Bis

Segundo jogo oficial da época, e porque os bons hábitos são para manter, segunda goleada. Um bis dos números da Supertaça. Os resultados volumosos parecem ir acontecendo de forma quase natural, quase que uma conclusão lógica para a forma como abordamos os jogos.


 



 


Não sei se o problema é meu, mas mais uma vez nem achei que o Benfica tivesse feito uma exibição assim tão boa. Só que a constante de sermos capazes de criar ocasiões de golo com bastante frequência durante um jogo nas quais colocamos sempre diversos jogadores em situação de finalizar aumentam muito as possibilidades de concretização. E depois há aquele pormenor de não tirarmos o pé do acelerador nas fases finais dos jogos, mesmo com o resultado feito, o que faz com que marquemos golos nessa altura (desconfio que é por isso que agora os árbitros estão a dar apenas um minuto de compensação quando os jogos justificariam bastante mais tempo). Quanto ao jogo, começámos  a jogar para a baliza grande porque o Paços achou engraçado tentar a falta de educação de trocar a ordem de escolha dos campos. Não faço ideia porque motivo acham que isso lhes traz algum tipo de vantagem, porque regra geral o resultado para quem tenta isso é mau - basta recordar que o Nacional o ano passado também o fez. Para mim é simplesmente falta de educação - e como ser-se convidado para ir a casa de alguém e sentarmo-nos no lugar do anfitrião. Enfim. Em termos de futebol, nem começámos mal, com um par de jogadas em que o De Tomas cruzou rasteiro para que o Seferovic só tivesse que desviar para o golo, mas o suíço não conseguiu chegar à bola em ambas as ocasiões. Um canto de laboratório também permitiu um remate ao Grimaldo que ficou perto do golo. Depois o Paços foi conseguindo acertar marcações e fechar os caminhos para a baliza e o jogo tornou-se mais feio e complicado. O Paços tentava sair através de bolas longas e em certos períodos o Benfica teve dificuldade em ganhar as segundas bolas depois destas serem cortadas pela defesa, ou tocadas pelo Tanque que jogava no ataque do Paços. A ausência do Gabriel fez-se notar porque o Samaris não tem a mesma capacidade de passe, e por isso a bola demorava mais a chegar aos flancos, o que dava tempo ao adversário para fechar. Na direita, o Nuno Tavares revelava sempre alguma dificuldade para dar profundidade devido à 'falta' de pé direito. Mas pouco depois do meio da primeira parte, e numa altura em que o Benfica ensaiou algumas vezes o Pizzi a encostar mais na direita permitindo ao Nuno flectir para o meio, surgiu o golo que desbloqueou o nulo. O Pizzi deixou a bola no Nuno, que bem fora da área a ajeitou e depois desferiu um remate que fez a bola entrar bem juntinho do poste mais distante. Um golaço na estreia para um jogador que tem tudo para se impor no Benfica, sobretudo quando jogar na sua posição natural. Cinco minutos depois, penálti assinalado a nosso favor depois de um corte claro com a mão dentro da área, e o Pizzi concretizou com facilidade. Até ao intervalo, ainda houve uma boa ocasião para o Samaris, mas ele inclinou-se todo para trás no momento do remate e a bola foi para a bancada.


 



 


Tendo em conta que o Paços, apesar da boa vontade, não criou uma ocasião real de golo (a única que criou foi anulada por posição irregular) a sensação era que o Benfica voltava para a segunda parte com o jogo praticamente resolvido. Mas deste Benfica habituámo-nos a esperar futebol de ataque e golos até ao apito final, por isso todos antecipávamos ver o resultado ampliar-se. O início do segundo período confirmou isso mesmo, com o Samaris a desperdiçar uma ocasião flagrante de golo, depois foi o De Tomas, e a seguir o Seferovic, quando tentou finalizar um contra-ataque com o pior pé, o direito. Em todas estas ocasiões o jogador que finalizou tinha ao seu lado um colega solto de marcação - pena o egoísmo revelado. Depois aos sessenta e cinco minutos, quase em simultâneo, duas situações que acabaram por ter influência no avolumar do resultado. Primeiro, um jogador do Paços foi expulso por acumulação de amarelos, ao travar a saída do Nuno Tavares para um contra-ataque. Depois, o Chiquinho rendeu o De Tomas e veio dar outra dinâmica ao ataque. Cinco minutos depois, surgiu o terceiro golo. O Nuno Tavares (a aparecer mais vezes adiantado na segunda parte) descobriu o Chiquinho na área, que cruzou para o Seferovic empurrar para a baliza. E passados outros cinco minutos, o quarto, desta vez com o Nuno Tavares a assistir o Pizzi para um remate cruzado de ângulo muito apertado, que fez a bola entrar junto ao poste mais distante. Depois deste golo o Benfica fez duas alterações, continuando a apostar no ataque. Estreia do Vinícius, que entrou juntamente com o Jota, rendendo o Rafa e o Samaris - o Chiquinho passou para o meio campo e o Vinícius foi formar dupla no ataque com o Seferovic, ficando o Jota na esquerda. Jota que esteve muito perto de marcar o seu primeiro golo oficial pela equipa principal, mas o guarda-redes conseguiu desviar para canto. Não marcou ele, marcou o Vinícius no minuto seguinte, quando faltavam seis para acabar. Cruzamento rasteiro do Nuno Tavares na direita, e finalização ao segundo poste para se tornar no segundo jogador a marcar esta noite na estreia para a Liga pelo Benfica.


 



 


Homem do jogo, para mim, o Nuno Tavares. Apesar das dificuldades por estar a jogar adaptado a uma posição que não é a sua, o golo que começou a demolir a resistência do Paços e duas assistências na estreia no Estádio da Luz é simplesmente brilhante. O Pizzi também merece destaque, pois marcou dois golos e, apesar do mérito ser quase todo do Nuno Tavares, para todos os efeitos a assistência para o primeiro golo é dele. O Florentino voltou a estar em bom nível.


 


Um óptimo resultado na estreia para a Liga, para ajudar a afastar cada vez mais aquela maldição que tivemos durante várias épocas de quase nunca ganharmos estes jogos. E melhor ainda quando complementada com a derrota de um dos adversários directos contra outra equipa recém-promovida. Agora é começar já a pensar no jogo contra a única equipa que a época passada conseguiu tirar-nos pontos desde que o Bruno Lage tomou o comando. Todo o cuidado é pouco.

Comentários

Redpower disse…
De acordo que a exibição nem foi assim tão exuberante. De qualquer forma os golos surgem de forma muito natural.

Este Benfica entusiasma e está fortíssimo!

Há é que segurar o nosso treinador desde já com uma cláusula como se impõe. É ele o autor deste futebol entusiasmante que estamos a praticar! Dá gosto e deixa o universo benfiquista feliz!

Um bem haja aos 63000 benfiquistas que estiveram presentes! Que seja sempre assim!

VIVA O BENFICA!
Jose Cunha disse…
Para mim falta de educacao é chamar o adversario de "visitante" ou escrever sempre o seu nome com minusculas. A escolha de campo é uma opcao de jogo como jogar com 5 defesas ou pressionar alto. Para alem disso, um clube tem de saber para que lado o adversario gosta de jogar de forma a ser educado?

Se calhar no estadio é algo importante para as claques, mas para quem sempre teve de ver o Benfica pela TV o enfase dado a isto parece um bocado exagerado.
Chakraindigo disse…
https://www.youtube.com/watch?v=E47asLfITQA
António Madeira disse…
Olá, D`Arcy.
Espero que esse interregno te tenha dado o descanso suficiente para a grande maratona que ontem começou.

"Os resultados volumosos parecem ir acontecendo de forma quase natural, quase que uma conclusão lógica para a forma como abordamos os jogos."

Esta é a frase que resume o atual momento do Benfica.
Mesmo num resultado de 5-0, tal como contra os sapos, agora é ver os Benfiquistas a discutir... a cor das chuteiras do Chiquinho, ou o charutão do Seferovic para a bancada. A equipa joga de tal maneira, de forma descontraída e "natural" que já se exige pelo menos o 3-0 ao intervalo. É bom? Claro que sim. Afinal de contas, o número incrível de situações de golo criadas, o número de jogadores que metemos na área ou nas imediações dela, a quantidade de jogadas diferentes que apresentamos, seja pelas laterais, pelo meio, em jogo apoiado ou direto, é absolutamente avassalador e é dificílimo manter a concentração defensiva perante um leque tão alargado de soluções, que surgem em catadupa, sem dar descanso físico e mental a quem defende.
Não me lembro, desde que sou do Benfica, de ver este futebol total, ocupando todos os setores do campo, com a bola no chão ou no ar, com pressão constante e com uma suavidade natural de quem sabe claramente o que está a fazer em campo. Sem gritarias, com naturalidade e respeito pelos adversários.
E a prova está no empolgamento que esta equipa gera antes dos jogos, com o espetáculo que são as conferências do Lage, com o Clube a carburar em todas as suas muitas modalidades, com os Benfiquistas orgulhosos do caminho que temos trilhado e ansiosos pelo futuro que nos espera.

Mas nada disto servirá se não mantivermos o foco. Se não trabalharmos diariamente para chegar ao próximo jogo e lutar até ao fim pela vitória. Com o Laje, estamos sempre mais perto de manter os níveis de concentração, não é por acaso que ele promove a competição em cada posição, para ninguém se acomodar, transmitindo também para fora que lá dentro não há euforias. Não é uma frase feita, porque se vê isso espelhado nos olhos de quem entra para substituir um colega, seja dentro ou fora do relvado.

Ainda agora a procissão está a sair do adro e muita coisa vai ainda acontecer. Não esperem que a aliança dragarta fique de braços cruzados a ver tudo isto a acontecer. Alguma macacada hão de arranjar. Não para saírem do buraco onde se encontram, mas para tentarem arrastar-nos lá para dentro.

Cabe-nos a nós mantermo-nos ao lado desta equipa, nos bons e nos maus momentos.
Eu lá estarei, no início, como no fim.

Força, Benfica!


D'Arcy disse…
A escolha de campo só tem alguma importância estratégica se o relvado estiver em mau estado e houver diferenças entre uma metade e a outra, ou se houver vento a soprar numa direcção específica. Ontem não era esse o caso. Para mim é uma falta de educação. Se não sabe qual é o lado (como se fosse necessária uma investigação profunda para isso) deixa que seja o clube da casa a escolher. Quando vamos jantar a casa de alguém não escolhemos o lugar à mesa, pois não? Esperamos que o anfitrião nos indique onde nos devemos sentar.
Jorge disse…
Com tantos milhoes,não se compreende que não comprem um razoável central e dois laterais razoaveis,para a dideita e esquerda.
Pensar que o Seixal dá para tudo,é pura ilusão. Está aí o sucessor natural do pizzi :bruno fernandes.,tem bom passe e bom marcador de livres.
Dava para gerir má forma e gestão de cartões, slem de ser um jogador.