Difícil
A exibição voltou a não ser daquelas de encher o olho, mas discordo completamente do catastrofismo que hoje tenho visto acerca da mesma. Para mim o Benfica fez uma exibição relativamente segura, tendo conseguido assim trazer os três pontos de um campo difícil. Se a equipa neste momento tivesse um pouco mais de confiança em si própria, provavelmente teria sido uma vitória mais tranquila, mas mesmo assim acabei por achar que o jogo foi bem menos problemático do que eu antecipava.
A nota mais relevante de início foi o regresso do Rodrigo ao onze, formando dupla com o Lima e relegando o Cardozo para o banco. No meio campo, regresso à fórmula da época passada, com o Enzo no meio a fazer companhia ao Matic, tendo assim o lado direito ficado entregue ao Markovic. Se os minutos de entrada até fizeram pensar num jogo mais movimentado e emocionante, essa ideia depressa desapareceu. O jogo foi extremamente disputado, sim, mas a bola passou a maior parte do tempo longe das balizas, com as oportunidades a escassearem. O Benfica chegou cedo ao golo, num cruzamento teleguiado do Gaitán que descobriu o Lima completamente sozinho na zona do segundo poste, permitindo-lhe um golo fácil de cabeça - felizmente para nós, nesse momento o Lima mostrou acerto na finalização, algo que não voltou a mostrar durante o resto do jogo. A reacção do Benfica ao golo madrugador foi tentar diminuir o ritmo de jogo. Talvez por reflexo da pouca confiança que a equipa parece continuar a ter em si própria, o Benfica pareceu apostar em fazer um jogo o mais seguro possível. Não nos remetemos à defesa, mas simplesmente arriscámos muito pouco - tentando fazer apenas passes de pouco risco, transições menos rápidas e com menos jogadores a sair rapidamente para o ataque, e poucas iniciativas individuais. O resultado foi o tal jogo algo aborrecido, com poucas ocasiões de perigo, e muita disputa na zona do meio campo. Não me recordo de qualquer defesa mais apertada de qualquer um dos guarda-redes, sendo que a resposta do Estoril foi dada sobretudo através de tentativas de remate de fora da área. A meio da primeira parte ficámos sem o Markovic devido a uma lesão muscular (mais uma...) e mesmo sobre o intervalo tivemos uma ocasião soberana para deixar o jogo muito bem encaminhado, pois vimos finalmente um penálti ser assinalado a nosso favor. Mas na ausência do Cardozo foi o Lima quem foi chamado, e ele permitiu a defesa do guarda-redes.
No regresso do intervalo o jogo continuou mais ou menos na mesma toada, mas sinceramente até me pareceu que o Benfica conseguiu adormecer ainda mais o ritmo de jogo, e consequentemente controlar melhor qualquer possível ameaça do Estoril. Passámos a gerir melhor a posse de bola, ainda que, sempre, sem arriscar quase nada. O cenário ficou ainda mais favorável com a expulsão de um jogador adversário, após terem decorrido apenas dez minutos, mas nem mesmo assim o Benfica pareceu interessado em imprimir um ritmo maior ao jogo, preferindo continuar a jogar pelo seguro. As oportunidades continuavam a ser muito poucas, mas estive sempre com a sensação de que seria mais provável o Benfica fazer o segundo golo, e nunca me senti particularmente nervoso com a possibilidade do Estoril empatar. E a vinte minutos do final o Benfica chegou mesmo a esse golo (um minuto antes já tinha estado perto, mas o Enzo não conseguiu controlar a bola quando estava solto na marca de penálti). O golo foi um pontapé fantástico do Cardozo, à meia volta, de primeira e de pé direito, depois de um cruzamento do Maxi na direita. A bola descreveu um arco e entrou quase no ângulo, sem qualquer hipótese de defesa para o guarda-redes. Pensei então eu que, com dois golos de vantagem e um jogador a mais, teríamos a questão resolvida. Mas o Estoril quase marcou no pontapé de saída - o Artur defendeu com dificuldade para canto a tentativa de chapéu, que aproveitou bem o vento e o seu adiantamento - e na sequência do mesmo o Balboa reduziu a vantagem, num cabeceamento demasiado à vontade no centro da área. O golo voltava a lançar alguma incerteza no resultado, mas não me pareceu que a nossa equipa tivesse acusado muito o golpe. Poderíamos aliás ter reposto a vantagem imediatamente a seguir, mas o Lima falhou de forma grosseira uma oportunidade soberana que o Cardozo lhe proporcionou. Até final do jogo o Benfica continuou a guardar a bola e o Estoril pouco ou nada conseguiu ameaçar ou pressionar na procura do empate, mas nos instantes finais tudo poderia ter mudado. O Maxi viu o segundo amarelo a um minuto do fim, e na última jogada do jogo a nossa defesa (guarda-redes incluído) atrapalhou-se, tendo proporcionado um remate muito perigoso ao Estoril, ainda que de ângulo muito apertado.
Num jogo sem grandes destaques individuais, gostei bastante de ver o Gaitán. Sobretudo pela atitude que mostrou durante todo o jogo - não é muito habitual vê-lo tão activo e empenhado na luta pela recuperação da bola e na ajuda à defesa. Para além disso foi dele o cruzamento perfeito para o primeiro golo, e foi dos jogadores mais activos no ataque. Achei também que o Enzo fez um bom jogo, e o Cardozo teve uma boa entrada - marcou um grande golo e ofereceu outro ao Lima, que era bem mais difícil de falhar do que marcar.
É certo que a exibição não foi das mais vistosas, mas repito que não concordo com o que hoje já li sobre a mesma. O jogo era difícil, e a vitória acabou por ser alcançada de forma bem menos complicada do que eu esperava. Pareceu-me perfeitamente natural que uma equipa que anda com os níveis de confiança por baixo, vinda de uma derrota pesada, tivesse apostado em não arriscar demasiado quando estava em vantagem no marcador, em vez de se lançar numa cavalgada desenfreada sobre o adversário, deixando a equipa desequilibrada e exposta a eventuais contra-ataques - ainda por cima quando todos sabemos que esse é precisamente um dos pontos mais fortes do Estoril. Talvez aqueles dois lances no final (expulsão do Maxi e a oportunidade do Estoril) tenham contribuído para deixar uma imagem mais negativa da nossa exibição, mas na minha opinião a vitória do Benfica só pode ser colocada em causa por manifesta má vontade.



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