Melhor

Num dos jogos mais importantes da época o Benfica respondeu à altura e mostrou ser melhor do que o adversário, venceu, qualificou-se para a Champions League e continua sem sofrer golos em jogos oficiais esta época.


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Foi sem grande surpresa que vimos o Benfica regressar à fórmula que tinha apresentado em Istambul. A diferença foi que, com o Florentino suspenso, jogou o Barreiro como terceiro médio. A opção táctica revelou-se acertada para neutralizar completamente o Fenerbahçe na primeira mão, e nesta segunda fez mais do que isso e permitiu-nos uma manifesta superioridade em campo, expressa desde o apito inicial. A nossa equipa foi sempre muito agressiva na pressão alta, e conseguiu sair rapidamente sempre que a bola era recuperada. O Barreiro acabou por ser um dos destaques, pelas melhores e pelas piores razões. Logo ao terceiro minuto, desperdiçou de uma forma incrível uma ocasião quase impossível de falhar, conseguindo acertar no guarda-redes quando apareceu sozinho praticamente na pequena área, depois do Aursnes e o Pavlidis terem construído a jogada para lhe oferecer o golo. Estivemos sempre em cima do adversário e chegámos ao golo logo aos onze minutos, que após revisão do VAR acabou anulado por posição irregular do Barreiro. Pode-se até aceitar esta decisão, mas o segundo golo anulado ao Benfica, aos vinte e seis, já é mais difícil. Depois de um livre marcado sobre a esquerda, o Barreiro surgiu do lado oposto a cabecear cruzado para o golo, sendo este anulado por suposta falta sobre um defesa adversário. Não vi falta nenhuma, apenas um defesa a atirar-se para o chão. Mas a equipa soube resistir aos dois golos anulados (mais ao golo feito falhado) e colocou-se mesmo finalmente em vantagem aos trinta e cinco minutos (pouco depois de mais um falhanço enorme do Pavlidis). Foi uma jogada de insistência em que por mais do que uma vez parecia que os turcos iriam conseguir ficar com a bola, mas ela continuou a ser recuperada até que o Barreiro encontrou o Aktürkoglu solto sobre a esquerda, que finalizou com um remate imparável de primeira. Não deixa de ser irónico que tenha sido precisamente ele, que esteve com um pé no Fenerbahçe, a resolver a eliminatória. Até ao intervalo, ainda tivemos oportunidades para ampliar o resultado mas numa delas o Barreiro, com tempo e espaço na área, preferiu tentar passar a bola em vez de rematar, e na outra o mesmo Barreiro não conseguiu desviar a bola com sucesso mesmo à boca da baliza, atirando-a para fora.


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A segunda parte foi menos fulgurante da nossa parte. Nunca perdemos o controlo do jogo, mas acho que ficámos excessivamente confortáveis com o resultado demasiado cedo, e fomos progressivamente desaparecendo do ataque. Isto permitiu ao Fenerbahçe ir ganhando confiança e passar a ter mais bola, com mais aproximações à nossa baliza - mesmo assim, o Trubin não fez uma defesa durante todo o jogo. Achei que o nosso banco foi demasiado lento a reagir a este crescimento do Fenerbahçe e só quando a quinze minutos do final refrescámos o ataque - troca do Pavlidis e do Aktürkoglu pelo Schjelderup e Ivanovic - é que o Benfica voltou a aparecer mais junto da baliza adversária e a colocar o adversário em sentido. Também é verdade que tudo ficou mais facilitado quando o Talisca resolveu fazer o mesmo que o Florentino tinha feito em Istambul e viu dois amarelos no espaço de três minutos, deixando os turcos reduzidos a dez e o Benfica com as duas mãos no apuramento. Não voltámos a mexer na equipa (não me parece muito normal fazermos apenas duas substituições) e mesmo em vantagem não houve um grande esforço para chegar a um segundo golo que dissipasse todas as dúvidas. Mas não tivemos qualquer dificuldade em controlar o adversário e mantê-lo longe da nossa baliza até ao final do tempo de compensação. Nunca me pareceu que esta eliminatória chegasse sequer a estar em discussão, porque tal como contra o Nice, o Benfica mostrou ser sempre a equipa mais forte.


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Para melhor em campo vou escolher o António Silva. Continua num nível altíssimo, se calhar é mesmo o melhor que já o vi ter no Benfica, e ontem teve mais uma exibição imperial. E quando subiu à área, fez a assistência para o primeiro golo anulado, e esteve perto de marcar na segunda parte. Se o Benfica continua sem sofrer golos esta época, é muito por culpa da grande qualidade das exibições da nossa dupla de centrais. Conforme mencionei, o Barreiro também é um dos destaques, mas neste caso teve coisas muito boas e coisas muito más. Foi importantíssimo na pressão, esteve sempre em alta rotação durante todo o jogo, boas movimentações, e até acabou por ser ele a fazer a assistência para o golo que decidiu o jogo, mas aquele falhanço aos três minutos é imperdoável, tal como a decisão de tentar passar a bola ao Aktürkoglu quando estava em boa posição para rematar. Os médios aliás foram os nossos jogadores que maior influência tiveram na superioridade que tivemos em campo, com o Barrenechea, Ríos e Aursnes a jogarem num ritmo muito elevado.


 


O primeiro período crítico da época foi ultrapassado com sucesso total: Supertaça conquistada, apuramento para a Champions garantido, e duas vitórias nos dois jogos disputados na Liga. Será importante agora não deixar que exista qualquer tipo de relaxamento por terem sido atingidos os objectivos para esta fase inicial. Acredito que ainda irão haver mexidas no plantel até ao final da janela de transferências, mas não posso deixar de estar satisfeito com aquilo que já foi possível conseguir com os jogadores que temos.

Comentários

Nick Name disse…
Foi a vitória esperada contra um adversário muito inferior e a confirmação definitiva das opções tácticas de Lage, a quem há que reconhecer o mérito da coerência: 4 médios de características mais ou menos defensivas, nenhum verdadeiro extremo, solidez defensiva à prova de bala, segurança no passe, muita posse de bala, e produção atacante relativamente limitada.
O futebol apresentado pela equipa está longe de ser atractivo, mas é eficaz, e a realidade é que os turcos foram completamente abafados e raramente conseguiram criar algum tipo de perigo. Na primeira parte, sobretudo, foram completamente encostados à parede.
Sem Florentino, e como se podia prever fácilmente, a equipa ficou mais forte e construiu muito melhor. Barreiro, que o substituiu, é um jogador mais que limitado, mas esforçado e tácticamente útil. Apesar de alguns falhanços ridículos em frente da baliza, acabou por fazer globalmente uma boa primeira parte. É natural que seja de novo titular quando a equipa voltar a jogar com este sistema.
Com este modelo, o Benfica vai sofrer poucos golos (foram zero até agora, o que é notável) mas também não vai marcar muitos. São de prever frequentes resultados tipo 1-0, 2-0 e poucas goleadas. Ontem, até se marcaram dois golos válidos, isto para além de um outro (o primeiro) que me parece ter sido bem anulado. A anulação do golo do Barreiro, no entanto, foi uma asneira grave que manchou uma arbitragem que de resto foi, em termos gerais, bastante má.
Percebo o comentário do D'Arcy quanto ao facto de term sido feitas apenas duas substituićões. Não é de facto normal, até porque nos últimos minutos, a ganhar oela diferença mínima, convinha parar o jogo. Até certo ponto, entendo a posição do Lage, confrontado com um banco que não é nada famoso. Ontem, acabou tudo por funcionar, mas com o desenrolar da época e quando os titulares ficarem indisponíveis, o problema pode ser grave. Por isso, penso que são de esperar algumas contratações até ao fim do mercado, e também algumas saídas de jogadores sem espaço. Vão ser provávelmente os da formação a sair, o que vai causar algum choro e ranger de dentes, mas se não têm lugar na equipa não vejo nenhum problema.
Para concluir, os meus destaques individuais: os centrais (duas máquinas!), o Dedic, o Aursnes, o Enzo, o Barreiro na primeira parte, como referido, e finalmente... o Rios. A justificar desta vez o dinheiro gasto, a jogar e a fazer jogar, a defender e a atacar durante os 90 minutos. Por isso, no meu entender, foi ele o melhor em campo.
Henrique Teixeira disse…
Objetivo conseguido: Entrada na Liga dos Campeões e milhões de euros também a entrar.
Primeira parte de excelente qualidade, do melhor que já se viu na nova época, com resultado escasso ao intervalo para tanto domínio.
Golo incrivelmente falhado pelo Leandro Barreiro logo no início do jogo e erro crasso do árbitro no 2.º golo anulado ao Benfica.
Segunda parte de menos fulgor, mas suficiente para segurar a vitória.
Talisca quis imitar Florentino e nós agradecemos.
O melhor jogo de Richard Ríos desde que chegou ao Benfica.
Toda a defesa em bom plano. Bem também Aursnes, Akturkoglu e apesar de tudo Leandro Barreiro.
Magnífico ambiente no Estádio e incansável apoio ao Benfica.
Sete jogos na época em curso sem sofrer golos, o que é coisa rara.
Agora tem que se continuar a ganhar no campeonato, pois prevejo muitas dificuldades na luta pelo título, porque Sporting e Porto estão muito fortes, principalmente o Porto.
Força Benfica.
Tinoni disse…
Ontem a Luz estava iluminada….gostamos de ver e participar nas noites
Europeias
Jogamos Bem na primeira Parte
Árbitro mto fraco ,prejudicou o Benfica
Globalmente equipa esteve consistente
Quebrou fisicamente aos 70 minutos …..alguns jogadores isso foi evidente
Objectivos conseguidos
Vamos lá Benfica Ganhar ao Alverca

Fernando Valente disse…
Gostei, equipa autoritária a mandar no jogo até ao fim, resultado escasso com dose de preocupação sim, apenas um golo põe-nos sempre em sobressalto, Barreiro enquanto teve pilhas foi o diabo á solta, trapalhão até dizer chega,esteve mais no pior que melhor,jogador em escensão, Rios quando se entrosar vai perfumar o nosso estadio, fino de bola,sempre em rotação e outros mais.Sobre o treinador, achei-o muito preso á parte financeira mexeu tarde, agora é pensar cá dentro onde todos vamos sentir as mesmas dificuldades, campeão vai ser apenas um desejo que seja o meu Glorioso, carrega Benfica!...
Luís Manuel disse…
Obrigado pela excelente análise ao jogo, D'Arcy. Estou muito feliz (estamos todos felizes) pela vitória e qualificação para a fase de grupos da CL, que era o grande objectivo deste início de época. Desportiva e financeiramente era fundamental (e não era fácil) conseguirmos passar. Mérito do treinador e dos jogadores, que, com muito menos tempo para treinar e realizando praticamente a pré-época em jogos oficiais, conseguiram este apuramento e a conquista da Supertaça. Parabéns a todos, e também aos adeptos ontem presentes na Luz, que foram formidáveis.

Escolheste muito bem o melhor em campo, estou de acordo. Tenho pena que Pavlidis e Barreiro, pelo que lutaram e deram à equipa, não tenham conseguido marcar. Aursnes e Otamendi sempre aquelas âncoras, Ríos a subir de forma e Enzo muito eficaz e quase sem dar nas vistas. Mas toda a equipa foi muito solidária, e todos sem excepção lutaram e honraram o símbolo que trazem ao peito. O sorteio não foi especialmente simpático, mas na época passada também não foi. E, se não me engano, há algumas décadas que não defrontávamos o Real em jogos oficiais.

Agora é foco total no jogo com o Alverca, para fecharmos esta fase da melhor maneira possível.