Superioridade

Primeiro objectivo da época cumprido com o apuramento para a fase de grupos da Champions. A primeira mão já tinha mostrado a superioridade do Benfica sobre o Dínamo de Kiev, mas neste segundo jogo a diferença entre as duas equipas foi ainda mais evidente. O Benfica não deu qualquer hipótese ao adversário, resolveu de vez a eliminatória cedo e com facilidade e até se deu ao luxo de gerir o esforço sem nunca ter perdido o controlo do jogo.


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Sobre o onze. nesta fase raramente há algo a assinalar porque ele parece estar definido, e salvo algum impedimento jogam sempre os onze habituais. em relação ao jogo, posso apenas dizer que quando o primeiro golo surgiu, aos vinte e sete minutos de jogo, já ele tardava há muito. Porque desde o apito inicial que foi um verdadeiro sufoco à baliza ucraniana, numa pressão constante e quase avassaladora à procura do golo. Ainda o jogo mal tinha começado e já o Rafa aparecia em posição privilegiada na área, preferindo no entanto tentar o passe em vez de arriscar o remate com o pé esquerdo. Foi o mote para uma catadupa de situações de perigo - ficávamos com a sensação de que o Benfica podia chegar ao golo em praticamente cada ataque. Quando finalmente surgiu, já se contavam dez remates e sete pontapés de canto para o nosso lado, com os ucranianos a mal conseguirem passar do meio campo. O Grimaldo já tinha feito uma bola raspar no poste, o Neres já quase que marcara num pontapé de bicicleta, e o Dínamo limitava-se a adiar o inevitável. O golo apareceu, sem grande surpresa, no seguimento de mais um pontapé de canto. Depois de épocas seguidas nas quais marcarmos um golo num pontapé de canto era quase uma fantasia, sendo as perspectivas disso acontecer ainda piores sempre que os marcávamos 'à maneira curta', agora até parece fácil quando o fazemos. Foi mais uma vez dessa forma, marcado à maneira curta na direita do nosso ataque, com a bola a seguir num cruzamento largo feito pelo Neres desde a quina da área para o segundo poste, onde estavam o Otamendi e o Gilberto à vontade, com o primeiro a cabecear para o golo. Obtida a vantagem, o Benfica abrandou um pouco para respirar e os ucranianos finalmente dispuseram de alguns minutos para ter bola, ainda que sem causar qualquer tipo de problemas. Se calhar com isso ganharam alguma confiança e num ápice viram o Benfica acelerar e marcar dois golos de rajada ainda antes do intervalo. O primeiro foi quase uma cópia da oferta da semana passada, um mau passe na zona da defesa que foi interceptado pelo Rafa, que depois marcou com facilidade. O segundo nasceu de uma transição rápida na qual o Benfica se libertou da tentativa de pressão alta dos ucranianos, com o transporte da bola a ser feito pelo Rafa, seguindo a bola para o Gonçalo Ramos que (pareceu-me) quando tentou devolver a bola ao Rafa acabou por passar-lhe mal a bola para as costas, mas como a transição foi feita de forma apoiada ainda havia o Neres para a receber, e com um remate de primeira em arco colocou a bola desde entrada da área, sobre a direita, bem junto ao poste mais distante. Um golo muito bonito.


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A segunda parte foi de gestão do jogo e do resultado, ainda assim mantendo um controlo absoluto do jogo - o Dínamo fez um único remate no segundo tempo, e este foi desde o meio campo numa tentativa de chapéu ao Vlachodimos. Logo no início um choque violento entre o Rafa e o Gonçalo Ramos na área adversária deixou os dois jogadores a sangrar, e obrigou mesmo à substituição do nosso ponta-de-lança. Oportunidade para o Musa se estrear com a nossa camisola, entrando para o seu lugar. Não há muito a assinalar nesta segunda parte, pois apesar do Benfica não ter deixado de procurar o golo, ainda assim baixou um pouco a velocidade no ataque, ainda que nunca tenha dado qualquer espaço ou tempo aos ucranianos para que tivessem grandes ilusões - pressão alta foi quase sempre uma constante, que não deixava o Dínamo respirar muito. Três alterações feitas de uma vez, com as entradas do Weigl, Diogo Gonçalves e Henrique Araújo, permitiram o descanso e aplausos para o Florentino, Rafa e Neres mas pouco mudaram na tendência do jogo. Curiosamente, gostei de ver o João Mário a actuar mais pela direita, pois o Diogo Gonçalves foi colocar-se sobre a esquerda. Acabou por ser uma espécie de teste à nossa táctica um bocado invertida, com um falso extremo direito e um extremo esquerdo de pé trocado. Perto do final, oportunidade para novo aplauso a um dos jogadores em destaque neste início de época, quando o Paulo Bernardo rendeu o Enzo Fernández e assim o argentino deixou de ser totalista e não cumpriu os primeiros minutos da época.


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Gostei muito de toda a equipa; não sei mesmo se não terá sido o jogo que mais me agradou até agora. O Neres foi um dos grandes destaques, mas também o Rafa, o João Mário, o Gonçalo Ramos e a dupla de médios estiveram sempre a um nível muito alto.


 


Com este objectivo na coluna dos alcançados, seguem-se dois jogos para a liga num curto espaço de tempo e o regresso à realidade interna. O próximo jogo, no Bessa, será certamente um duro teste à nossa equipa - neste momento ainda aguardo para saber a nomeação da equipa que poderá ser uma das principais adversárias nesse jogo. Mas o Boavista treinado pelo Petit será certamente um osso duro de roer. O Petit é perito em estudar os pontos fortes do adversário e em anulá-los, não tendo normalmente grandes pruridos em recorrer ao jogo físico e ao anti-jogo se for necessário. É fundamental manter o ritmo e a atitude, e não deixar que qualquer tipo de relaxamento se instale depois de atingido um dos mais importantes objectivos da época.

Comentários

Luis Agostinho disse…
Parabéns a toda a equipa. Objectivo alcançado.

Dizem eles que o Benfica ainda não defrontou uma equipa forte.

No ano passado também ia ouvindo isso, e fomos eliminando equipas fraquinhas uma atrás da outra, até encontrarmos o Liverpool finalista da Champions... que assim continue este ano.

Porque andámos estes últimos anos a perdidos e à deriva quando a solução era óbvia, a não ser para os génios do treino e da táctica, que ganham milhões e que iam inventando, e nós perdendo...?

Um oito (Enzo), reforçar as laterais (o Grimaldo esta época tem estado muito certinho a defender, o que se passou...?) e ter extremos que abram a frente de ataque, que consigam ir à linha cruzar, que tenham drible e explosão (Neres! Pena não haver outro Neres para a esquerda, se o Rafa não for para lá, e íamos buscar um 10). Não me sentia tão entusiasmado com um extremo desde o Di Maria, embora adorasse o Gaitan, que não era bem extremo. E já temos mais um reforço para o meio-campo, o Aursnes. Dizem quem o conhece, que é um jogador de grande intensidade, precisamente o que não tínhamos no ano passado.

O que Schmidt, certamente com a colaboração de toda a estrutura, fizeram de melhor até agora foi estabelecer um sistema de jogo à Benfica, deixando a treta dos três centrais para trás, e colocar os que já lá estavam nos seus lugares, ou irem buscar jogadores para as suas posições, sem invenções. Não parece muito dificil...

Claro que, na liga de FRUTAbol tuguês, as coisas vão ser mais complicadas, todos sabemos como e porquê. E é aí que a estrutura tem de cumprir a sua função, coisa que não tem feito nas últimas épocas, que é proteger a equipa e o clube.

Impressionante e linda, histórica, a conquista dos sub-20. Perante tantas dificuldades e adversidades, os miúdos mostraram tanta tanta tanta personalidade. Viagem longa, fuso horário muito diferente, clima diferente (Inverno), um estádio cheio de adeptos da outra equipa (cerca de 40 mil), e contra uma equipa "mais crescida"...impressionante. Sofri muito, principalmente nos últimos 10 minutos, mas foi feita História e o SLB inscreveu com letras de ouro o nome do nosso amado clube na primeira linha dos vencedores da Taça Intercontinental Sub-20. Nem vale a pena falar da desvalorização que foi feita em certos sectores do tugal...tal como fizeram com o Fernando Pimenta, que, ao contrário dos ostros de outros clubes, parece não ter clube...a RTPorto já é assim há muito, mais um tentáculo do polvo fruteiro.

Venha um extremo para a esquerda e um 10!

Saudações Benfiquistas





José Rama disse…
Mas o que é que a estrutura teve a ver com a escolha do sistema de jogo?
Ruben Sosa disse…
Este inicio de época está a dar um imenso gozo de assistir. Que se consiga manter este ritmo e futebol alegre e asfixiante.

Um dos principais sinais de que estamos a fazer as coisas bem é a azia e tristeza dos "comentadores" da tvi, principalmente após termos feito o 2 º e logo a seguir o 3º golo.
Quase senti pena deles.
Quase.
Só que não.

Carrega, Benfica!
Luis Agostinho disse…
Talvez lendo até ao fim, até à parte onde está escrito "ou irem buscar jogadores para as suas posições."...
Anónimo disse…
a estrutura (benfica_sad) contratou um treinador que, a priori, iria mudar o sistema de jogo, até aí, implantado na equipa ... neh ???
saudações vermelhas ❗❗❗
Luis Agostinho disse…
Penso que qualquer estrutura, presidente, com um mínimo de competência, iria discutir com um potencial treinador a ser contratado, a filosofia do clube, e até o, ou os sistemas tácticos, para evitar aberrações como a dos cinco defesas, ou três centrais, ou seja lá o que aquela coisa era.

Saudações Benfiquistas
José Rama disse…
Reproduzo o que escreveu:
"O que Schmidt, certamente com a colaboração de toda a estrutura, fizeram de melhor até agora foi estabelecer um sistema de jogo à Benfica, deixando a treta dos três centrais para trás"...
E, "irem buscar jogadores"... é uma exigência do próprio técnico.
Se a estrutura é a mesma por que não fez isso antes?...