue' (um conceito perfeitamente nazi), são quase bi-polares e são incongruentes porque se é para levar à letra, então ninguém, desde os dirigentes, aos roupeiros e aos jogadores, ninguém pode ser 'naturalizado'.

Coerência oblige.

Para finalizar: então não sabem que esta questão já foi regulamentada pela FIFA na década de 60?

É que conhecer a história do futebol também é importante para depois opinar.

Altafini, conhecem? Foi internacional 'AA' pelo Brasil e pela Itália.

Luis Suarez, conhecem? Foi internacional 'AA' pela Espanha e pela Itália.

E há mais, especialmente argentinos e uruguaios, porque era permitido e depois deixou de ser.