A herança do benfiquismo
O benfiquismo renovou-se, em festa, no dia 28. Mais de cem anos depois de os fundadores terem ousado sonhar o Benfica, uma obra em eterna construção, o benfiquismo demonstra-se saudável.
Serve a evocação simbólica da data fundadora para recordar que o Benfica se transformou em muito mais do que um clube, uma marca ou um produto. O Benfica transformou-se num veículo de valores morais e responsabilidades sociais que ultrapassam a miopia da espuma dos dias.
Hoje em dia, podemos olhar para a nossa história com a certeza de que nada nela nos envergonha e muito dela nos orgulha. Tivemos a dignidade de nos construirmos com vitórias e derrotas, com sonhos e frustrações, mas sempre com a honra de não alicerçarmos o nosso benfiquismo em práticas criminosas de corrupção desportiva. Também nisto nos diferenciamos de alguns, e também por isso podemos olhar para os nossos adversários com orgulho na nossa identidade e de olhos nos olhos.
No entanto, esta herança gloriosa implica responsabilidades para quem tem a honra de a viver diariamente. Obriga-nos a perceber o Benfica como uma causa e o benfiquismo como uma missão. Obriga-nos a que esta vivência seja absoluta e incondicional. Esta herança não permite que o benfiquismo seja uma vivência sujeita à volatilidade do momento, ao hipotético desânimo de circunstância ou aos caprichos das vaidades pessoais.
Tudo o que for aquém disto é ficar aquém da herança que festejámos no dia 28 de Fevereiro.
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Artigo de opinião publicado também na edição de 04/03/2011 do jornal "O Benfica".
[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]
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