Quantas caras faltam para acabar?
Recentemente foi insinuado que a minha presença escrita neste tão relevante quanto exemplar espaço de discussão Benfiquista estaria a ter a mesma utilidade que um passe do Bynia. Nada mais verdadeiro, escrevo eu. Para além do penteado, as semelhanças no atabalhoanço do rendimento da equipa são indisfarçáveis.
A faculdade de perceber a futilidade dos meus conteúdos é legítima e, por si só, já revela a extrema inteligência de quem é Benfiquista, ainda para mais, apurada pelo facto de frequentar este espaço.
Resta-me, tal como ao citado africano, tentar entreter as “massas” com um malabarismo qualquer que se revele pertinente na forma e profícuo no resultado. Ele, que usa as mãos melhor que os pés, faz lançamentos laterais longos para a área. Eu também vou tentar usar as mãos (e deixar de escrever com os pés da cabeça) para entrar na área dos assuntos verdadeiramente interessantes para a vivência do nosso Clube. É por esse motivo que, em seguida, passarei a abordar o estimulante tema dos “placares electrónicos”.
Todos os que frequentavam o antigo estádio se recordarão daqueles monstruosos elementos que encimavam as cabeceiras. Os mesmos que recordam essas presenças indeléveis também guardarão na memória que aquelas estruturas se mantiveram apagadas durante longos anos, arrastando-se este silêncio luminoso até à sua demolição. Morreram – ou foram abatidos – muito antes do ninho que os aconchegava. Para mim, aquela escuridão era incompreensível e representava uma tristeza que me obrigava, durante os jogos, a desviar constantemente o olhar, na esperança de ver uma lampadazinha, que fosse, acesa ou o movimento de um dos ponteiros. Nada! Esconderam de vez todo o manancial informativo em luz monocromática para o qual foram ali colocados – o tempo de jogo, a constituição das equipas; o resultado do jogo; os marcadores dos golos; etc.; etc. E mesmo quando as coisas não corriam bem no relvado e os olhos precisavam de ir ali buscar refúgio, só encontravam aquele vazio negro que, qual poço de areia movediça, ainda afundava mais a alma…
Com o conhecimento de um novo estádio, um dos primeiros comentários que me lembro de fazer foi precisamente “até que enfim! vamos ter placares a funcionar outra vez”. Sim, eu acho que mais que o Euro2004, o verdadeiro móbil para um novo estádio foi a construção de um local onde se pudessem instalar uns ecrãs do mais à ponta da tecnologia possível. E assim foi, temos uns placares electrónicos como deve ser. Às cores e tudo!
Só que agora, em vez de serem usados para o seu propósito, o que é que lá está durante o jogo? O esgar da malta que está a assistir! Mas qual tempo de jogo, quais equipas? Temos um cantinho ínfimo e encolhido dedicado ao relógio e o resto é ocupado com as carantonhas dos utentes das bancadas àquela hora. Claro que, de vez em quando, por lá aparece os minutos de jogo que já se gastaram e a cara e o nome das substituições e dos cartões. Mas só de vez em quando. Eu quero é sempre! Preciso olhar para lá a qualquer altura e, sem preocupação se vou acertar no momento ou não, saber se falta muito para arrefecer o suor ou se posso já começar a pensar se vou comer uma bifana ou um coirato. E se este é bem ou mal passado.
Caros gestores dos placares, se eu quiser ver tipos embarretados com cara de quem quer ir ali ao fiscal de linha dar um calduço, olho para o lado, não preciso do placar. Da mesma maneira, se quiser ver uma mulher de meia-idade a disfarçar os afrontamentos da menopausa com os insucessos de cada jogada do Glorioso, ou jovens indecisos entre roer as unhas ou vazar o acne de uma borbulha, olho para cima ou para baixo (não necessariamente por esta ordem).
Se querem diversificar, exponham a cara dos adversários quando estão a perder ou, melhor!, passem a edição mensal online da Playboy*.
*Playboy é uma marca registada que não merecia ser referenciada num texto meu, muito menos onde também é citado o Bynia
Comentários
Caro adepto é só fazer as contas... :)
(E que pena davam aqueles monstros apagados...)
Pelo menos o tempo de jogo devia estar sempre disponível.
Podiam também, nos intervalos e antes do jogo, passar outros resultados, resumos dos jogos do dia etc, um pouco como se faz em dias de Liga dos Campeões.
Por mim, nunca entendi o porquê de os placards não mostrarem imagens do próprio jogo e repetições dos lances principais. Se é por causa dos árbitros, não iria ser muito pior do que ouvir o Coroado na rádio a dizer que foi ou não foi penalti.
Além disso, beneficiava-se o espectador que vai ao estádio, com uma acréscimo de qualidade do espectáculo.
Mas enfim, isto já tem a ver com a FIFA.
Por isso, a única lacuna que tenho mesmo a apontar é mesmo não estar disponível sempre o tempo de jogo.
Dos placards electrónicos do antigo estádio, recordo quando neles tentavam representar as "fronhas" dos jogadores (isto quando funcionavam, claro...). Chegava a ser cómico :-)
Mas "lindos" eram realmente aqueles placards "manuais"! Como no espaço para os golos marcados só cabia uma placa, perguntava-me como é que eles fariam caso o Benfica marcasse 10 golos ;-)
Este comentário está ao nível de um Steven Gerrard ou Frank Lampard.
Saudações Gloriosas.
Que belos "mamarrachos" eram esses placards... E como ria quando via a cara do Neno nos mesmos...
Ahahahah
Mas o Leão Eça Cana tem razão. Já bem basta ouvir a quantidade de alarvidades que se soltam naquelas angustiadas bancadas,o speaker aos gritos e ainda para mais ainda ver carantonhas a dizer adeus para o marreco...
E outra coisa: já repararam que aqueles animais que gerem os ecrãs nunca contabilizam os descontos (compensação, como se diz agora...)? Está ali um tipo, todo espremido, angustiado, borrado de medo, com cada segundo a parecer um minuto e cada minuto a parecer um século e aqueles animais espetam com uma fantástica e elucidativa legenda: 90 minutos. Obrigado. E escusam de se incomodar.
Vou à megastore da Adidas comprar um cronómetro, cronógrafo, algo que calcule, contabilize e assinale os minutos a mais que os bois pretos dão quando toda a gente está mesmo a ver que aquilo tem de acabar rapidamente!
E Já agora, Marreta Vermelho: o glorioso placard em que a malta acompanhava os resultados e a chave do Totobola era no topo Norte.
Foi há quantos séculos ?
Ai que saudades...
O Placar do Totobola, sei que era do lado esquerdo quando se estava no Terceiro Anel antigo, para mim aquilo é para SUL, mas se calhar estou trocado. E quem se lembra, nessa altura, da publicidade...musica da Ponte Sobre o Rio Kwai, e a frase "Belarte, a agência de publicidade ao serviço neste estádio informa...connnnstituição das equipas..." ou..."O marcador do primeiro golo do Benfica receberá um par de calças Rica Lewis(ou lá que marca era)" ...isto é que era certeza de que iria sempre haver um golo do Benfica.
Quanto a filmarem o publico, pode não ser da melhor maneira mas é o chamado futebol espectaculo e é a tentativa de copiar o que se passa ha muitos anos na NBA, é tentativa de atair mais gente possivel ao estadio, principalmente os não muito sofredores e principalmente e eventualmente as suas esposas.
Eu nãos sei se tenho cara ou não de quem quer dar calduços nos fiscais de linha mas vontade não me falta e calduços é o minimo que me da vontade de fazer todos os fins de semana
P.S. Espero que este comentário não venha a ferir nenhuma "sensibilidade mais sensivel".
Cumprimentos.