Citando um dos melhores treinadores de todos os tempos

“Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.”


 


Bill Shankly


 


Os mais pragmáticos dirão que no domingo apenas estarão 3 pontos em jogo (ou 6, tendo em conta que defrontaremos o outro candidato ao título), mas eu prefiro recordar a frase do emérito treinador do Liverpool para dar conta que o aspecto anímico, dificilmente quantificado e portanto raramente referido pelos tais pragmáticos, com que ambas as equipas encararão as próximas jornadas terá uma relação directa com aquilo que se passar no domingo à noite.


 


Estou preparado e acredito que Jesus (o treinador de futebol) também para o facto de não vir a ser possível ao Benfica apresentar-se na sua máxima força, havendo algumas ausências que serão complicadas de esquecer nomeadamente no que respeita ao valor técnico dos ausentes e dos que os vão substituir. E é também por causa desse handicap que se terá de aplicar a máxima agressividade na recuperação da bola bem como na finalização dos ataques. Uma vez que não jogamos sozinhos e estou mais ou menos certo que Jesualdo irá promover a entrada de mais um médio de contenção para apostar na velocidade de homens como Hulk, Rodriguez ou Varela, não me escandalizaria que a Javi Garcia se juntassem nomes como os de Carlos Martins, Cesar Peixoto e Felipe Menezes. A ausência de extremos salta à vista, mas não creio que as alternativas deixem antever um cenário diferente, uma vez que Urreta é uma carta fora do baralho e Weldon seria uma aposta de risco que Jesus (o treinador de futebol) não deverá lançar logo de início (e esperemos que não tenha de lançar mais tarde).


 


Mas a ideia-base mantém-se: é fundamental encarar a partida com concentração máxima e, porque não (?), aproveitar o boost inicial que o Inferno da Luz não deixará de causar nas 3 equipas. Cada vez mais no futebol moderno a diferença entre as grandes equipas, aquelas que têm os grandes jogadores, e as outras, tem de ser estabelecida  pelo índice de aproveitamento das oportunidades criadas. E aqui chegamos ao jogo de sábado, que me obrigou a fazer uma média verdadeiramente anti-natura uma vez que saí de Lisboa perto das 19h para uma estadia de alguns dias numa unidade hoteleira algarvia e perder o jogo não era uma opção, e a verdade é que eu, já para não falar nos milhares de benfiquistas que se deslocaram a Olhão, merecíamos algo mais da equipa. Quanto a mim foi um caso típico dos imensos jogos que nos últimos anos o Benfica não venceu por não encarar o adversário com a necessária humildade. Recordem-se dos primeiros 10/15 minutos de jogo. Já está? Não vos parecia que a vitória, fácil, estava ao alcance da equipa? Havia espaços, a equipa contrária não assumia uma postura demasiadamente defensiva (pese a agressividade latente, semelhante -curiosamente ou talvez não- à que tivemos de defrontar em Braga), e a diferença de valores era por demais evidente. Ora, se a mim me é permitido este olhar desleixado para o ecrã, assistindo ao jogo com uma calma que não me é de tdo natural na maior parte dos jogos a que assisto, nos jogadores tal atitude costuma ser o prenúncio para uma noite que irá terminar comigo de maus fígados e perfeitamente impossível de aturar.


 


E o que é que acabou por provocar o equilibrar da balança, além da tal atitude de "deixa andar" da equipa? A tal estória do índice de aproveitamento, já que a Olhanense se colocou em vantagem num dos primeiros (o primeiro?) remate à baliza. E quando apesar disso conseguimos empatar o jogo e ficar com mais um homem em campo, voltamos a dar tiros nos pés, com uma falta desnecessária (o atacante estava de costas para a baliza, sem hipótese real ou ficcional de criar perigo) a conceder um livre que originaria o 2º golo dos algarvios e uma expulsão infantil a compôr o ramalhete.


 


Para não correr o risco de também eu ser expulso, desta feita de um hotel em que acabara de fazer o check-in, já não vi o período de descontos no qual acabamos por empatar e arrancar (!!!) ao menos 1 ponto desta jornada, mas o amargo de boca tinha vindo para ficar.


 


Sendo certo que o campeonato é uma prova de regularidade e que na altura em que escrevo este texto o Benfica é uma das duas equipas mais regulares, os sinais são preocupantes e parece-me indesmentível que a equipa perdeu gás nas últimas semanas. Se ao menos se conseguisse (continuar a) disfarçar a perda do fulgor exibicional apresentado no 1º terço da época com resultados positivos já seria motivo de regozijo mas agora que à referida perda se vêm juntar uma série de lesões em jogadores com preponderância inquestionável é fundamental que a equipa se una em torno de um objectivo comum e que nesta altura em que os relvados (incluíndo o da Luz) se tornam pesados e pouco propensos à prática do "bom futebol" se dê um pouco menos de importância à estética e se substitua essa por uma boa dose de pragmatismo.


 


Se no futebol em geral é fundamental e por estranho que pareça difícil de praticar, é nestas alturas em particular que assume especial importância praticar futebol simples. Passe, recepção, remate. 1, 2, tabelinha. Os célebres tandéns entre o lateral e o extremo que joga à sua frente. Um dos avançados a procurar o 1º poste e o outro (inevitavelmente o Saviola como já todos viram mas nem por isso conseguem impedir com sucesso) a posicionar-se no 2º. Enfim, uma meríade de situações que há que praticar com sucesso para que o jogo que basicamente se decide nas diferenças individuais entre os 22 jogadores em campo caia para o nosso lado.


 


E não esquecer, só mesmo para terminar, que no domingo o 12º jogador joga por nós! Uma coisa é certa, cantarei até que a voz me doa! E tu?


 

Comentários

José Francisco disse…
De facto em jogo estão muito mais do que 3 pontos, mas caso nao consigamos a vitória seria importante que os nossos jogadores fossem pragmaticos e não se deixassem abater.
vamso estar na luta até ao fim aconteça o que acontecer. Força Benfica.

espaco1904.blogspot.com
Vermelhusco disse…
Eu nao acredito que os nossos jogadores fiquem abatidos. O Benfica tem menos responsabilidade que o porto em ganhar este jogo pois o nosso meio-campo ofensivo foi simplesmente desfeito esta semana entre lesoes e castigos. O porto nao tem desculpa para nao ganhar.

Claro que para mim quem quer que entre tem que jogar para ganhar e dar o seu melhor mas se empatarmos nao acho que seja mau.

Mas este jogo esta-me a deixar bastante enervado. Mal consigo comentar em blogues com o meu nervosismo a acumular.
FireHead disse…
Gostei do pormenor "Jesus (o treinador de futebol)". De facto é nesse Jesus que nós depositamos as nossas esperanças benfiquistas. E eu, pois, nele as deposito.
Quanto ao jogo com os corruptos, espero, obviamente, uma vitória clara e sem margens para contestação, nem que joguemos com uma equipa de júniores. Em casa o Benfica só tem de jogar para ganhar seja contra quem for.
Arquivo Vivo disse…
Estou a ver muita gente preocupada, porque falta o A e falta o B.

O alfabeto é composto de 26 caracteres, se faltarem
quatro, com os restantes 22 ainda de se podem construir inumeras palavras

Èxito e sucesso, não precisam de A nem B para serem as palavras impactantes que são.

O lobo é um animal perigoso mas, acreditem, ele tem mais medo do Homem que o Homem dele.

Jogue quem jogar, levará vestido o manto sagrado
e nós estaremos lá para apoiar, pelo que só podemos
confiar na nossa força e na nossa grandeza.

Eles andam a grasnar que estão vivos, nós iremos provar que estão é mal enterrados.

Sem medos e com aqueles que entrarem em campo.

Nós, somos o Benfica.

GM disse…
BENFIIIIICAAA!!!!

BENFIIIIICAAA!!!!

Luís Bernardo Rolo disse…
Parabéns por este ensaio.
Analisa com ponderação todos os contornos do Clássico. Pena não termos mais textos do Superman.