Cumprida
Acho que todos nós tínhamos a noção de que o Benfica era uma equipa superior ao Rangers e por isso mesmo, apesar do empate em casa na primeira mão, havia a expectativa legítima de que um Benfica minimamente competente conseguiria ir ganhar a eliminatória a Glasgow. Tarefa cumprida, portanto.

Houve quatro alterações no onze em relação àquele que tinha vencido o Estoril: Otamendi, Di María, Rafa e João Neves voltaram, por troca com Tomás Araújo, Tiago Gouveia, Kökçu e João Mário. Pela frente apanhámos um Rangers motivado pelo resultado da primeira mão, uma estádio cheio a apoiá-los (com um cantinho vermelho que, desta vez, parece ter-se portado bem) e ainda uma intempérie que se abateu sobre Glasgow, que foi tornando o relvado cada vez mais pesado. Esperava por isso uma entrada forte por parte dos escoceses, que de facto até se verificou. Eles estiveram mais por cima na primeira fase do jogo, mas raramente criaram ocasiões de grande perigo - a situação mais complicada acabou por ser um remate à figura do Trubin, que ele acabou por deixar escapar entre as pernas e que saiu ao lado da baliza. O Benfica revelou sempre uma boa organização defensiva, com o António Silva a ser um esteio na defesa e a limpar tudo o que lhe aparecia, pelo ar ou pelo chão. O meio campo com o João Neves e o Florentino é também aquele que melhor cobertura dá aos nossos defesas que, ao contrário daquilo que tantas vezes vimos esta época, não têm que estar constantemente a apanhar com adversários embalados pela frente quase sem oposição. À medida que o tempo foi decorrendo o Benfica estabilizou o seu jogo e começou lentamente a conseguir explorar o espaço que tinha à frente, criando mesmo situações de maior aperto na área do Rangers - Di María, Rafa ou Marcos Leonardo dispuseram de situações em que poderiam ter dado melhor sequência ou finalizado melhor. Na altura em que soou o apito para o intervalo achei aliás que já estávamos mesmo por cima no jogo, e que havia maior probabilidade de sermos nós a marcar do que o Rangers.

Ao intervalo trocámos de ponta-de-lança, entrando o Tengstedt. O Marcos Leonardo ainda não parece estar na melhor forma física e já revelava dificuldades em lutar com os defesas adversários num jogo com tendência para se tornar cada vez mais físico. Dada a forma como tinha acabado a primeira parte, foi surpreendente o início da segunda. O Rangers veio com tudo, e aquele primeiro quarto de hora foi complicado e deixou-me preocupado que o Rangers pudesse chegar à vantagem - naquela altura tinha a sensação que a primeira equipa a marcar daria um passo de gigante para o apuramento. É verdade que ainda assim o Trubin nunca teve muito trabalho, e a melhor ocasião dos escoceses foi um remate que foi desviado no limite pelo Aursnes, com a bola a passar perto do poste. Ainda mais um susto quando um desvio do António Silva fez a bola passar muito perto do poste, quase acabando em autogolo. Pouco depois do primeiro quarto de hora o Benbfica deu um grande aviso ao Rangers, quando uma boa transição que começou no Di María pela direita acabou com o Aursnes do lado oposto a ganhar a linha de fundo (ultimamente ele parece estar a conseguir fazer isto muito bem) e a oferecer literalmente o golo ao Tengstedt, que acabou por fazer um passe para as mãos do guarda-redes. Dado o aviso, cinco minutos depois veio o golo. Surge numa transição após um canto para o Rangers, na qual o Florentino acabou por finalmente conseguir colocar a bola na frente. O Di María tocou-a de cabeça para o Rafa mais sobre a esquerda, e a velocidade e classe deste fez o resto, fugindo aos defesas e vindo para a zona central para finalizar de forma perfeita. O lance foi inicialmente invalidado em campo, mas o VAR acabou por confirmar que no momento do toque de cabeça do Di María o Rafa ainda estava dentro do nosso meio-campo (aposto que na nossa liga o golo teria sido anulado). Este golo matou o Rangers, que nunca mais conseguiu voltar a ser o mesmo. Até final tivemos o jogo sempre completamente controlado e até poderíamos ter ampliado a vantagem, com destaque para um falhanço do António Silva que não conseguiu fazer o desvio quando estava à vontade à frente da baliza.

Melhores do Benfica, para mim, o trio de meninos do Seixal. António Silva, João Neves e Florentino foram os esteios desta vitória, muito bem acompanhados pelo Aursnes. O António Silva esteve intransponível na defesa, lidando perfeitamente com o jogo tipicamente britânico que os escoceses tentaram implementar e sendo dominador pelo ar. Sobre o João Neves já vão faltando palavras para descrever o pequeno dínamo que alimenta todo o nosso jogo. Quanto ao Florentino, se um jogo destes não é suficiente para perceber a utilidade dele na nossa equipa, não sei o que será. O Aursnes é, objectivamente, o nosso melhor lateral esquerdo. Infelizmente, acrescento eu, porque poderia ser muito mais útil noutras funções e zonas do campo. Mas antes tê-lo a ele ali do que o Morato.
Estamos, pelo terceiro ano consecutivo, nos quartos-de-final de uma competição europeia. Todos nós, por sermos adeptos, achamos sempre que podemos e devemos fazer melhor, e raramente estamos satisfeitos com o que a nossa equipa produz. O jogo de ontem não será excepção, mas mesmo sem estarmos ao nosso melhor, creio que no conjunto das duas mãos ficou bem claro que somos melhores e fomos melhores do que o Rangers dentro do campo. No entanto toda a comunicação social parece ter muita vontade em destacar que o Benfica jogou mal, e que terá tido sorte na passagem - curiosamente, a imprensa escocesa considera que o Benfica mereceu passar, e uma visita rápida a fórums de adeptos do Rangers também me permitiu ver que eles nos consideram melhores e que ontem merecemos ganhar. Talvez porque nesta altura não há contabilidades a fazer como quantos golos o Benfica sofreu, há quantos jogos não ganha, ou há quantos jogos é que Rafa não marca, o melhor é carregar na tecla do mau jogo que o Benfica fez. A mesma comunicação social é aquela que perante dois jogos em que o Porto se enfiou na defesa contra o Arsenal, não se cansa de elogiar o épico desempenho deles. Ou que tendo o sapal sido claramente dominado pela Atalanta nos dois jogos, já tendo tido a sorte de seguir para Itália com um empate, se agarra às oportunidades por eles criadas nos últimos minutos para classificar a exibição deles como 'autoritária', com o jornal não-oficial do sapal (vulgo Record), liderando o pranto, a chegar ao absurdo de escrever que foram 'muito melhor equipa' numa negação e inversão completa da realidade. É vergonhosa a diferença de tratamento que existe. Dá a impressão que a única expectativa admissível para o Benfica é que domine todos os jogos do princípio ao fim e massacre todos os adversários. Qualquer coisa menos do que isso é motivo para crítica severa. Pois que fiquem com as suas magníficas vitórias morais, que eu me contento com mais uma má exibição e a passagem marcada para a próxima eliminatória.
Comentários
Excelente análise ao jogo. Estou muito feliz pela vitória e pela passagem aos quartos-de-final, inteiramente justa. Já em Lisboa fomos muito melhores, pese embora os dois golos que concedemos. No entanto, o Rangers não é uma equipa nada fácil, sobretudo no seu estádio, e sobretudo em condições climatéricas que favorecem o seu estilo de jogo muito físico - e aí estávamos em desvantagem. Por isso acho que o Cabral teria sido o avançado que melhor encaixaria no jogo, uma vez que - a meu ver, erroneamente - transferimos o Musa. Marcos e Tengsted não estiveram inspirados. Foi a primeira vez que uma equipa portuguesa ganhou no Ibrox - o Porto já lá perdeu duas ou três vezes, se não estou em erro.
A equipa lutou muito. Correu, entreajudou-se, disputou todas as bolas, sofreu um pouco quanto teve de sofrer, mas também podia ter marcado mais um ou dois golos. A forma como quisemos jogar, ganhar e passar a eliminatória deixou-me muito feliz. Florentino e Neves impecáveis no meio-campo, Aursnes, António Silva e (desta vez não foi precipitado nem teve aquelas entradas à queima) Otamendi muito bem, Rafa e Di Maria também, embora o Di Maria continue a agarrar-se excessivamente à bola, em minha opinião - mas verdade seja dita foi muito importante, num terreno que em nada favorece o seu futebol. Lembrei-me bastante do jogo em Guimarães. Ontem, o Benfica foi Benfica! Parabéns a todos. E sim, o nosso golo não teria passado pelo crivo da arbitragem e dos VARs de Portugal. Gostei do árbitro de campo. Jogo duro, de choque, muito físico, por isso não se pôs a marcar faltas a torto e a direito. Recordo várias quedas de jogadores do Rangers e nossos em que ele mandou jogar, e bem. Sem dualidade de critérios.
Vitória e qualificação justíssimas! Sim, a CS desportiva faz sempre estes papéis miseráveis. No ano passado, um choroso David Borges afirmou na SIC, após a eliminação do Sporting da LE, 'foi eliminada a melhor equipa da LE', o que me deixou boquiaberto. Este ano, o mesmo painel da SIC e outros junta-letras deram cambalhota atrás de cambalhota para explicar nova eliminação: é sempre injusto, o Sporting é sempre uma equipa melhor que não tem a sorte do jogo, o Porto joga sempre 'com atitude' mesmo quando joga à retranca e beneficia de agradáveis erros de arbitragem como me pareceu ter sido o golo anulado ao Arsenal, e ontem, acho que também na SIC, creio ter ouvido dizer, no fim do programa, que é quase desnecessário continuar-se em prova nesta edição da LE devido à presença do Leverkusen e Liverpool, e que portanto a eliminação do Sporting terá sido quase premeditada pelo próprio, e é uma estratégia inteligente que lhe permitirá ganhar força no campeonato. Nem precisa, digo eu. Com arbitragens como a de Arouca, na semana passada, o Sporting bem podia ter-se aplicado ontem à vontade para esmagar a Atalanta com o seu rolo compressor.
O Benfica foi a única equipa portuguesa a ganhar ao Arsenal em Inglaterra, se não me engano; e ao Liverpool também em Inglaterra (quando o Liverpool era campeão europeu em título). Há dois anos empatámos 3-3 com o mesmo Liverpool em Anfield, e nós com uma equipa colada aos bocados. Demos uma enorme demonstração de carácter, nunca desistimos após estarmos a perder por 3-1, mas não vi qualquer entusiasmo nem lamentações por parte da CS. Quando perdemos uma eliminatória/final em penáltis é porque não temos estofo, nem cabeça-fria, nem competência para ganhar dessa forma. Quando o Porto perde por penáltis, lutou até ao fim. O Marselha que agora iremos enfrentar depressa será desvalorizado por todos os junta-letras e pés-de-microfone da nossa praça. estou certo. Será, em minha opinião, uma equipa muito difícil de bater, e nós temos sempre alguma dificuldade contra equipas francesas. Temos as nossas chances na eliminatória e vamos tentar seguir em frente. Se não conseguirmos, sei o que nos espera. Os jornaleiros já estão a afiar as facas.
Agora é concentração total no jogo contra o Casa Pia. Este jogo em Glasgow deve ter causado bastante desgaste, aceito que sim. Talvez possamos jogar com várias alterações e surpreender o Casa Pia, cujo treinador certamente não repetirá, na conferência de imprensa de antevisão, as afirmações que fez antes do jogo com o Sporting. E espero um Casa Pia a entrar com tudo em todos os lances. Será difícil, mas uma vitória que nos continue a deixar em condições de lutar pelo campeonato é muito importante.
Saudações Benfiquistas para ti e Tertúlia.
Jogo mais uma vez decidido pela dupla Di Maria-Rafa. Não havendo um PL digno desse nome (o Marcos ainda precisa de tempo e quanto ao Tengstedt... nem quero comentar) temos que aguardar por um rasgo de génio destes para resolver os jogos, e foi isso que voltou a suceder.
Quanto ao resto, peço desculpa por não me conseguir entusiasmar com esta qualificação arrancada a ferros contra uma equipa de padeiros cuja estrela é o flop Fábio Silva. O investimento esta época foi enorme e é evidente que não era isto que se estava à espera. Não é só a tenebrosa CS a dizer isto, como choram alguns por aqui num estilo calimeroso que eu pensava estar reservado para a lagartagem, são muitos benfiquistas que o acham. E quem vai ao estádio sabe que a contestação é cada vez maior, sendo óbviamente lamentável que se manifeste antes ou durante os jogos.
Não é preciso ser um alucinado como o intragável bi-campeão para estar insatisfeito com o futebol confuso da equipa e não é preciso ser profeta para adivinhar que sem a conquista da Liga vão haver grandes mudanças no final desta época.
Lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá
O Benfica ganhou
Outra vez.. .
À pois ganhou ganhou,
Por isso o bi-campeão
Ainda não postou.
Outra vez
Lá lá lá lá lá.. .. ..
Quando tudo está bem o
bi. campeão não gosta de se mostrar e pôr em bicos de pés.
Viva o BENFICA e os seus
Sócios e Adeptos com cérebro e capacidade crítica.
Só esses podem fazer o Benfica crescer sempre e continuar a ser o MAIOR e o MELHOR de Portugal.