Um rebanho de pluralidades...mééééééé

Sem querer, vejo-me impelido a quebrar o meu frágil e vítreo silêncio por alguns acontecimentos que me agitam o benfiquismo, entretanto amortecido pela morte-lenta futebolística a que, instintivamente, sou obrigado a assistir semana após semana (mas isso são rezas para outros funerais…)


 

Então, cá vai.

 

Muito se tem escrito, descrito e proscrito sobre uma parafernália de animais que, sendo sempre os mesmos, não deixam de ser diversos, quer nas formas, quer nas cores, quer nos tamanhos, quer nos comportamentos, quer, enfim, no que os torna diferentes a todos, tendo como único ponto comum o facto de serem referenciados quase sempre no mesmo contexto – o Benfica e o que o rodeia. Um contexto tão lato como o Universo e quem o ampara ou as divagações sócio-eróticas do Professor Muzamba em estado de pré-transe. São esses seres da criação Divina: a águia; o abutre; a hiena; o cão (desde que raivoso, claro); o rato; o porco; o polvo; e o carneiro.

 

Uma vez que não me apetece vestir a túnica de um Noé da escrita, vou-me unicamente centrar no carneiro, animal que, para além de simpático, representa um signo que engloba todo um rol de gente muito gira e com um charme e inteligência muito acima do resto da outra gente. Pelo menos é o que se diz por aí nas revistas da especialidade.

 

Normalmente o carneiro é utilizado para simbolizar a parte individual de um rebanho. Isto é, recorre-se a esta figura de estilo animalesca para se indicar alguém que se insere num grupo mais ou menos ordenado, mais ou menos identificado entre si, mais ou menos obediente, digamos. E, também normalmente, tal imagem tenta atingir quem costuma “concordar”, pondo quem acusa de parte, como repulsa a algo a que se não quer, nem deve, pertencer. É mais ou menos isto. Eu próprio já investi algumas vezes em tal metáfora animal. Mas, também, não renego ao meu lado de carneiro. E porquê?

 

Bem, para o explicar recorro à seguinte pergunta: no fundo, mesmo no fundo, não seremos todos carneiros neste imenso rebanho que é o sentir benfiquista? Parece-me que sim, não é? Até porque o arrebanhar faz parte do instinto de defesa, independentemente de haver ou não um pastor. Repare-se na casualidade da Natureza. Os animais predados juntam-se sempre para se defender melhor dos traiçoeiros predadores. Faz parte dos ensinamentos Maternais da Natureza. Mas será que fazer parte de um rebanho é assim tão mau? Impede-nos de sermos nós próprios? Não, claro que não. Mas devemos sempre ter em conta o interesse do rebanho, quer antes de balir, quer antes de apartarmo-nos, quer, sobretudo, antes de apartarmo-nos para balir. É que se não causa muita celeuma balir dentro do rebanho – sobretudo porque há sempre outros carneiros a balir – já quando um carneiro se afasta, a coisa é diferente. Principalmente quando se afasta e começa a balir (é fantástico como uma pessoa se sente tão aliviada do Mundo quando recorre à escrita do verbo “balir” consecutivamente). O que é que acontece a um carneiro que bale no rebanho? Lá diz o povo, perde uma bocada. E leva uns encontrões, afirmo eu que também sou do povo e já observei rebanhos. Pode balir, é certo, mas outros, dentro do rebanho, se aproveitarão disso. Não é mau, continua inserido, quanto muito mais magro e um pouco mais dorido. Mas continua lá aconchegado pela pertença ao agregado.

 

Agora, o que é que pode acontecer a um carneiro tresmalhado? Não precisam de pensar que eu respondo já a seguir: pode ser roubado, mais cedo ou mais tarde fica desnorteado, pode ser atropelado ou pode ser comido (seja por quem o ou que for, que as suas defesas são parcas). E se balir ainda mais probabilidades tem de uma destas consequências se tornarem reais. Ou, pior, a conjugação de várias. Mas há mais. A perda desse carneiro implica sempre o enfraquecimento do rebanho e, mais grave, um incentivo à investida dos predadores, agora encorajados pela degustação de um elemento do grupo. É parvo. Um carneiro nunca se deve afastar do seu rebanho, porque: a) acaba invariavelmente morto ou agredido; b) põe em causa o próprio rebanho.

 

Então, mas haverá liberdade para destoar no seio do rebanho sem ser considerado uma ovelha negra, uma rês ronhosa, ou sem se arriscar a levar uma valente pedrada nos cornos enviada pela mão certeira do pastor? Ou seja, pode haver pluralidade no rebanho? Melhor; há pluralidade no rebanho? Há. Claro que há, desde logo porque a clonagem começou nas ovelhas e não nos carneiros (aproveito para enviar uma festinha à Dolly, se nos estiver a ler), garantia de “todos iguais todos diferentes”. E depois, sempre existiram pelejas dentro de um rebanho. Seja por causa de dominâncias territoriais em disputa da melhor área de pasto, seja pela ânsia de liderar o rebanho. Sim, porque a ilusão que o pastor tem de controlar o rebanho, não passa disso mesmo – ilusão. Enquanto o rebanho for coeso, o pastor só faz dele o que quer desde que o mantenha nos mínimos do conforto. Caso contrário arrisca-se a um arraial marrada que o poderá levar ao fim.

 

Mas essa pluralidade tem de ser entendida como uma peça única. Não pode ser fatiada ou partida em costeletas. Se um carneiro resolve começar a balir ou marrar dentro do rebanho, em nome da pluralidade, tem de estar preparado para receber do mesmo modo, ou pior. A pluralidade não é um prado exclusivo. Quem pasta na pluralidade tem estar preparado para ter companhia. Quer daqueles que o seguem, quer dos outros que respondem à diferença. Sobretudo desses. È tudo pluralidade, e esta não se encerra no “sim” e no “não”. Lá tanto cabe o “não ao sim”, como o “sim ao não”, como “não ao não ao sim”, como o “sim ao sim ao não”, e por aí em diante. A pluralidade é isto: uma combinação de variáveis até se enumerar tudo do todos.

 

Resumindo - que aquela lengalenga do “sim ao sim e ao não e ao sim” quase me deixou a contar carneiros – não tem mal nenhum em pertencer ao rebanho. E se não devemos acomodar o balido e capacidade de marrar à regularidade das práticas do pastor, sejam elas o pasto ou a tosquia, também não devemos ter receio da transumância.

 

Comentários

ratogoleador disse…
mééééé....
Finalmente, homem, quebraste o silêncio e presenteias-nos com 'balidos' bem interessantes.
Para continuar o teu auto pastoril lusitano, só me resta acrescentar que se há coisa que não temo são ovelhas tresmalhadas. Até as admiro. A única coisa que me deixa de sobreaviso é o perigoso som que sai de algumas flautas canoras e pastoris… ainda assim, este é um clube de águias, não de carneirada nem de abutres ou andorinhas de ocasião.
Aquele abraço benfiquista.
(almoçarada, amanhã?)
Miguel disse…
Será isto um comentário à pré-candidatura de Bruno Carvalho à presidência do Benfica ? (ver blogue Novo Benfica) Será que as ovelhas do Benfica precisam de "balir ou marrar dentro do rebanho"?
Carlos Silva disse…
agora remeto-me de novo ao qentinho do silêncio (dos cordeiros, mas nada inocente)
não quero vestir a pele do mau...nem do lobo

(em relação à almoçarada, ainda não sei se vou a lx amanhã, mas se for, conta com a minha mudez ;)))

gde abraço
Manuel Cravo disse…
Pior do que a candidatura de Bruno Calimero é a recusa de Vermelhovzky em ser candidato à presidência do Benfica.

Pensar que um Benfiquista como Vermelhovzky não vai ser candidato, só nos pode deixar tristes. Junta-te a vaga de fundo que se está a criar para obrigar o Vermelhovzky a reconsiderar.

http://oantitripa.blogspot.com/2009/03/nao-sou-candidato.html

abração
Carlos Silva disse…
miguel, neste rebanho, marra-se, bale-se e há mto pó no ar (ao contrário de outros, onde os pastoreados se limitam a encostarem as parelhas aos ventres uns dos outros, enquanto veneram um pastor que os mantém num curral imundo e insalubre)



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Aguia Imperial disse…
Brilhante post. =)

“todos iguais todos diferentes”

Por isso é que certos rebanhos são Enormes, portanto maiores que outros que são apenas grandes, e abrangem carneiros de todas as classes sociais sem excepção, níveis de instrução diferentes, religiões e partidos políticos rivais, e são rebanhos tão grandes que abrangem um país inteiro e não apenas uma pequena e determinada região, onde a erva até nem cresce verde, corrupta que está por estar a ser regada constantemente a café com leite pelo pastor local em vez de usar água transparente e pouco turva.

E que mesmo com os badalos novos para a carneirada comprados no supermercado pelo seu pastor, nunca consegue ser mais que um rebanho pequenino e mesquinho que nem no seu pequeno prado regional consegue ser rei e senhor, havendo por lá muitos carneiros côr de sangue, que lhes dizem NÃO, até votam em presidentes de câmara que não gostam de frutarias e cafetarias, vejam só.

Vir consporcoar este prado verde e cristalino com um futuro brilhante, com ideias de métodos de irrigação a café com leite e demais métodos nebulosos com o sim senhor e o sorriso desse outro pastor criminoso que até está a ser em tribunal neste momento levado pela ASAE, exactamente por usar esses métodos prejudiciais para a Natureza, aqui, não obrigado.
Pichelas disse…
Isto é conversa de encher chouriço.
Não ha nada a falar sobre o nosso benfica?
Johnny Rook disse…
A questão é que uma ovelha negra não deixa de ser uma ovelha e pertencer a um determinado rebanho!

O verdadeiro problema é quando há lobos vestidos de cordeiro! Que não pertencem ao rebanho. Mas como o rebanho é demasiado grande acabam por se confundir e passar despercebidos até começarem a morder.

Por isso recomendo atenção e cuidado. Uma vez desmascarado é dar-lhe no lombo até vir a mulher da fava rica!
Super Anónimo disse…
Ui. Agora é que isto pode ficar perigoso. Se o homem lá de cima ganha a presidência acabam-se as mamas cá de baixo.

Mas os benfiquistas, inteligentes como sempre têm sido ao longo dos últimos anos saberão certamente dar uma resposta irrefutável nas urnas e dar o cadeirão a quem verdadeiramente merece - o sócio de 25 anos do FCP e de outros tantos de SCP - o grande, o salvador, o inigualável ..... Luís Filipe Vieira.

....Votem LFV ! ....
Carlos Silva disse…
acho piada às pontes que se vão construindo...viva a livre engenharia de serviço !
Nuno Picado disse…
Importante é mandarmos ideias e projectos abaixo antes mesmo de eles serem apresentados! Não vão eles ser bons...deus nos livre!

Tenham tino.
Nuno Picado (o júnior), meu caro, conhecendo pessoalmente alguns dos comentadores deste post, não resisto a dizer-te: “ouve a voz da experiência, ela tem razão” :)
Quanto ao que dizes, eu não rejeito projectos antes de os conhecer, eu rejeito os projectos de algumas pessoas depois de as conhecer. E tenho as minhas razões, di-las-ei quando for oportuno.

Um abraço e a ver se um dia destes nos encontramos (de preferência na presença da tal voz mais experiente)


paulinho disse…
mais um pateta....claro claro...o LFV é que é bom....continuem a ser burros que vamos longe.....
Carneiro disse…
Caro Eça Cana
O rebanho mais parece uma manada assustada pelo enxame perseguido pela vara a correr á frente da cáfila.
Anónimo disse…
Se do LFV tenho algumas dúvidas sobre o seu Benfiquismo, sobre o do Bruno Carvalho não tenho dúvidas: não existe ou é muito azulado. Do género eu sou do Benfica mas os outros é que são bons.

Reconhecer que muita coisa está mal no Benfica não é pecado. Agora achar que o clube do seu canal chegou onde chegou só por ser muito organizado e ter um líder carismático é triste, só aceito isto de um FCPortista.
Nuno Picado disse…
Pedro, pelos vistos tens conhecimento de informação que te permite rejeitar o homem à nascença. No entanto, eu não o conheço pessoalmente e apenas sei o que leio no Novo Benfica. Não concordo com muitas coisas que ele diz, mas identifico-me com algumas...precisamente aquelas que me levam a repudiar o Vieira.

Simplesmente, e até que tenha provas em contrário, dou-lhe o benefício da dúvida. Acho que é justo.

Quanto ao resto, agora que o velhote (eheh) está em Portugal, temos de combinar mais uma jantarada benfiquista!

Abraço a todos.
El Mentidero disse…
Sei, de fonte segura, que o Bruno Carvalho já anda infiltrado aqui nos comentários.

Basta ver que há pessoas que o apoiam. E nós sabemos bem que desses, só 10% é que são pessoas a sério, e não manifestações das múltiplas personalidades do bicho.

Espero que ele não desista da candidatura, e seja destroçado nas eleições. Mais ainda do que o Jaime Antunes.
Arsène Lupin disse…
Não quero um tipo desonesto (desonesto pelos argumentos que apresenta; desonesto pelos métodos que aprova e branqueia) à frente do Benfica.

Ponto final.

Além do mais, não me falem em projecto. QUAL PROJECTO, SENHORES? O homem só sabe dizer mal do Benfica e pôr o porto nos píncaros. É isso o projecto? Ainda não ouvi uma única sugestão alternativa/construtiva.

Mesmo que sim, algumas críticas façam sentido. Mas atenção, nem todas o fazem. E não quero ter o fcp por exemplo. Por alguma razão sou do BENFICA.
Augusto Duarte disse…

Eu, o meu pai (que não percebe muito destas tecnologias e me pediu para falar por ele) e o António Araújo estamos com o Bruno Carvalho.

A ver se fazemos mais um jantar para a zona da Madalena.
Lucílio Baptista disse…

Eu, se fosse sócio, votava Bruno Carvalho. Pena que ele não se candidate ao Sporting.
Olegário Benquerença disse…

Se fosse sócio, também votava Bruno Carvalho. Assim, fico-me pelo padrinho.
Donato Ramos disse…

Há muito tempo que ando a seguir a carreira do Bruno Carvalho e acho que ele tem o perfil certo.
Fortunato Azevedo disse…

Eu estou com o Bruno Carvalho.
José Pratas disse…

Eu também.
Guarda Abel disse…

Eu idem.
Pôncio Monteiro disse…

Ai se eu pudesse votar.
Jorge Sousa disse…

Idem idem aspas aspas.
Mortágua disse…

O BC é uma lufada de ar fresco. E até é relativamente barato, tendo em conta o preçário.
Filomena Pinto da Costa disse…

Estou orgulhosa do meu menino. Força patrão.
Carlos Xistra disse…

Eu também estou com ele. E digam onde é o jantar na Maladena que eu apareço. Levo fruta.
Guilherme Aguiar disse…

É com muito orgulho que vejo o Bruno começar a utilizar tudo o que eu e o Reinaldo lhe ensinámos.
JORGE NUNO P. DA COSTA disse…
JURO PELA MINHA FILHA QUE VOU VOTAR NO MEU GRANDE AMIGO BRUNO.
Biba o Bruno