Benfica B
Depois da equipa principal do Benfica, a equipa que tenho seguido com mais atenção é o Benfica B.
Como já havia referido num post anterior, gosto da preocupação que Norton de Matos tem demonstrado em pôr a equipa a jogar sempre de acordo com o modelo de jogo preconizado, evitando recorrer a subterfúgios tácticos em nome do "resultadismo".
Claro que o objectivo da vitória deve estar presente em cada jogo em que o Benfica participa, seja em que escalão ou modalidade for. Mas convem não esquecer que o objectivo principal da equipa B é a formação de jogadores, com o objectivo de um dia integrarem a equipa principal. Esse objectivo já está a dar frutos, como são os casos de André Gomes e, de certa forma, André Almeida.
Por outro lado, a equipa B funciona como uma espécie de "laboratório" que permite, em contexto competitivo, refinar um modelo de jogo e as respectivas formulações tácticas. A 2ª liga é uma óptima competição para o fazer, pois é constituida maioritariamente por equipas com jogadores experientes, que tentam, primordialmente, neutralizar os argumentos técnicos das equipas adversárias. Preparar os nossos potenciais futuros jogadores para serem capazes de superar esse tipo de oposição é, sem dúvida, uma mais-valia, pois é esse tipo de oposição que a equipa principal do Benfica tem de enfrentar na maioria dos jogos em que participa. Quantos jogadores, tecnicamente dotados, não singraram no Benfica precisamente por não estarem preparados para defrontar equipas maioritariamente preocupadas com a vertende defensiva, sem olhar a meios?
Tratando-se do Benfica, e mesmo sabendo que o objectivo pricipal é formar jogadores, não gostamos que a equipa B sofra derrotas, sobretudo como a da semana passada, contra o seu homólogo da 2ª Circular (tivesse o jogo sido contra a equipa principal dessa mesma agremiação, talvez o resultado fosse outro!).
Se a derrota, em si, foi negativa (como o são todas as derrotas), permitiu, por outro lado, identificar lacunas desta equipa, contra um adversário que tem, ao contrário da maioria dos que militam na 2ª liga, o mesmo objectivo: formar jogadores e aperfeiçoar um modelo de jogo, de modo a servir a equipa principal. Adversário esse que tem a vantagem de ter um grupo que está junto há mais anos. Uma das lacunas foi a ausência de um ponta-de-lança "matador", capaz de concretrizar algumas das várias oportunidades que o Benfica criou nesse jogo. Da mesma forma, teve faltas de concentração que foram bem aproveitadas pelo adversário para construir a vantagem. Estas duas situações têm obstado a que o Benfica B, apesar da qualidade do futebol demonstrado (com maior ou menor regularidade), tenha alcançado as vitórias que, obviamente, ambicionamos.
Porém, no jogo de hoje, contra um dos adversários mais bem classificados na 2ª liga e um dos candidatos à subida, num campo mais apropriado para exploração agrícola, o Benfica B voltou a demonstrar a qualidade do trabalho que tem vindo a ser feito e a subir, a meu ver, mais um degrau nesse percurso cujo objectivo, como foi mais uma vez frisado por Norton de Matos, é preparar jogadores para o plantel principal.
Apesar de ter sofrido um golo como resultado de uma falha técnica, conseguiu superar as dificuldades impostas pelo adversário e pelo terreno de jogo (?) e, com bastante pragmatismo e determinação (qualidade essenciais em qualquer equipa profissional), mas sem deixar de ser fiel aos seus princípios de jogo, "dar a volta" e vencer um jogo contra um adversário difícil, no seu terreno.
Claro que esta vitória é "apenas" isso, uma vitória. Não faz com que o Benfica B seja a melhor equipa B da Europa e quiçá de Portugal. Mas interpreto-a, dadas as circunstâncias em que foi obtida, como mais um patamar que foi alcançado por este projecto e como uma demonstração do óptimo trabalho que tem vindo a ser feito a este nível e cujos frutos mais visíveis já são bem conhecidos, como já mencionei.
Falando nas individualidades, gostaria de destacar a "ominpresença" e disponibilidade física de Luciano Teixeira, a capacidade técnica de Cancelo e Cavaleiro (jogadores de grande potencial mas que precisam de amadurecer), a segurança de Mika (mesmo apesar do golo sofrido em Penafiel - ainda que com a atenuante de a trajectoria da bola ter sofrido um efeito imprevisível devido ao forte vento ) e a qualidade de remate e passe de Miguel Rosa (que, como muito bem diz o Gonçalo ("D'Arcy"), até marca livres tomahawk, a fazer lembrar o Juninho Pernambucano). Destaque ainda para o Deyverson, que talvez seja o ponta-de-lança "matador" que falta a esta equipa, e para Sidnei, que sendo claramente jogador da equipa A, está a aproveitar bem esta oportunidade para recuperar a forma (leia-se, perder uns bons quilogramas) e demonstrar que o seu lugar é mesmo a equipa A.
Aproveito para me questionar (embora sem, obviamente, por em causa o mérito do trabalho feito), se não seria de aproveitar a equipa B para dar oportunidades a Alan Kardec (e até mesmo ao guarda-redes Júlio César), apesar de ter alguma curiosidade em Deyverson (enquanto que Mika já demonstrou o seu valor, ao passo que Bruno Varela precisa de amadurecer e a equipa B é uma boa oportunidade para o fazer).
E posto isto, agora só quero é ganhar ao Rio Ave!
Comentários
(não, não é nenhum jogador de futebol, nem sequer uma pessoa!)
Só demonstra inteligencia e profissionalismo, deixemos os titulos pra melhor academia do mundo. A nós basta-nos que vão entrando aos poucos na equipa A, 1 ou 2 jogadores.
E la vão caindo os mitos sobre o Jesus, do Melgarejo ja ninguem fala, do Lima ja todos falam, do Enzo ja falam pouco e agora ja nem dos portugueses falam.
Agora pra explicar que nao foi o Jesus que mandou embora o Javi e o Witsel é que é mais complicado.
Ou então deviam preferir ter um treinador que pedisse pra enterrar uns quaisquer 5M num trinco argentino qualquer, pra vir aquecer o banco. Ah não, se fosse assim o gajo era comicionista.
brilhante.
Nem vale a pena dizer muita coisa porque o tma disse tudo o que há de relevante para dizer.
Saliento apenas que a equipa B não serve definitivamente para sermos campeões da segunda liga, e muito menos campeões da segunda circular dos pequeninos.
Os títulos da equipa B chamam-se André Gomes, André Almeida, e outros que estão na calha.
Destes saliento o João Cancelo. Esté verde como muito bem diz o tma, mas gostava de o ver em alguns jogos na Luz sem grandes obrigações defensivas. Tem uma capacidade desequilibradora absolutamente extraordinária.
Mika, Cancelo, Ascués, Sidnei, Rosa, Pimenta, Almeida, Gomes, Cafú, Cavaleiro e Correa... sem dúvida nenhuma... e destes o Rosa é o Maior!
"Falando nas individualidades, gostaria de destacar a "ominpresença" e disponibilidade física de Luciano Teixeira, a capacidade técnica de Cancelo e Cavaleiro (jogadores de grande potencial mas que precisam de amadurecer), a segurança de Mika (mesmo apesar do golo sofrido em Penafiel - ainda que com a atenuante de a trajectoria da bola ter sofrido um efeito imprevisível devido ao forte vento )"
Onde se lê Mika deve ler-se Bruno Varela! Tem sido ele a jogar já há vários jogos atrás...
Do que tenho visto, o Mika tem estado bem, apesar me parecer que podia ter feito melhor no primeiro golo sofrido em Penafiel (embora o vento forte tenha alterado a trajectória da bola de forma imprevisível, "empurrando-a" para a baliza).
O Bruno Varela só apareceu de forma consecutiva nestes dois últimos jogos. Teve alguns erros: com o ceportem B (mal posicionado no 2º golo, de livre) e hoje contra a Oliveirense (cujo golo resultou de uma bola que largou). Mas mesmo assim, só jogando é que pode evoluir!
Enquanto que o Mika parece já ter demonstrado o que vale, é importante que o Bruno Varela também tenha as suas oportunidades.
Eu vejo o jogos da B com uma emoção diferente dos da equipa principal, como se estivesse a olhar para uma bola de cristal, há ali tanto de Benfica, deliro com cada jogada, cada pormenor, com a atitude dos jogadores, com a categoria do treinador, em relação a este último, faz-me ter saudades de ver um pouco de classe/nível numa flash interview da equipa principal.
É bem verdade que a equipa ressentiu-se da ausência do Jardel e dos Andrés a meio do terreno, mas não deixa de ter uma identidade própria e isso é fantástico.
Tenho poucas dúvidas que se "tivesse o jogo sido contra a equipa principal dessa mesma agremiação" que o resultado tivesse sido outro, ou quase nenhumas.
Basta recordar o comportamento que teve Jardel no início da época. A diferença é da noite para o dia. Pena não dar para juntar o potencial de um e o carácter do outro.
Discordo também da utilização de Julio César e Kardec . Apenas iriam retirar espaço a outros jogadores (no caso do guarda-redes temos 2 jovens que ir
ao dividir tempo e jogo, não faz sentido). Só em situações muito particulares, como a que motivou a utilização do Jardel, é que concordo com o recurso ao plantel principal.