Sucesso

Uma vitória complicada num campo onde poucos tinham passado. Não foi uma exibição de encher o olho, mas nesta altura o mais importante era mesmo voltar às vitórias e somar os três pontos.


 



 


A principal novidade neste jogo foi o regresso do Samaris à titularidade, o que significou o avançar no terreno do Taarabt para apoiar o Vinícius. Na esquerda, o escolhido foi o Rafa e o Cervi ficou no banco. O Benfica teve uma boa entrada no jogo. O que aliás seria a atitude mais avisada. Depois do cansaço do jogo a meio da semana somado à viagem longa até à Ucrânia e com novo jogo já daqui a três dias, o pior que poderia acontecer seria deixar o nulo arrastar-se durante muito tempo. O Benfica entrou a pressionar alto e a cortar cerce a saída de bola do Gil Vicente, que até ao golo do Benfica praticamente não conseguiu montar uma jogada de ataque. Golo que surgiu relativamente cedo: precisamente quando estava decorrido o primeiro quarto de hora. Depois de um livre a favor do Benfica ser mal marcado na direita pelo Pizzi (para variar) o Taarabt recolheu a segunda bola do outro lado do campo e junto à esquina da área fez um cruzamento perfeito que levou a bola a encontrar o Vinícius completamente sozinho bem no centro da área. O cruzamento foi tão bem feito que o Vinícius até conseguiu marcar de cabeça, quase nem precisando sequer de saltar. Foi muito importante termos marcado primeiro e ainda numa fase inicial do jogo. Face ao momento da equipa, o arrastar do nulo ou, pior ainda, um eventual golo inaugural por parte do adversário poderiam ter consequências desastrosas. Depois de obtida a vantagem, houve uma natural reacção por parte do Gil Vicente, que começou a conseguir finalmente surgir no ataque com perigo, mas o Benfica ia sempre respondendo e ameaçando chegar ao segundo. Aliás, chegou mesmo, mas este foi anulado porque a equipa de arbitragem considerou que o Vinícius, em posição irregular no início da jogada, terá tido influência na mesma. É discutível mas posso aceitar, embora consiga imaginar o que se escreveria se o lance fosse ao contrário. Já tenho muito mais dificuldades em aceitar que não se tenha assinalado penálti por um corte com a mão a um cruzamento feito em esforço pelo Grimaldo. Depois do penálti absurdo marcado contra nós no Estádio do Ladrão não há nenhuma justificação que me possam dar para que isto não tenha sido penálti. No Benfica notou-se uma clara preocupação do Samaris em ajudar a fechar o lado esquerdo, já que seria previsível que o Gil Vicente tentaria explorá-lo. E quando o nosso adversário conseguia rematar à baliza, o Vlachodimos esteve sempre em bom plano. Perto do intervalo o Vinícius esteve muito perto de fazer o segundo golo depois de uma incursão do Rúben Dias como autêntico extremo direito.


 



 


Na segunda parte a palavra de ordem foi segurar o resultado. Não sei se houve fadiga do jogo anterior ou gestão de esforço a pensar no próximo jogo, mas recuámos as linhas e arriscámos muito menos no ataque - apesar de termos tido uma grande ocasião logo a abrir o segundo tempo, mas o Vinícius primeiro controlou mal a bola, e depois o remate que ainda conseguiu fazer desviou num defesa e passou ligeiramente ao lado. Ao contrário do que vem sendo habitual, as maiores preocupações acabaram por surgir não na esquerda mas na direita, onde o Tomás Tavares revelou dificuldades para estancar as iniciativas do Gil Vicente, tendo até cometido alguns erros básicos que resultaram em situações complicadas. O Gil Vicente conseguiu equilibrar um pouco as contas no que à posse de bola diz respeito e foi muito mais rematador, embora a grande maioria desses remates não tenham levado grande perigo à nossa baliza. A situação mais perigosa foi um remate do recém entrado Hugo Vieira, que apareceu solto sobre a direita e rematou à figura do Vlachodimos (depois do Tomás Tavares ter perdido o duelo aéreo junto à linha final). No Benfica, o momento alto foi uma jogada individual do Taarabt, que dentro da área recebeu um passe longo no peito, com o pé direito tirou o defesa do lance, e com o esquerdo rematou de primeira e fez a bola acertar com estrondo na barra. Teria sido um golo olímpico. Só nos dez minutos finais é que o Bruno Lage mexeu na equipa, tendo feito trocas quase directas: Vinícius por Dyego, Rafa por Cervi e Samaris por Chiquinho (o Taarabt recuou para o meio campo). A equipa até ganhou algum fôlego com as alterações e na fase final do jogo conseguiu manter o Gil Vicente longe da nossa baliza sem grande dificuldade (nem sei se o Gil Vicente voltou a conseguir rematar) tendo até construído uma boa oportunidade para sentenciar o jogo, que o Cervi não conseguiu concretizar.


 



 


Para destaques no Benfica escolheria o Vlachodimos e o Rúben Dias. Têm sido dos jogadores em melhor nível durante esta fase mais titubeante da nossa equipa, e hoje não fugiram à regra. O Taarabt não esteve mal, mas por motivos óbvios a jogar nesta posição mais avançada perdeu protagonismo, já que não intervém tanto no jogo. O Samaris foi útil a ajudar a fechar aquele espaço entre o Grimaldo e o Ferro, mas esteve muito mal no passe. Pizzi e Rafa continuam abaixo daquilo que precisamos, e o Tomás Tavares foi o jogador que maiores dificuldades revelou durante todo o jogo. Foram demasiados duelos individuais perdidos (também é verdade que foi muitas vezes deixado em situações de 1x1) e somou a isso erros graves, como um passe atrasado péssimo que quase deixou um adversário isolado, ou perdas de bola infantis.


 


Era um campo complicado e um jogo que muitos tinham esperança que desse continuidade à senda de maus resultados que atravessamos. Por isso mesmo era importantíssimo ganhar, mesmo que fosse a jogar mal - era mesmo uma situação em que tínhamos primeiro e acima de tudo que jogar para o resultado. Sob esse ponto de vista, este jogo foi um sucesso. Claro que teria preferido uma exibição convincente e uma vitória por uma margem folgada, mas nesta fase eu aceito tudo o que for um passo na direcção desejada. Agora é preciso aproveitar para reforçar os níveis de confiança da equipa e dar sequência à vitória. Esgotámos toda a margem de manobra que tínhamos, por isso agora teremos que andar sempre no fio da navalha.

Comentários

Anónimo disse…
No geral, e o que conta, foi termos ganho. Nem que isto seja uma vitoria moral por agora.
Ainda nao compreendo o que anda o Tavares a fazem em campo e muito menos percebo o facto do Samaris nao estar mais vezes em campo.
Os treinadores de futebol, e outros, nao sao para se entender de imediato mas para irmos entendendo ate a confusao final das suas decisoes.
O Lage entrou bastante bem no Benfica mas desde Agosto que nao percebo as suas decisoes. Ao que vou entendendo percebo que ele afinal nao esta acima de ninguem. Enfim. O Benfica tem muito trabalho pela frente espero que ainda va a tempo de chegar ao titulo
Henrique Teixeira disse…
O mais importante era ganhar e o Benfica ganhou.
Foi grande o sofrimento, porque um golo de vantagem pode ser anulado mesmo já depois do último minuto de descontos. Por isso quando vi o árbitro a apitar pela última vez ergui com força os dois braços e e gritei eufórico: ganhamos.
O que mais me irritou durante a maior parte do jogo foi a falta de velocidade e de garra, fatores em que o modesto adversário esteve quase sempre, para não dizer sempre, por cima.
É certo que a equipa tem jogado duas vezes por semana com poucas mudanças de jogadores e isso terá que ter reflexos na falta de frescura que se nota. Por isso o jogo desta 5.ª feira será um dilema: Se o Benfica passar a eliminatória arrisca-se mais depressa a perder pontos, que serão fatais, no campeonato; se for eliminado subirão de tom as críticas à equipa, ao treinador, ao presidente e até a toda a estrutura.
Voltando ao jogo de Barcelos deve-se dizer que Odysseas foi mais uma vez o nosso anjo da guarda. Grande guarda- redes. Também gostei de Ferro, que tem sido o principal bombo da festa nas nossas últimas derrotas. Não devemos ignorar que na época passada ele foi um dos grandes obreiros na conquista do título.
Saudações Benfiquistas.
Anónimo disse…
O árbitro lagarto e o VAR roubaram mais um golo ao Vinicius ao Benfica. Não estava off side, apenas de posição, era uma nova jogada.
Apesar de cansados, ganhámos onde os dragartos perderam.
Anónimo disse…
b
Boa tarde,
Mais um comentário com valorização do que se passou.
Mantivemos o primeiro lugar da competição, embora os de contumil quando ganharam o seu jogo com o porto b, com a ajuda do martinez, tivessem dito que estavam em primeiro, queriam????.

Gostei da primeira parte e não tanto da segunda. Recuaram muito as linhas dando o jogo todo ao gil. Porém aquela jogada doTaarabt merecia melhor sorte.
Agora é continuar na senda das vitórias para que os andrades não olhem para baixo.

Saudações benfiquistas
Anónimo disse…
Para quem não tenha visto o jogo neste post está a realidade do que se passou em campo.
Luís Manuel disse…
Olá D'Arcy, e obrigado pelo post.

Foi uma vitória importantíssima! Muita gente apostava as fichas todas neste jogo, esperando mais um mau resultado nosso após os últimos jogos. Era fundamental darmos uma boa resposta, e demos. Claro que o resultado foi melhor do que a exibição, mas é isso mesmo: nesta altura vale o resultado, e a subida dos níveis de confiança da nossa equipa. Valeu pela luta! Que pena não ter entrado aquele remate do Taarabt... e não me surpreendeu muito o árbitro não ter assinalado o penálti.

De acordo com os destaques individuais que fazes. Odysseas e Rúben são dois esteios, mas gostei bastante do Taarabt e do Samaris. Este último, com mais tempo de jogo e mais acerto no passe, poderá ser muito útil à equipa. Nunca vira a cara à luta e acho que acrescenta muita solidez ao nosso meio-campo.

Agora é concentração total no próximo e muito , muito difícil jogo para a LE. Temos equipa para dar a volta à eliminatória. Uma boa exibição e a passagem à eliminatória seguinte seria um grande tónico.

Força, Benfica!