O Nosso Lugar
Aí há uns anos proclamava-se a hegemonia do futebol calculista, frio e feio. A hora do espectáculo acabara. As Grécias deste mundo provavam-no, sendo o símbolo mais perfeito e trágico disso a vitória da equipa de Otto Rehhagel sobre a maravilhosa República Checa de Karel Bruckner no Euro-2004. Mas o mais espantoso é que a reacção ao sucesso das estratégias cinzentas não tomava na maioria dos espectadores a forma de lamento, de saudade, de uma fervorosa opção pelos contrários caminhos do futebol de ataque. Dos campos para as cabeças dos adeptos, a otto-rehhagelização marchava e o próprio futebol murchava. Os teóricos da chatice, que neste caso se confundiam com aqueles que o grande Nélson Rodrigues chamava de "idiotas da objectividade", sorriam, num gesto de ironia suprema, pela falta de razões para sorrir.
Foi com alegria, como devem supor, que vi os tais "realistas" levarem com a realidade de um Barcelona, puro espectáculo, conquistador da Europa. Com a equipa de Rijkaard e Ronaldinho e a de Guardiola e Messi, com um pequeno intervalo no meio, o futebol de ataque voltou à glória que lhe é própria. O sorriso dos outros é agora por eles engolido e os pontos de exclamação voltam a descer aos relvados. É ainda com mais alegria que noto que o Benfica do presente embarcou nesta cruzada - bola a rolar, virtuosos a trabalhar e golos lá para dentro. 6-0 em jogos que antes serviam para descansar e grandes exibições de jogadores que antes eram fantasmas de si mesmos. Ver os jogos já não é só paixão, é paixão retribuída. É precisamente essa atitude exclamativa de que falava o ano passado que nos põe num lugar que há muito nos fugia. O nosso lugar.
Comentários
Por cá temos um exemplo perfeito de uma equipa ofensiva que, na minha opinião, não era tão boa quanto a pintavam: o Sporting de Peseiro . O Porto do Adrianse era melhor, mas também não me convenceu, porque trucidava 15 equipas do nosso campeonato, mas chegava aos clássicos e à Europa e tudo ruía. O Benfica tinha nesse ano a obrigação de fazer o bi, pena que se tenha distraído em demasia com a Europa e que o balneário tenha sofrido tamanha convulsão em Dezembro.
Tenho uma questão, apesar de ser off-topic, penso ser relevante...
O contrato com o Javi Garcia envolve alguma opção de re-compra por parte do Real Madrid ?
Alguém que me pudesse esclarecer esta duvida?
Cumps
SIIINNNTTTOOOOOO O MESMO... é este futebol que eu amo, mais do que a vitória eu amo a vitória com arte...
O futebol só é futebol a sério, a valer, quando tem arte nos pés e na cabeça dos atletas e quando existe verdade e desejo de vencer com honra... ESSE É O FUTEBOL MAIOR, o que eu amo intensamente!
Amar a Arte é o desafio para todos os atletas que jogam à bola! É o desafio para todos os adeptos!
Viva o Benfica de Jesus!
Simão Lucas Pires
Sabem quem é que também ganhou muitos títulos assim a nivel nacional? Os Porkos.
O Barcelona é o equivalente do FCP a nível europeu. São carregados ao colo pelos árbitros. Ou será que os benfiquistas já se esqueceram como o Barcelona passou os quartos com o Benfica á uns anos? Quando o árbitro em Lisboa não marcou um pénalti claríssmo a nosso favor e num lance exactamente igual em Barcelona foi penálti??
Pode haver muita gente apaixonada pelo Barça mas se olharem objectivamente são estupidamente beneficiados pelos árbitros. Assim qualquer um se dá ao luxo de jogar bonito. Por isso não me falem desses culés que nem sequer admitem que são beneficiados na Europa porque dá jeito a muita gente na UEFA que um clube popular como o Barça seja campeão europeu.
Olhem, o ano que mais vibrei com o Benfica foi quando fomos campeões nacionais e não quando ficamos em segundo com o Fernando Santos apesar de ele ter feito um bom trabalho.
Para mim uma equipa só se deve reocupar em jogar bonito quando já consegue ganhar com regularidade.
No entanto, fico feliz por ver o Benfica jogar bonito e ganhar obviamente.
Quanto ao post em si, estou inteiramente de acordo. Ainda assim, acrescento que, no que se refere ao Benfica, entre jogar "feio" e ganhar ou jogar "bonito" e perder, claramente prefiro a primeira.
Felizmente o Benfica tem conseguido conciliar a eficácia com o espectáculo, o que é fundamental para criar um clima de confiança na equipa e para cativar os adeptos, o que é essencial para que se estabeleça uma relação simbiótica entre ambos :-P
E o mais importante, é que o espectáculo surge em função da eficácia: a preocupação é sempre ganhar e é dessa atitude vencedora mantida ao longo dos 90 minutos (e não apenas em algumas partes do jogo) que decorrem o bom futebol e os muitos golos que o Benfica tem marcado.
No entanto, não deixa de ser irónico que no mesmo dia em que escreveste o post, o Barcelona tenha perdido em casa para CL contra uma equipa teoricamente inferior e que claramente privilegiou a eficácia em detrimento da espectacularidade. Mas embora o Rubin tenha tido alguma sorte, a vitória não foi meramente fruto do acaso.
Além disso o histórico de Vasco Santos é bem conhecido... está inclusivamente implicado nas certidões do Apito Dourado.
Nomeação estranha, cirúrgica por isso atenção, muita atenção MESMOO