O que faz correr Jorge Curvado - Uma biografia não autorizada (e francamente parva)

 


A pedido de várias famílias (claramente disfuncionais), segue um momento induzido por uma overdose de Rennies.

 

 

O que faz correr Jorge Curvado? Além dos cães raivosos que sistematicamente o perseguem (devido à sua má aparência), há quem diga que é a esperança irracional que a deslocação de ar lhe aligeire as feições, deformadas pela azia crónica.

 

Em boa verdade, para entender o que move Jorge Curvado é necessário arregaçar as mangas e remexer na imundície viscosa da sua história como se se estivesse a tentar desentupir uma sanita depois de um festival gastronómico de feijoada.

 

Jorge Curvado nasceu a 31 de Fevereiro de 1856 (ou 1956 – a doutrina diverge devido à imperscrutabilidade das suas feições) em Urinais de Baixo no seio de uma família de transformistas, tendo passado a infância trancado num armário devido ao que os seus progenitores chamavam de ‘incrível má aparência’. Jorge assustava as crianças e os animais da vizinhança (e os adultos, para ser honesto) e chegaram a ser constituídas milícias populares para tentar caçar o bizarro bicho ‘meio furão meio camelo’ (de acordo com a Gazeta de Urinais) avistado nas redondezas em dias específicos em que o Jorge conseguia escapar de casa para apanhar ar.

Jorge cresce, assim, num meio hostil, sendo também ostracizado na escola (para onde era transportado pelos pais numa furgoneta dentro de um saco de serapilheira). As outras crianças não o deixam jogar à bola porque quando está em campo toda a gente se esquece da bola preferindo dar-lhe pontapés a ele, o que prejudica o fio de jogo. Jorge vai alimentando um ressentimento contra a sociedade em geral (e contra o futebol em particular) e cria um amigo imaginário (o Neves), como escape. A relação acaba de forma azeda quando o Neves lhe dá uma carga de porrada imaginária, e Jorge agudiza o seu rancor, passando os dias a arquitectar planos megalómanos de controlo do mundo através de piaçabas telecomandados vestidos de árbitro.

 

Por esta altura, Jorge é também um garoto limitado ao nível intelectual. Repete a escola primária 31 vezes até o passarem para o ciclo por já não caber nas carteiras da escola e um boletim escolar recentemente descoberto mencionava, em termos detalhados, o facto de ‘ser burro como uma pedra da calçada’. Jorge cultiva um distanciamento social crescente, a que não é alheio o bizarro problema psicológico que o obriga a usar collants nas orelhas e a andar como se estivesse permanentemente a tentar sentar-se. É nesta altura que, toldado pelo desgosto, começa a fumar talos de alho francês, hábito que o acompanha até aos dias de hoje e que lhe vai provocar uma azia recorrente.

 

Os anos passam e, em casa, refugia-se no conforto do seu armário e sonha fascinado com o dia em que seguirá a tradição familiar. Até ao dia em que um tio, não sem uma ponta de razão, lhe transmite que ‘ninguém no seu perfeito juízo quer ver um furão vestido de mulher’. O mundo de Jorge desaba e dá-se um acontecimento basilar no seu percurso. Percebendo que nunca será uma mulher, nem sequer a fingir, e que nunca vai sofrer a menstruação, ganha um asco irracional a tudo o que seja vermelho. É o início de um ódio para a vida.

 

Possuído pelo desgosto, Jorge tenta refugiar-se no álcool, até perceber que o álcool não é um país e que, ainda por cima, fica bêbado apenas com meia imperial.

Resolve partir numa longa viagem de reflexão e auto-descoberta para o estrangeiro. Jorge considera – dadas as suas limitações intelectuais – como ‘estrangeiro’ qualquer lugar situado a mais de 500 metros de casa e, portanto, desaparece durante um dia e meio no Bombarral, onde perscruta o destino. O destino não gosta e perscruta Jorge de volta que, aterrorizado, solta um gritinho efeminado, bizarramente semelhante a um apito. A sua vocação torna-se evidente.

  

Quando regressa é um homem (uso livre da palavra) novo e tem o caminho traçado (com seven up, que o vinho é rasca). Vendo o seu sonho de enveredar pelo transformismo desfeito, opta pela alternativa mais comparável, onde pode dar asas ao seu espalhafato natural e fazer poses de sexualidade espampanantemente ambígua. É perfeito, pensa Jorge, porque adicionalmente pode tentar destruir os seus ódios de estimação: o futebol e o vermelho. Tudo se torna claro. Os astros alinham-se, as três tecedeiras soltam risos de satisfação. É o destino. Jorge envereda pela arbitragem. Vai tentar dar cabo do futebol e do clube que é o maior expoente do mesmo. E que é vermelho. Ah, a poesia do destino.

 

A carreira do andrógino rapaz na arbitragem é marcada pela profunda elegância na amostragem de cartões (produto dos genes transformistas) e pela crescente constatação que a azia crónica tem efeitos devastadores na capacidade de visão. Quem não se recorda, por um lado, da singular leveza com que Jorge se movia em campo, saltitando de nenúfar em nenúfar, a acompanhar os lances como uma gazela hermafrodita; e por outro, da sua visão profundamente deteriorada que originava a anulação de lances legais e a amostragem de cartões sem fundamento ao Benfica, por entre arrotos guturais denunciantes de uma azia galopante? 

 

O moço Jorge, talvez exactamente por estar em voga quando em voga estava deitar abaixo o Benfica, é agraciado com alguns prémios de prestígio, como a medalha de mérito desportivo do Governo da República (das Bananas) e o troféu ‘Furão do Ano’. Torna-se sócio de mérito da Federação Portuguesa de Transformismo, o que o reconcilia com o destino. O destino não gosta e traz de volta ocasionamente o Neves para o espancar, o que se torna um hábito ao longo da vida de Jorge.

 

Finda a brilhante (por causa das lantejoulas) carreira, torna-se ‘comentador’ de arbitragem em futebol de 14 (a sua modalidade favorita) nos mais variados meios audiovisuais, que usa como plataforma para, simpaticamente, vomitar o seu ódio ao Benfica. Simpaticamente porquê? Porque é simpático para o Benfica ter alguém assim como adversário. Como adepto seria deprimente.

 

É, ironicamente, nesta fase da vida que recebe o prémio definitivo: o Bidé de Ouro, atribuído pela Tertúlia Benfiquista. É de homem. Passe a expressão.

 

 

 

p.s. peço desde já desculpa ao Bombarral

 

 

Comentários

Benfica Eagle disse…
LOL

Gwaihir, brilhante!!!

Grande Abraço
kallou disse…
Excelente Post!!!!

Off-topic:

Não cosigo aceder aos outros Blogs vermelhos, como por exemplo, o Forum Benfica.

Alguém está a ter o mesmo problema do que eu???

A página que aparece, diz o seguinte:

"lamentamos... mas a sua consulta parece ser semelhante aos pedidos automatizados de um vírus informático ou aplicação de spyware. Para proteger os nossos utilizadores, não podemos processar o seu pedido neste momento.

Entretanto, restabeleceremos o seu acesso assim que possível; como tal, tente novamente em breve. Entretanto, se suspeitar que o seu computador ou rede foi infectado, será aconselhável executar um verificador de vírus ou programa de remoção de spyware para garantir que os seus sistemas não contêm vírus ou outros softwares falsos.

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Se toda a sua rede estiver afectada, estão disponíveis mais informações no Centro de Ajuda de Pesquisa Web do Google.

Pedimos desculpa pelo incómodo e esperamos tê-lo novamente no Google. "

Obrigado
john billy disse…
Hehehehehe!
:)
Arsène Lupin disse…
Espectacular!

Uma salva de palmas para o galardoado, que bem merece o título.

Pode ser que consiga acumular o prémio de invisual que comenta mais programas sobre futebol; ou até uma nova viagem ao Bombarral paga pela Agência Cosmos...
iBenfiquista disse…
Ena, pá, que mauzinho! Mas fartei-me de rir. Está brilhante.

Oh, Gwaihir, nunca pensou escrever um livro de humor sobre um qualquer assunto interessante? Futebol português, por exemplo? E sobre o Bufas, em particular.

Penso que seria um sucesso editorial.

Saudações Benfiquistas


kallou disse…
Só consigo entrar nos blogs vermelhos do sapo...os que são do google não consigo entrar, dão todos erro!!

Já eliminei cokies, pus a correr o anti-virus e syware, e não tenho nada de mal no meu computador...SERÁ QUE ALGUÉM LANÇOU UM VIRUS PARA PARA OS BLOGS???!!!
pge disse…
Perdoem-me, mas vou deixar de elogiar os vossos posts, pois corro o risco de me repetir todos os dias, tal é qualidade com que sempre nos brindam em defesa do nosso clube.

Sobre o curvado vou referir dois episódios que me contaram (ainda bem que não tive oportunidade de assistir em directo as estas diarreias verbais):

-Um já aqui falei, que foi no boavista-Benfica do ano passado ele dizer "o Chalana não se devia queixar de penaltis não marcados, pois este jogo não é o Portugal-Russia de 84"

- O outro tambem foi ja aqui dito penso num comentario que foi ele na TVI em directo dizer "eu nos meus ultimos 5 anos de carreira jurei que o Benfica nunca iria ganhar" - acho que até o nosso querido manha ficou estupefacto e parece que so ganhamos um jogo contra o Estrela em que nos invalidaram pelo menos um golo limpo.

Fico por aqui.

Cumprimentos.
editor69 disse…
Gwaihir...
eu contribuo com dinheiro para se fazer uma estátua tua...
na...
por exemplo...rotunda do relógio...
sitio de grande passagem...
porque creio os municipes não deixarão retirar a do Marquês de Pombal...
Isto meus amigos...é arte...este texto...é arte.

Abraços.
Benfica Eagle disse…
Kallou

Isso deve ser um problema no teu pc.

Actualiza o anti-virus.

Os blogs estao a funcionar normalmente.

Abraço
vermelhovzky disse…
Quase me caiu uma lagrima...

BRILHANTE Gwaihir!!!
Jorge Ventura disse…
Gwaihir
Parti-me a rir à gargalhada com o teu post ...espectacular...é que a figurinha é mesmo tudo isso...bravo
Saudações Benfiquistas
jose disse…
We are not worthy

Sublime. Muito, muito bom.

Ricardo disse…
Hehehe, ainda bem que foste pelo Álcool e embriaguez com meia-imperial, assentou ali que nem uma luva.

É do caraças ter um irmão assim! É que o gajo não tem só piada, é um sacana de um irmão à grande, como deve haver muito poucos.

Agora, se há aí pessoal que se orgulha de um gajo destes ser Benfiquista, imaginem os que são da família dele... e Benfiquistas!

Como dizia o Bonga, "tenhumálágrimanocantuduólhu"!
jose garcia disse…
muitas vezes me tinha eu lembrado de tentar fazer uma destas ao curvado, mas ainda bem que me deixei ficar quieto, porque este post é tudo aquilo que eu queria escrever - obrigado Gwaihir - e jamais seria capaz.

ps: abomino a violencia, muito mais se causada pelo futebol. Mas e bom que nunca na vida este curvado me apareça à frente... É QUE LEVA LOGO UM TRATAMENTO À RIBATEJANA!
balentone disse…
Btilhante.
falsolento disse…
Brilhante descrição daquele verme imundo. Ri às gargalhadas.
Abraão disse…
Aqui está um artigo bem escrito mas que peca por se tornar simpático e brando em excesso para tal aventesma.
Grav-Eagle disse…
Todos os dias frequento este espaço, no entanto não tenho o hábito de comentar... mas este Post? Excelente, divinal.
Viva o BENFICA.