Magro

No regresso após a novela egotista da prima donna que manda há vários anos na equipa da FPF (e se calhar na própria FPF) que manteve todo o país e o mundo em suspenso sobre o futuro do 'melhor jogador do mundo', o Benfica recebeu e venceu com toda a autoridade o Vitória, ainda que o resultado tenha sido magro para aquilo que o Benfica dominou. A primeira nota logo para começar vai para a nomeação do inefável lagarto de Borba para arbitrar este jogo. Do Benfica nada se ouviu sobre isto, quando eu acho que este árbitro não deveria poder mais, para o resto da carreia dele, vi ao nosso estádio sem que o Benfica fizesse um escarcéu. Aliás, deveríamos aproveitar toda e qualquer oportunidade para continuar, e durante muitos anos, a lembrar aquela final da Taça de Portugal em que este árbitro, em conivência com o VAR, tudo fez para oferecer o troféu ao clube do coração. 

Passando ao futebol, apresentámos um onze bastante ofensivo mas sem surpresas, com um meio campo a dois em que o Barreiro foi o escolhido à frente do Aursnes para fazer a dupla com o Palhinha, e na defesa o Circati ocupou o lugar o Lenglet, a cumprir o justo castigo pela bárbara agressão ao André Silva na última jornada - não tenho lido notícias sobre o estado de saúde dele, mas espero que já tenha recuperado da concussão - mas ficando sobre a direita, com o Tomás Araújo a mudar-se para a esquerda. A primeira parte foi quase uma avalanche ofensiva do Benfica desde o apito inicial, que depressa se transformou também num festival de desperdício. Nada a que não estejamos já habituadíssimos. Quando logo ainda na fase inicial vi o Schjelderup a desperdiçar um golo cantado, e na recarga o Rafa a atirar à barra com a baliza aberta, achei logo que estava dado o mote. O Vitória limitava-se a resistir, quase não conseguindo chegar à frente, e recorrendo sempre que possível à falta para interromper as jogadas, com o lagarto de Borba a mostrar grande relutância para recorrer aos cartões, conseguindo desde logo irritar o público. Como tem sido habitual, foi sobretudo pelo lado esquerdo que carregámos mais, com a dupla Prestianni/Schelderup a mostrar o serviço habitual e desta vez contando com bastante apoio de um Dahl mais ofensivo do que é costume. Pela direita, o Rafa teve um jogo mais apagado - chegou a ser frustrante contar as vezes em que ele foi desmarcado pela direita e não conseguiu dar seguimento às jogadas por conseguir cruzar sempre a bola directamente para os pés de um defesa. O caudal ofensivo acabou por dar frutos aos vinte e quatro minutos, obviamente pela esquerda, mas numa jogada em que na fase final o Dahl tabelou de forma perfeita com o Pavlidis e depois finalizou já de ângulo apertado com classe, picando a bola sobre o guarda-redes. Tive esperança que, conseguido o primeiro golo, as coisas ficassem mais fáceis, mas não conseguimos fazer um segundo antes do intervalo, e na fase final da primeira parte até me pareceu que tirámos o pé do acelerador e permitimos ao Vitória ter mais bola.

A tendência não se alterou muito na segunda parte. Até começámos bem com uma boa jogada em que o Pavlidis poderia ter marcado, mas fomos bastante menos agressivos na procura quer da bola, quer da baliza adversária do que tínhamos sido na primeira. O jogo nunca deixou de estar perfeitamente controlado e o Vitória, apesar de ter tido muito mais posse de bola do que tinha tido na primeira parte, não conseguiu criar uma única situação em que parecesse ameaçar seriamente chegar ao empate, mas deixar o resultado arrastar-se até perto do final com apenas um golo de vantagem é estar a pedir sarilhos (sobretudo com o referido artista de Borba em campo). As primeiras trocas efectuadas (Schjelderup e Barreiro por Echeverri e Aursnes, ao fim de quinze minutos) não surtiram grande efeito, mas cerca de dez minutos depois trocámos o Rafa (que para mim esteve mesmo demasiado tempo em campo, porque fez um jogo claramente desinspirado) e o Bah pelo Lukebakio e o Sudakov, e aí o Benfica voltou a mandar claramente no jogo. Claro que ajudou muito que quase imediatamente a seguir tenhamos chegado ao segundo golo. O Prestianni investiu pela esquerda, deixou a bola no Echeverri à entrada da área e este tocou para o lado, para o remate com sucesso do Sudakov. Depois de tantas oportunidades e minutos que lhe foram dados sem grande sucesso, acabou por marcar ao fim de dois minutos depois de ter saltado do banco. Mesmo sobre os noventa minutos, um pequeno susto com a situação mais perigosa do Vitória, um cruzamento tenso que não foi desviado por ninguém e acabou por levar a bola ao poste, com o Samuel Soares batido.

O Prestianni, mesmo sem qualquer golo ou assistência, foi para mim o melhor mais uma vez. É quase sempre ele a acelerar, a desequilibrar, e a ser o jogador em quem queremos ver a bola. Foi bem acompanhado pelo Dahl, muito mais solto do que o habitual, recompensado com um bonito golo. O Pavlidis também esteve bem, mas podia e devia ter acabado o jogo com pelo menos um golo.

 

Cumprimos a obrigação e jogámos mais uma vez bom futebol durante uma boa parte do jogo. Acho que o Marco Silva já conseguiu fazer muito trabalho e colocar-nos a jogar de forma sólida como equipa, com uma identidade bem definida. Se isto dará frutos no final da época logo se verá, já deu para perceber que pouco ou nada mudou no futebol português.

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