Experiência

O nosso treinador aproveitou a Taça da Liga, e talvez também condicionado pelas recentes lesões decidiu fazer a experiência de jogar num esquema de três centrais. Talvez a memória me falhe, mas creio ter sido a primeira vez que o fizemos com o Roger Schmidt. O resultado foi positivo, já que ganhámos o jogo e deixámos a passagem à próxima fase bastante bem encaminhada - será necessário perdermos em casa por dois frente ao AVS para que isso não aconteça - mas a equipa ainda não apresentou um futebol com a qualidade que os benfiquistas esperam.


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À dupla habitual de centrais juntou-se o Morato, que actuou sobre a esquerda, caindo o António Silva mais sobre a direita. As alas ficaram entregues ao João Neves na direita e ao Aursnes na esquerda, o que significou a preferência pelo norueguês que faz tudo a qualquer um dos dois laterais esquerdos do plantel. No meio, o João Mário jogou ao lado do Florentino, o que sempre permite aproveitarmos a sua qualidade técnica sem ficarmos expostos à sua maior fraqueza, que é a falta de velocidade quando joga numa ala. Na frente, o Gonçalo Guedes ocupou a posição mais avançada, apoiado pelo Rafa mais sobre a esquerda e o Di María mais sobre a direita. O Benfica assumiu as despesas do jogo desde o início, conforme se esperava. A qualidade do futebol apresentado não era muita e o relvado, lento, pesado e em mau estado, também pouco ajudava. O maior destaque era mesmo para o Di María, que em algumas iniciativas individuais ia dando os maiores sinais de perigo num jogo em que mais uma vez tivemos muita posse de bola e construímos poucas ocasiões de perigo. Foi precisamente o Di María quem inaugurou o marcador aos vinte e seis minutos, na conversão de um livre na meia lua assinalado por falta sobre si próprio, após uma jogada individual em que tinha deixado pelo caminho três adversários. O remate saiu colocado e a meia altura junto ao poste do lado do guarda-redes, que não conseguiu ver a bola partir e quando se lançou já era demasiado tarde. Nada de novo aqui, o Benfica apenas deu expressão ao seu ascendente no jogo, algo que já vimos acontecer diversas vezes esta época, e agora a questão era se conseguiríamos finalmente gerir com eficácia uma situação destas até final, marcando mais golos que nos permitissem estar tranquilos até ao apito final. Depois do golo não abdicamos de ter o controlo do jogo e continuámos a jogar maioritariamente no meio campo adversário, não lhe permitindo qualquer espécie de reacção. Mas tenho dificuldade em recordar situações de especial perigo criadas por nós - apenas um lance em que o Gonçalo Guedes deveria ter sido capaz de controlar a bola quando apareceu em situação privilegiada após um grande passe do Aursnes, mas deixou-a escapar.


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Na segunda parte o Arouca apareceu com mais vontade logo nos primeiros minutos, fruto também das alterações feitas ao intervalo. Deu para perceber que não iríamos conseguir manter tanto a bola na nossa posse como na primeira parte, pelo que um segundo golo era mesmo importante. Esse golo chegou cedo, com nove minutos decorridos, pelo João Mário, que entrou bem pela zona central para receber um passe longo do Di María e finalizou muito bem na cara do guarda-redes, mas o VAR puxou o filme atrás uns bons vinte segundos até ao início da jogada e o golo acabou anulado por uma posição irregular do Gonçalo Guedes. Continuava portanto tudo em aberto, e logo a seguir a este lance o Benfica trocou de uma só vez o trio da frente, colocando em campo o Tiago Gouveia sobre a esquerda, o Tengstedt sobre a direita, e o Cabral no meio. Conforme escrevi, o Arouca mostrava-se um pouco mais atrevido nesta segunda parte e a posse de bola era agora mais dividida, e foi um pouco preocupante ver que por vezes concedíamos demasiado espaço atrás que podia ser aproveitado pelo adversário para chegar a um golo que, na verdade, nunca justificou. Foi por isso com algum alívio que a quinze minutos do final vi o Benfica chegar ao golo da tranquilidade. Foi o criticado Arthur Cabral quem o marcou, e um bom golo por sinal. Arrancando ainda antes da linha de meio campo, solicitado por um passe do Tengstedt (depois de ter sido ele próprio a ganhar a dividida com o defesa), correu metade do campo perseguido pelos defesas, protegeu bem a bola e aguentou a pressão destes, e já na área e à saída do guarda redes finalizou bem e com calma, colocando a bola no poste mais distante. Pouco depois teve também uma boa iniciativa individual em que colocou a bola no outro lado para o Tengstedt, que estava sozinho mas não conseguiu controlar a bola em condições para criar perigo. Nos minutos finais, o jogo perdeu muita qualidade e ficou bastante mais partido, da parte do Benfica muito por culpa dos próprios jogadores que tiveram más decisões. Com o espaço que era cada vez mais concedido, o Benfica teve várias situações para definir melhor e criar situações de perigo, mas de uma forma extremamente irritante os jogadores optavam demasiado por agarrar-se à bola e tentar iniciativas individuais quando jogavam num campo que cada vez mais se assemelhava a um batatal. Há uma jogada em particular na qual o Bernat - que tinha entretanto substituído o Florentino - se agarrou à bola quando teve uma eternidade de tempo e espaço para fazer um passe para o Tiago Gouveia que o isolaria nas costas da defesa, que me deixou particularmente irritado. Do nosso lado, o Trubin ainda teve oportunidade para um par de intervenções que evitaram que o Arouca reentrasse no jogo.


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A escolher um homem do jogo será o Di María, que foi quem conseguiu mostrar mais qualidade enquanto esteve em campo. O João Mário esteve bem, e gosto de o ver numa posição mais central, porque para mim definitivamente não está talhado para jogar numa ala. Os centrais, a jogar no novo esquema, estiveram geralmente bem, embora me tenha irritado o amarelo infantil que o António Silva viu. E para não estarmos sempre a bater nele, a entrada do Arthur Cabral teve um impacto positivo no jogo e fiquei satisfeito com o golo que marcou.


 


A conseguirmos a passagem à próxima fase desta competição já será uma melhoria em relação à época passada, na qual ficámos pelo caminho nesta fase. Já passou demasiado tempo desde a última vez que vencemos esta competição. Quanto ao novo esquema táctico, acabou por ser útil para esta situação particular, mas eu não sou grande fã dele e não acredito muito que seja intenção do nosso treinador mantê-lo. É interessante termos uma alternativa para situações pontuais, mas nem sequer temos um plantel construído para suportar esta táctica de forma regular - até para a nossa táctica habitual o plantel está desequilibrado, quanto mais para esta. Não ganhar este jogo teria sido demasiado mau e criaria ainda mais instabilidade, pelo que esta vitória, que mesmo sem ser esmagadora julgo ser indiscutível, foi bastante importante.

Comentários

Nick Name disse…
Concordo em que foi um jogo mediano contra uma equipa que nada fez e pouco tentou fazer. De resto, começa ser confrangedor ver o baixo nível de competitividade e de ambição da maior parte (enfim, a quase totalidade) das equipas da nossa Liga, e nem falo das dos escalões inferiores. Quer o Casa Pia quer o Arouca, só para falar de adversários recentes, apresentam um futebol paupérrimo, limitado a tentar defender de qualquer modo e ir aguentando enquanto possível. Isso prejudica a qualidade do espéctaculo e, a prazo, prejudica gravemente o nível de competitividade do Benfica. Nesta Champions, isto já está a ser por demais visível.
Voltando ao jogo, também concordo que este esquema táctico não é para durar. Mas contra o futebol anémico do Arouca funcionou, e poderá voltar a funcionar no futuro ocasionalmente contra equipas deste tipo.
Pedro Qwara disse…
O sistema tático de 3-4-3 não tem grande tradição no Benfica, se a memória não me falha foi testado há uns anos atrás, no tempo de Ronald Koeman, sem grande sucesso, e repetido mais recentemente por Jorge Jesus, devido essencialmente á necessidade de acomodar Lucas Verissimo, Otamendi e Vertonghen, mas uma vez mais sem sucesso.
Mas não me choca que o Benfica jogue neste sistema, em certos jogos e perante determinados adversários é capaz de funcionar, desde que bem trabalhado. É importante que o futebol do Benfica não cristalize num sistema tático único e repetitivo, demasiado previsível e fácil de contrariar pelos adversários…Tanto pode ser o 3-4-3 como o 2-5-3 dos matraquilhos, desde que o Benfica jogue bem e ganhe.
Independentemente do sistema tático utilizado o Benfica tem que voltar rapidamente a ser a equipa compacta e solidária que foi na época passada e não uma equipa desgarrada, sem fluidez de jogo, á espera de iniciativas individuais que suprimam as deficiências coletivas.
O jogo de Arouca mais do que pelo futebol praticado valeu essencialmente pelo resultado e pelos golos. O livre superiormente executado por Di Maria e a cavalgada de 40 metros do Cabral, que conseguiu controlar a bola num relvado impróprio para consumo, resistir ao assédio dos defesas adversários e manter o discernimento para fazer o golo.
E o golo do João Mário, que mesmo não valendo, porque o VAR quase que recuou ao jogo do Casa Pia para encontrar um offside, nasce daquela que foi talvez a melhor jogada do desafio.
E Pluribus Unum !
Fernando Valente disse…
Sobre o jogo não gostei do 1º trio de avançados Guedes sem forma trapalhão o mini saia do Rafa precisa urgentemente de ir roçar banco, não sabe jogar para equip, corre corre sempre contra os adversários, Dimaria bom mesmo mas tem de dosear o esforço, depois entrando alas o ponta de lança Cabral funcionou.
Henrique Teixeira disse…
O Benfica venceu um adversário que ainda há poucas semanas só não ganhou no dragão porque não o deixaram ganhar.
Jogou bem o Benfica? Não. Mas como ainda recentemente aqui escrevi prefiro mil vezes que o Benfica jogue mal mas ganhe do que jogue muito bem mas obtenha resultados negativos. Com um relvado naquelas condições também não era possível praticar futebol de elevada qualidade.
De táticas não vou falar porque pouco percebo disso. Só desejo é que Roger Schmidt seja feliz com as suas opções.
Gostei de ver Florentino e Gonçalo Guedes no onze inicial, da entrada no jogo de Tiago Gouveia, e dos excelentes golos, principalmente do marcado pelo Arthur Cabral, que mesmo não tendo feito um grande jogo melhorou em relação a todos os que até agora fizera.
No que concerne a lesões o Benfica está a passar por uma fase muito complicada. Penso que sem as inesperadas ausências no jogo com o Casa Pia o Benfica teria vencido sem grandes dificuldades, pois principalmente no jogo de cabeça notou-se muito a falta de Musa.
Nos comentários a esse infeliz jogo apareceu aqui um intruso que, com vontade que o Benfica tivesse perdido, e querendo saber mais do que os árbitros, veio afirmar que o golo do Benfica não devia ter sido validado. Admiro a paciência que o D`Arcy teve para lhe explicar o lance, em que ele insistia ter havido falta do António Silva.
A respeito de intrusos recordo-me dum tal Lisandro que por aqui andou muito tempo a vomitar veneno contra o Benfica.
Saudações Benfiquistas.
AP disse…
Caros benfiquistas,
Estava algo receoso em relação ao jogo em função do momento da equipa, e em função daquilo que eu sabia que ia ser o estado do relvado.
No entanto gostei, em geral, da exibição da equipa, apesar de ter ficado surpreendido com o esquema tático apresentado. Acho que neste jogo até beneficiou a equipa, tornou-a mais compacta, muito por força do desempenho do trio do meio campo a quem se juntava o Aursness em situações ofensivas, o que também ajudava nas transições defensivas porque esses quatro homens pressionavam alto e matavam muito jogo ao Arouca.
Em suma acabou por ser um resultado natural num jogo tranquilo da nossa parte.
Registei a pontinha de ironia na frase do D´Arcy relativamente ao rigor, e bem, do videoárbitro na análise do fora de jogo no lance do golo anulado ao João Mário. E registei, porque esse rigor tem andado algo arredado, para não dizer muito arredado dos jogos do Sporting. Dou dois exemplos do jogo deles no dia de ontem contra o Farense:
- No primeiro golo, supostamente, não há fora de jogo por 8 cm. Tudo certo, se não se tivesse batido o record de menos tempo gasto a analisar um fora de jogo tão milimétrico. No nosso campeonato este tipo de lances "tirados à pele" demoram vários minutos a confirmar; ontem quase nem houve tempo para a Sportv dar a repetição do lance, porque o jogo foi logo reatado ... Mais, passados cinco minutos a Sportv deu a imagem das linhas uma só vez e também em tempo record, nem deu tempo para tentar perceber se estavam bem colocadas...
- Na segunda parte há um penalty claro a favor do Farense que a ser assinalado e concretizado dava o empate. A rasteira do jogador do Sporting ao jogador do Farense é clara, só ficando a duvida de saber se foi dentro ou fora da área. Mais uma vez, o videoárbitro nem sequer deu indicação ao árbitro para ir ver as imagens!
Assim, é fácil a uma equipa ganhar embalagem ...
Cá não há bar disse…
É impressão minha ou há bastante mais coments quando o SLB perde ou empata? Carrega Benfica!