Persistência
Foi preciso persistência e uma boa dose de paciência, especialmente depois de um arranque em falso numa primeira parte pouco conseguida, mas acabámos por conseguir os importantes três pontos na visita ao Casa Pia.

Uma alteração na equipa, saiu o David Neres e entrou o João Mário. Natural, porque o João Mário não poderia ficar de fora dois jogos seguidos. A primeira parte do Benfica não foi boa. Tentámos ter a iniciativa do jogo, mas encontrámos pela frente um Casa Pia muito fechado atrás e que quando conseguia recuperar a bola contra-atacava em transições rápidas - logo nos primeiros minutos foi apenas por aselhice de um jogador do Casa Pia que não ficámos em desvantagem numa jogada destas, pois ele surgiu completamente solto em posição frontal à baliza e conseguiu rematar de forma disparatada para fora. Quanto a nós, revelávamos as dificuldades muitas vezes vistas esta época para ultrapassar equipas a defender com um bloco muito baixo: muita circulação de bola sem progressão, constantemente à procura de rasgos individuais do Di María - o que resultou em mais um jogo com muitas perdas de bola por parte deste, já acaba por estar constantemente a recorrer a arrancadas individuais ou tentativas de passes de risco. Na frente, o Marcos Leonardo nunca conseguiu antecipar-se aos defesas do Casa Pia sempre que a bola era cruzada para a área, e apenas uma vez conseguiu escapar à marcação para fazer um remate cruzado que saiu muito frouxo. Tivemos um golo anulado ao João Neves por posição irregular deste, num lance eu que eu tenho algumas dúvidas sobre o critério de considerar a bola do Otamendi um 'remate'. Para mim foi um cruzamento para a área (altura em que sim, o João Neves está adiantado) onde o António Silva disputa a bola com o guarda-redes, com este a afastar a bola de forma deficiente e a deixá-la para o João Neves finalizar. Enfim, foi decidido contra o Benfica, está sempre bem decidido. Com o Casa Pia a jogar num bloco tão baixo, havia também pouco espaço para explorar pelo Rafa, que assim teve pouca intervenção no jogo - e quando isto acontece, normalmente é mau sinal para nós - e quando apareceu foi para rematar de fora da área, o que é muito pouco usual nele.

Aparecemos completamente diferentes, para melhor, na segunda parte. Muito mais agressivos e rápidos, conseguimos dominar completamente o Casa Pia e o jogo passou a ter apenas um sentido, sempre disputado no meio campo do Casa Pia e sem permitir sequer qualquer tipo de transição mais perigosa para a nossa baliza - o Trubin foi um mero espectador. O Rafa teve a primeira grande ocasião, mas depois de lançado pelo Di María e de fugir à defesa, adiantou demasiado a bola e acabou por finalizar já quase sobre a linha final, com o guarda-redes em cima dele, fazendo a bola cruzar toda a baliza a centímetros da linha de golo. Com a pressão a intensificar-se, ao fim de um quarto de hora fizemos duas substituições que vieram a revelar-se decisivas. Entraram o Neres e o Cabral, saíram o Marcos Leonardo e o Florentino. O Neres deu maior largura ao nosso ataque, e nem sequer vou dizer que o João Marío melhorou quando passou para o meio, ele literalmente apareceu, porque até aí acho que nem tinha reparado que estava em campo. Quando ao Cabral, foi uma presença muito mais ameaçadora no ataque, mostrando mobilidade e força física para disputar os lances com os defesas - ao contrário do que o Marcos Leonardo fazia, que era esperar atrás dos defesas por uma falha destes. Logo a seguir, o António Silva falhou uma ocasião flagrante para marcar: bola cruzada pelo Aursnes da esquerda e o António conseguiu antecipar-se a toda a defesa e guarda-redes, mas cabeceou para fora quando tinha a baliza à sua mercê. A pressão do Benfica acabou por dar resultado a um quarto de hora do fim. Numa transição, o João Mário colocou a bola no Cabral sobre a direita, que progrediu até à área e tirou o defesa da jogada puxando a bola para dentro, para o seu pé esquerdo, para depois rematar cruzado. Bom golo do nosso ponta-de-lança, a desatar finalmente um nó que estava cada vez mais complicado. Tal como em Glasgow, depois do golo o Benfica conseguiu com sucesso pausar o ritmo de jogo e controlar completamente até ao apito final - o Casa Pia não conseguiu esboçar qualquer tipo de reacção ao golo. Apesar da sobrecarga de jogos, mantivemos a nossa imagem de marca de não utilizarmos todas as substituições e apenas perto do final fizemos a terceira, trocando o Bah pelo Tomás Araújo.

Num jogo que não foi exuberante, acho que acabo por escolher como destaque o Cabral mesmo. Entrou quando o jogo pedia mesmo alguém com as suas características, resolveu-o, e se calhar se não tivesse entrado não teríamos conseguido deitar abaixo a resistência do Casa Pia. É repetitivo mencionar sempre o João Neves, mas ele não sabe jogar mal e acaba por se destacar sempre pelo menos pela entrega. Gostei do António Silva e da profundidade que o Bah conseguiu dar pela direita.
Depois de termos estado quatro jogos consecutivos sem vencer fora de casa (Vitória, Toulouse, Sporting e Porto), conseguimos agora duas vitórias importantes nos últimos dois. No fundo o regresso à rotina: nada de particularmente entusiasmante mas cumprimos a nossa obrigação, vencemos e mantivemo-nos na luta. Temos agora também que lidar com o caso criado pela entrevista do Kökçu, que em nada ajuda. Eu confesso que compreendo e até concordo com muito daquilo que ele diz, pelo menos no que diz respeito às opções tácticas do nosso treinador em relação a ele, mas a oportunidade desta entrevista é completamente errada e não deixa outra opção ao clube senão agir disciplinarmente. Espero apenas que isto não tenha ramificações no balneário, porque a sensação que tenho é a de que o turco não deverá ser o único descontente com as opções do treinador.
Comentários
Incrível a entrevista do Kokçu, e claro que Schmidt não tinha outra opção senão afastá-lo. Esperemos que a pausa para as seleções ajude o turco a tentar fazer funcionar o que tem dentro da caixa craniana para perceber a asneira que fez. Já temos problemas de sobra e não precisamos de abrir questões com o jogador mais caro do plantel. E não me venham outra vez com o choradinho à calimero sobre as malfeitorias da tenebrosa CS porque o único culpado disto é o jogador.
O Di Maria é um enorme jogador, merece o carinho de todos os benfiquistas e ninguém se atreve a dizer seja o que for, mas esta insistência de tentar jogadas impossíveis no meio de 5 jogadores do adversário, e constantemente perder a bola, é mau para a equipa e é mau para ele que só se desgasta com estas iniciativas inúteis.
Esta embirração com o Schmidt só serve os nossos adversários. Se ele não mantém um onze é mau. Se não gere e roda a equipa é mau. Se mete o Florentino é mau. Se não mete o Florentino a equipa fica desequilibrada.
Ontem, chegou ao cúmulo do comentador dizer que o Marcos Leonardo já tinha tido várias bolas centradas pelo Bah e não tinha chegado a nenhuma, num tom que indicava que havia ali um problema grave, porque claro, ele já devia ter marcado 3 ou 4 golos. E então o lance do Aursnes, ficou até ao fim do jogo a repetir a mesma lenga-lenga, frustrado porque o pénalti não tinha sido assinalado.
Isto para dizer que já chega os pasquins e afins para descascarem no nosso treinador. Ele tem as escolhas dele, nunca vai agradar a todos, a mim também me enerva às vezes... Mas de uma coisa tenho a certeza: é que ele é mais treinador do que qualquer um dos que vem aqui comentar ou dos que comentam/deitam abaixo em jornais e televisões. Isto não é isentá-lo de crítica, mas da maneira que as coisas estão, o homem, desde há semanas, é o bombo para todos baterem. Tudo e mais alguma coisa servem de pretexto para destruí-lo, e nós benfiquistas não devíamos alinhar nessa cantiga.
Quanto ao Kokçu, surpreende-me o seu ponto de vista D'Arcy. Os jogadores são profissionais, servem uma equipa, um clube, e são dirigidos por um treinador e pagos a peso de ouro por isso. Qualquer discordância que possa ter é falada com o treinador em privado. Ponto final. Era o que faltava, agora vinham também o Aursnes, o Tomás Araújo, o Morato reclamar porque não cumprem as funções que gostariam em campo. E não é só reclamar, é exigir um estatuto especial.
Espero que seja castigado e bem castigado, porque o que ele fez é inadmissível. Alguém tem que lhe explicar o que é o Benfica e a sorte que ele tem por vestir esta camisola. Se não está bem , mandem-no arejar para a equipa B.
Estamos na luta por 3 títulos e assim continuaremos, estejam os benfiquistas preparados para apoiar incondicionalmente, treinador incluído, e que acabem com esta palhaçada do bombo Schmidt.
VIVA O BENFICA!!
Vão perguntar ao nosso presidente se estaria contente se, quando jogava, o pusessem constantemente a jogar a trinco.
Quanto ao que escreve sobre o Kokçu, aí sim, totalmente de acordo. Da mesma maneira que os adeptos têm direito à crítica, o jogador, como assalariado que é, tem que se limitar a cumprir as instruções que lhe são dadas por quem é competente para as dar e ponto final.
Boa análise. Não entrámos nada bem neste jogo. Confesso que estava à espera que o Cabral, o Tiago Gouveia e João Mário jogassem de início. Podia ter prognosticado o mais fácil, que era acertar só neste :) O Tiago acabou por não entrar, e em minha opinião podia e devia ter jogado de início, tal como o Cabral, que é o nosso melhor avançado.
A nossa primeira parte foi fraca e receei que com o cansaço do jogo na Escócia entrássemos ainda pior na segunda, mas felizmente enganei-me. Houve mais discernimento e vontade de ganhar o jogo, e as entradas do Neres e do Cabral só pecaram por tardias. Felizmente fomos a tempo de chegar à vitória. Daqui até ao fim do campeonato já não teremos mais espaço de manobra e não podemos desperdiçar qualquer ponto. Concordo com os destaques individuais que fazes, mas também gostei do Aursnes, sempre em missões de sacrifício. Bem que merece agora uns bons dias de descanso. Mas, claro: já cá faltavam alguns por aqui, num estilo entre o lamuriento e professoral que eu julgava próprio e exclusivo de indivíduos como o presidente lagarto, a trazerem novamente à colação um jogador nosso, que foi certamente o culpado da fraca exibição que fizemos na primeira parte.
Não estava à espera da entrevista do Kokçu, sobretudo nesta fase da época e logo após um jogo tão importante que nos garantiu a passagem aos quartos-de-final da LE. Era fundamental remarmos todos para o mesmo lado. Não sei se a ideia foi dele ou do empresário dele, mas foi uma péssima ideia. E realmente não haveria outra opção senão deixá-lo de fora neste jogo. Mas, pelo que disse ontem o nosso treinador, as portas para a reintegração do Kokçu estão abertas, e era bom que assim fosse. A última coisa de que precisávamos agora era de mais um foco de instabilidade na equipa.
Saudações Benfiquistas para ti e Tertúlia.
Não gostei do Florentino ter sido substituído, mas devo reconhecer que desta vez as substituições deram frutos.
Muito bom o lance do golo com excelente finalização do Arthur Cabral.
Penso que o melhor que o Benfica tem a fazer no caso Kokçu é o mesmo que fez quando Óscar Cardozo empurrou Jorge Jesus, ou seja, apenas a aplicação de um pesado castigo de expressão pecuniária. Retirá-lo dos relvados é asneira.
Para ser possível o Benfica ainda ser campeão tem que ganhar todos os restantes jogos do campeonato, e para tal precisa de ter o contributo e o empenho de todos os jogadores.
Concluindo, e porque isso é que conta, pergunto: o que ganha o Benfica com esta palhaçada toda? Não ganha nada, só perde. Se calhar passamos de ter um treinador encantado com o clube, motivado e pronto para dar tudo, a ter um treinador amargurado por ser maltratado por um país, mas sobretudo pelos seus próprios adeptos.