Quinze
Para fechar a época, quinze minutos à Benfica foram suficientes para deixar o jogo contra o Estoril resolvido, com três golos nesse período a deixarem poucas dúvidas de quem seria o vencedor. A questão do segundo lugar já nem se colocava: a golpada já tinha sido dada, e só mesmo para garantir que não havia nenhuma surpresa ainda nomearam o ladrão de taças de Borba para poder ir festejar o segundo lugar junto dos seus.

Foi uma entrada a todo o vapor no jogo, com um onze onde a principal novidade terá sido abdicarmos do terceiro médio (com o Ríos disponível, o sacrificado foi o Barreiro) para que jogasse o Rafa. Outras mudanças foram o Bah e o Tomás Araújo na defesa, e o regresso do Pavlidis ao ataque. A dinâmica do Benfica foi muito assente numa pressão ofensiva bastante eficaz e quase sufocante, e como sempre com os extremos Schjelderup e Prestianni em destaque, bem acompanhados por um Ríos que aparecia um pouco por todo o lado. O primeiro golo surgiu aos sete minutos, com o inevitável Schjelderup a receber a bola na esquerda de uma boa variação de flanco do Prestianni e a fazer a assistência para o Ríos aparecer solto ao segundo poste para empurrar. Sem sinais de abrandamento, fizemos mais dois golos no espaço de pouco mais de um minuto - aos catorze e aos dezasseis. Primeiro, um canto marcado pelo Prestianni na esquerda, desvio de cabeça do Tomás Araújo na zona do primeiro poste e o Bah a aparecer solto ao segundo para marcar. A seguir, recuperação de bola em zona subida pelo Bah, bola nos pés do Prestianni e este colocou-a no Rafa, que no centro da área rematou rasteiro para o seu centésimo golo com a camisola do Benfica. Jogo resolvido rapidamente e restava ao Benfica gerir o resto do jogo com relativa tranquilidade. No fundo, aquilo que deveria ter acontecido em Famalicão, mas que não deixaram que acontecesse. Para não variar, e apesar da tranquilidade que o resultado garantia, mesmo assim não encontrámos a calma suficiente em frente à baliza para construir o resultado que a produção ofensiva merecia. Muito mérito do guarda-redes adversário, é certo, que com algumas defesas incríveis nos foi sempre negando o quarto golo, mas a quantidade de ocasiões flagrantes que construímos justificava um resultado muito mais dilatado. Na segunda parte demo-nos ao luxo de afrouxar a pressão e permitir ao Estoril ter mais bola e acercar-se mais da nossa baliza, o que acabou inevitavelmente por resultar num golo sofrido já a fechar o jogo. O jogo fica marcado também pelo final de carreira do Pizzi, um jogador que foi atrozmente injustiçado por nós adeptos ao não o elegermos para o mural dos campeões da nova Luz. Foi uma peça fundamental na conquista do tetra, e constam naquela lista jogadores que foram muito menos relevantes na história recente do Benfica. Já se confirmou também ter sido o último jogo do Otamendi no Benfica. Serviu o clube com dedicação, ninguém o pode acusar de nunca ter dado tudo, mas acho que já se justificava este fim de ciclo.

Destaco o Prestianni neste jogo. Esteve nas jogadas dos três golos e deu sempre uma dinâmica muito forte ao nosso ataque - para além daquilo que faz com a bola nos pés, é sempre um dos mais activos na pressão alta quando perdemos a bola. Pena que tenha visto o guarda-redes negar-lhe aquilo que teria sido um golo fantástico, depois de ter passado sozinho pela defesa toda do Estoril para se isolar. Ele e o Schjelderup são neste momento aquilo que de melhor a nossa equipa tem, veremos se conseguiremos aguentá-los ambos para a próxima época, ou se abriremos logo a mão assim que chegar uma proposta por qualquer um deles. Bom jogo também do Ríos, que como já referi anteriormente está a fazer um final de época bastante positivo. Também ele falhou aquilo que seria um grande golo, depois de ter recuperado a bola em zona alta, porque em frente ao guarda-redes tentou uma finalização artística e assim deu tempo a um defesa para ir tirar a bola quase em cima da linha. No ponto oposto continua o Pavlidis, que por mais que se esforce parece não conseguir fazer nada bem. Atravessa um período de forma pavoroso, e se vai continuar na próxima época é urgente que recupere a confiança, porque o Benfica não pode ter um avançado nestas condições.

Agora a minha opinião pessoal sobre a questão do treinador: para mim o Mourinho continuaria. Se calhar não jogamos futebol espectáculo a maior parte das vezes, mas é o treinador de que este Benfica precisa para tentar colocar alguma ordem na nossa casa. Sei que nem toda a gente concorda comigo e talvez seja defeito meu, que detesto mudanças constantes, mas não me agrada de todo a perspectiva de mais uma vez trocar de treinador, mais uma vez termos um 'ano zero', mais uma vez gastarmos uns 100 milhões para fazer isso. O Mourinho é uma espécie de três em um, conseguindo ser treinador, director de comunicação para o futebol e director desportivo. O facto dele não se calar sobre a vergonha que é a atitude das arbitragens em Portugal em relação ao Benfica - algo que o próprio clube deveria fazer incessantemente - não deve ser ignorado, porque a voz dele soa muito alto e é quase impossível de ignorar. Se Mourinho não continuar, a culpa será exclusivamente da direcção do Benfica. Há mais de dois meses que ele manifestou o desejo de renovar contrato, e a resposta que teve foi um incompreensível silêncio até há duas semanas atrás. Como se a continuidade ou não de um treinador como ele estivesse dependente de um resultado no Alvalixo. Não existe um plano minimamente a médio/longo prazo no nosso clube? Em Março não se sabe já o que se pretende para a próxima época? Ficou-se à espera, entretanto meteu-se o Real Madrid ao barulho. Não o censurarei se escolher regressar a Espanha. Corremos portanto o risco de achar que um treinador que serve ao Real Madrid não serve para nós. E de, pela segunda vez, cometer um erro histórico. O terceiro lugar é um péssimo desfecho para esta época, ninguém o nega. Mas eu vejo evolução, que eu gostaria que fosse transportada para a próxima época em vez de ter que ver tudo começar de novo outra vez.
Comentários
Balanço da época: um miserável terceiro lugar, pela primeira desde Quique Flores (!) não vamos sequer disputar o acesso à Champions, não fomos à final nem da Taça nem da Taça da Liga, não fomos aos 8os da Champions como em épocas anteriores, e o futebol jogado está longe de ser agradável.
Vamos então deste panorama desolador tirar a conclusão que o treinador deve continuar, e melhor ainda, que como ele exige deve ter o contrato prolongado para além de 2027?
Mourinho é de certeza um grande comunicador, como diz repetidamente quem não consegue elogiar o que ele fez em termos futebolísticos no Benfica desde que chegou. E sem dúvida que o é. Só que essa capacidade de comunicação tão gabada é eficaz sobretudo em relação a uma parte dos adeptos, que ficam jogo após jogo embevecidos a ouvir o discurso de quem sacode a água do capote e esquecem o que se passa dentro do campo.
Se o Benfica vier a ter a possibilidade de receber 7 milhões pela saída de um treinador que se tem destacado nos últimos anos pelo que recebe em indemnizações, na minha opinião devia aproveitá-la. Esse dinheiro vai ser mais que suficiente para contratar um director de comunicação que não seja especialista apenas em encontrar responsáveis para os seus próprios fracassos.
Eu concluo que devemos ser mesmo a elite das elites das elites. Porque aparentemente, um treinador que é desejado e serve para o Real Madrid não presta para o Benfica. Está acabado e ultrapassado. Não interessa que não tenha sido ele a planear e a preparar a época, se numa época incompleta falhou então não presta. Não há problema, vem outro, começamos outra vez do zero, gastamos outra vez umas boas dezenas de milhões, e lá para Dezembro já se concluiu mais uma vez que quem veio não serve para o Benfica e venha o próximo. Depois isso vai estender-se às direcções, e enquanto continuarmos neste carrossel, sem qualquer tipo de estratégia a médio prazo (já nem digo longo), os inimigos vão esfregando as mãos de satisfação e roubando a seu bel-prazer.
Apesar de tudo devemos reconhecer que se não fossem as arbitragens, que nos prejudicaram, mas que beneficiaram os outros, principalmente o Sporting, o Benfica teria ficado à vontade em 2.º lugar.
Outra coisa muito curiosa é a de ter sido o Benfica a única equipa invencível nos campeonatos disputados na Europa, pelo menos nos melhores campeonatos.
Totalmente de acordo com as referências ao Pizzi, que tanto nos deu e tão injustiçado foi.
Relativamente a Mourinho, reconheço que com ele houve finalmente alguém no Benfica a pôr a boca no trombone. Não se sabe ainda se ele sai ou fica, se ele sair gostaria que o clube contratasse o Marco Silva, mas Rui Costa já disse que não falou com ele e o próprio também já disse que vai falar com os responsáveis do Fulham, para decidir se sai ou fica.
Dos treinadores a treinar em Portugal é de Vasco Seabra de quem gosto mais.
Quanto à questão da continuidade, recomeçar do zero, etc., parece-me que se está a evitar o problema levantado pelo próprio treinador: Mourinho tem contrato até 2027 e não foi despedido. Por isso, e como disse bem Rui Costa, este era e é um não-problema.
O problema é Mourinho ter pedido a renovação para além de 2027, com encargos para o clube de 42 milhões se euros.
Eu pergunto: é normal considerar que um treinador que fracassou em toda a linha, além de não ser despedido, seja PREMIADO, tendo o contrato prolongado até às calendas gregas? Com essa lógica tínhamos ficado com o Quique Flores muitos anos, em nome da continuidade. Também era bom comunicador tanto quanto me recordo.
Já ouvi este argumento da continuidade invocado, bem ou mal, quando um treinador é despedido. Que seja invocado para pedir que o contrato de quem falhou seja prolongado até ao fim da época, só demonstra até que ponto a comunicação do Mourinho é eficaz para convencer muita gente.
O Schmidt chegou e foi campeão na primeira época. O Rui Vitória e o Jesus chegaram e foram campeões na primeira época. O Lage chegou a meio da época e foi campeão na seguinte. O Borges chegpu a meio da época e foi campeão. O Farioli chegou e foi campeão na primeira época. O Amorim chegou no fim de uma época e foi campeão na seguinte.
Claramente, a estabilidade não é o factor decisivo.
Ando chateado desde o início da Época
Eleições foram o que sempre foram …mas foi muito tempo e isso não foi Bom
Comunicação doBenfica foi muito fraquinha e em alguns momentos errónea
Presidente parece que anda com Bússola avariada
E um menino foi comido de cebolada várias vezes pelos colegas pelos árbitros
Aquela malta que o acompanha não acerta o Passo
Federação e o Proença Goza com isto é GOZOU com o Benfica
O Tipo dos Árbitros é um Artista,prejudicou o GLORIOSO desde a final da taça do ano passado e o Benfica CALADO
Teixeira da Liga ,anda aos papéis com a centralização
Perderam o respeito ,não fomos respeitados
Mourinho acertou o Benfica mas esteve mal em alguma situações técnicas
Já o escrevi aqui que o REAL é o Objetivo o resto são teatrinhos
Mouriscos e JM a pensar na massa
Quem vier tem que vir por 3 anos e com um contrato Inteligente por objetivos ….tem que se mudar tudo outra vez e ser pacientes
Pode ser que sejamos logo Campeões…
Para mim que faço 50 anos de sócio seria como escalar o Evereste
Relembro o Presidente Vieira quando acertou o Jesus e o Estádio queria que fosse Despedido….
Relembro o Campeonato com o Trapattoni
Vejo muitos interesses volta do Clube,MUITOS
Será que andam enganar o Presidente ,Acorda RC,quem te espeta a faca está comprado,onde está o Presidente que derreteu Oposição
Onde!!!!!
Nao apoiei o Manteigas,mas reconheço que está a fazer o seu caminho
Oposição construtiva e assertiva e necessária
Agora uma palavra para o;
Darcy não se esqueça que em Junho SAPO Blogs termina e precisamos de gente construtiva e aberta para defender o Benfica
Não deixe isto Terminar…..
Pense nisto pois o que faz é muito importante para Todos
Obrigado
Viva o Benfica
Boa análise ao nosso jogo no Estoril, e estou de acordo com os teus destaques individuais. Se fizerem um bom Campeonato do Mundo, o mais provável é que fiquemos sem o Prestianni e o Schjelderup. Acho que a saída do Otamendi era inevitável, e será necessário contratar um excelente central, mesmo partindo do princípio que o Tomás e o António Silva ficam (o que não é líquido).
Quanto ao Mourinho: não sendo um treinador que me encha as medidas, gostava que tivesse permanecido pelos aspectos positivos que trouxe, mas parece-me que a sua saída é um facto consumado. Não percebo bem os que o acusam de ser um treinador resultadista - são os mesmos que criticavam o Lage ou o Schmidt por jogarem mais ao ataque, ou desancavam no Trapattoni por também ser resultadista. Ao Rui Vitória também o chamaram de tudo, e no entanto conquistou o tri e o tetra, e só não conquistou o penta porque o LFV vendeu tudo o que mexia e porque uma bancada no campo do Estoril quase ruiu - o que se resolveu rapidamente com um pagamento de milhares de euros pelo meio e um jogo repetido dezenas de dias depois, ao arrepio dos regulamentos existentes.
Agora aponta-se Borges, Amorim e Farioli como bons exemplos. Nada disso me espanta, pois também já se apontou como bom exemplo o boi do Jamor, que como se sabe fez uma notável campanha no Milan e agora está, segundo sei, na Arábia. Quando falta o apoio dos árbitros e do sistema é tramado, não é? Ao Amorim elogiava-se-lhe muito o desempenho nas conferências da imprensa - era um excelente comunicador, diziam. Já o Mourinho é escarnecido por ser bom comunicador. Do Amorim, o mais relevante que lembro dele é ter andado aos pontapés aos separadores de bancadas no estádio do Braga, juntamente com um indivíduo chamado Viana. Sem qualquer crítica ou reparo dos seus bajuladores, claro. O que não teria sido se fosse um treinador do Benfica... Também me lembro das dezenas e dezenas de jogos em que teve um VAR ou um árbitro amigos para assinalarem um penálti desbloqueador ou um fora-de-jogo descortinado num golo decisivo dos adversários. Contra o Benfica, numa eliminatória da Taça de Portugal, passou à final depois de arbitragens miseráveis que nos roubaram no Alvalixo e na Luz (cortesia de quem? Pinheiro e Verdíssimo, pois claro). No entanto, sou o primeiro a reconhecer que fez uma carreira fulgurante no Manchester United. Não teve a 'estabilidade' de que falam alguns. Ou teve-a? Sem o respaldo do sistema e dos árbitros é tramado, não é? Quanto ao Borges, a sua edificante carreira fala por si: roubou um campeonato ao Benfica após arbitragens vergonhosas que culminaram, na ponta final, em mais um assalto nos Açores, enquanto na Luz o árbitro de serviço assinalava um penálti contra o Benfica por rasteira com a cabeça do Otamendi. Será necessário falar-se da Taça de Portugal para se completar o elogio a este treinador verdadeiramente predestinado que não precisa de 'estabilidade'? Ou poderemos falar também daquilo que o pôs no segundo lugar nesta temporada? E o Farioli, outro grande exemplo de treinador que não precisa de 'estabilidade'? Vamos falar de toda a campanha do Calor da Noite nesta temporada, jogo após jogo e arbitragem após arbitragem, ou podemos falar apenas dos jogos contra o Arouca e o Santa Clara?
Esse era o ponto, que não me parecia assim tão difícil de compreender.
Pensava ter sido claro, mas como (não) se costuma dizer, para mau entendedor duas palavras não bastam.
O Benfica é único em Portugal em termos da sua dimensão, o que faz com que qualquer insucesso tenha repercussões enormes, mas a tendência que temos para que assim que alguma coisa corre mal querermos imediatamente correr com toda a gente (não é só treinadores, nós fazemos tudo em grande e vai a direcção também - se não formos campeões, toca de pedir eleições antecipadas) e recomeçar do zero é uma coisa que me retira muita confiança. É uma espécie de estarmos sempre a jogar à roleta, pode ser que da próxima vez corra bem.
O dito Alheiras foi contratado pelo Sporting no final de Dezembro (26), substituindo o absurdo João Pereira que tinha substituído o Amorim no início se Novembro. O JP tinha perdido toda a vantagem que tinha adquirido o Amorim e o Sporting estava em igualdade pontual com o Benfica. Parece-me difícil argumentar que depois de todo este carrossel tenha sido graças à estabilidade que este campeonato tenha sido ganho.
O Amorim em 2020 NÃO entrou a meio da época, já que a primeira volta do campeonato acaba em Janeiro. Entrou em Março, com a época a acabar, e logo a seguir foi a interrupção do Covid.. Para mim, é mais um exemplo que não é a tal estabilidade que é o factor decisivo.
Compreendo e respeito os seus argumentos, só que os factos contam uma história diferente. Jesus, Vitória, Lage, Schmidt, Alheiras, Farioli e até Amorim se descontarmos a meia dúzia de jogos que fez no Sporting na época 19-20, TODOS campeões à primeira. Repito, são factos, e recentes, embora as nossas opiniões sobre o tema possam naturalmente ser diferentes, e aliás é salutar que as discutamos.
Quando disse que o Amorim entrou a meio da época não significa necessariamente que tenha sido exactamente no final da primeira volta, quer dizer que foi com a época a decorrer. Fez 11 jogos dos 17 da segunda volta. Conforme disse, foi contratado para assegurar o segundo lugar, acabou em quarto. Pelos critérios actuais do Benfica, teria sido imediatamente corrido.
É sempre possível arranjar exemplos para suportar a opinião que queremos, para um lado ou para o outro. Para mim, repito, andar constantemente a mudar é jogar à roleta. Umas vezes ganha-se, outras perde-se. E eu não gosto de jogos de azar. No Benfica então parece só haver uma opção: ou ganha à primeira, ou o destino está traçado.
Lage beneficiou dos dois anos de estabilidade e continuidade de Rui Vitória - que por sua vez (sem com isto lhe tirar o enorme mérito que teve na conquista do tri e do tetra, embora já tenha visto aqui algumas almas pequenas que a ele se referem em termos calhordas) beneficiou dos anos de estabilidade e continuidade que foram dados ao Jesus. Jesus (que pôde escolher logo no início da época os jogadores que queria e recebeu Aimar, Javi, Saviola e Ramires) ganhou o primeiro título na última jornada, é bom que se lembre, num jogo sofrido na Luz contra o Rio Ave - num campeonato atípico em que teve o Braga por principal opositor - e beneficiou depois do facto de não lhe terem quebrado a continuidade e estabilidade do trabalho, mesmo quando perdeu (e perdeu tudo dois anos seguidos) para poder continuar a ganhar. Schmdit foi a excepção (e mesmo assim todos nos lembramos do que foi o sufoco das últimas jornadas), e as excepções só são regras nos raciocínios mais simplistas e divertidos. O que houve de comum na conquista do título, por estes treinadores, na primeira época? A estabilidade vinda dos anos transactos. O Mourinho herdou a instabilidade da época do Lage.
Quanto aos outros exemplos referidos, os tais 'nem bons nem maus' (antes assim-assim, digo eu), e que foram campeões logo que começaram, são 'óbviamente' risíveis e teria sido melhor que quem os referiu o não tivesse feito, pois perdeu uma excelente ocasião para ficar calado. Foi mais uma minhoca a saltar de outra cavadela. Era apenas isto que se queria dizer. Será assim tão difícil de compreender? Para as almas pequenas, que por desgraça se crêem luminárias e revelam naturais dificuldades de compreensão do 'óbviamente óbvio', é. Mas dá-se-lhes uma ajuda com todo o gosto.
Está tudo esclarecido. Depois desta sensacional demonstração, baseada num palavreado um tanto desconexo mas produzido em quantidade abundante e com um esforço louvável, acho que podemos encerrar a discussão. E atenção, longe de mim criticar quem escreve este género de coisas. Como diz o polvo, quem dá o que pode a mais não é obrigado.
Infelizmente, não temos enquanto clube a mentalidade certa. Nunca teremos um Simeone, ou um Guardiola, ou um Arteta. Porque estes treinadores nunca aguentariam mais de dois anos no Benfica. E com um presidente que vai com a maré é complicado.
Abraço benfiquista.
Fico muito sensibilizado, mas de modo algum sou merecedor desse elogio. O seu a seu dono: nenhum momento zen poderá igualar aqueles deliciosos e canhestros (perdão, prolíficos) nacos de prosa em que um misto de Zandinga da internet com pretensões a educador de futebol expunha as suas profecias para o futuro do Benfica. Momentos inesquecíveis, verdadeiramente reveladores, em que, na sua prosa atabalhoada (perdão, elaborada), reflexo de uma mente pedante (perdão, brilhante), essa personagem - que é, digamos, uma espécie de Pacheco transposto para o futebol - tinha várias e fantásticas epifanias simultaneamente. Ah, que momentos tão divertidos! Eu ficava comovido perante tanta sapiência e clareza, mas também profundamente feliz porque a personagem tinha enfim o que ambicionava: palco. De modo que as 'condições sine qua non' e todo o paleio adjacente tinham, e têm, apenas um objectivo: apoucar, destratar e insultar treinadores e atletas do Benfica. E outra coisa a personagem não tem feito, seja com Lage ou Mourinho, ou com outro qualquer. É para mim um mistério entender por que razão o pasquim por excelência, e os outros pasquins que o emulam, se dão ao trabalho de atingir o Benfica: o trabalho sujo e o jogo baixo são realizados semanalmente por esta criatura, esta espécie de Pacheco. Um trabalho que deixa qualquer Saraiva verde de inveja. Mas atenção que não critico a personagem: constato apenas as suas limitações e desejo-lhe as melhoras. 'Óbviamente'.