Que farei eu com esta espada?
Na mesma semana, com época a mais de meio, o nosso Benfica fraquejou e mostrou que não é invencível. Perdemos a invencibilidade na Champions League e também no Campeonato Nacional.
Há dois momentos em que as lideranças se distinguem: no momento da vitória, da segurança, e no momento da derrota, da ameaça. Nesses dois momentos, o líder tem o poder, tem a Excalibur. Tem a obrigação de, tal como o Conde D. Henrique no poema pessoano, olhar para a espada que tem em mãos e perguntar-se o que fazer com ela. Poderíamos, se não fôssemos Benfica, manter a espada na bainha, não agir, entregarmo-nos à frustração da derrota e, acreditando na campanha montada na mediocridade dos editoriais encomendados, fazer do pessimismo e do desânimo o caminho. Uma vez que somos Benfica, este caminho não é, não pode ser, opção. Seguimos em frente na liderança do campeonato e estamos obrigados a vencer adversário após adversário, com a convicção de que nenhum deles fará, como pontualmente fazem com alguns dos nossos rivais, do jogo uma farsa com vencedor antecipado. Deste modo, resta-nos lidar com a perda da invencibilidade como uma oportunidade para regressar ao bom hábito das vitórias. Resta-nos cumprir este propósito com humildade, a mesma que serve de base para se fazer uma caminhada digna; com ousadia, a mesma que distingue o conformadinho (assim mesmo em diminutivo) do inconformado; e, essencialmente, com uma entrega total, aquela que transforma homens em heróis.
Temos a espada em mãos, logo, o único caminho a seguir é, tal como no poema pessoano, erguê-la e fazer. Menos do que isto é trair o que há de Benfica em cada um de nós. Enfrentemos o futuro, sem medos.
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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 21 de Fevereiro e publicado na edição de 24/02/2012 do jornal "O Benfica".
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