O Benfica pensa em tudo
Honestamente, tenho dificuldade em perceber as críticas que surgiram como resultado do jogo com o Penafiel.
Vamos lá ver uma coisa. O que aconteceu no Domingo, meus amigos, foi espectáculo de alto calibre. Diversão da mais alta ordem. Foi a rentabilização total do preço de um bilhete. Um tipo paga por 90 minutos e leva com 120 e ainda com penalties. No fim, o Benfica ganha. Divertimento garantido.
Os destinos do Benfica são, hoje em dia, geridos por gente que percebe muito bem como se cativa público para voltar ao estádio. O Benfica, numa perspectiva louvavelmente lúdica, proporciona uma montanha russa emocional até contra adversários contra os quais isso não se esperaria. É bem pensado, porque as pessoas gostam de surpresas, e isso tem um elevado valor acrescentado em termos de entretenimento.
Convenhamos: Qual é a piada de ir ver um jogo do FC Porco ou do Sportem? Uma pessoa sabe que aquilo, dê por onde der, é um espectáculo monopolizado pelo árbitro. Nem a identidade do árbitro sequer dá azo a algum suspense: normalmente é o Lucílio Baptista ou o Olegário (essas bestas esses bastiões da arbitragem nacional). Não há entertainment value.
Acresce o facto de que, no Estádio do Porcalhão, tem que se gramar com a bizarra figura do Ghandi de Mirandela, suportar emissões industriais de flatulência – varia consoante a proximidade do camarote presidencial - e ver um bando de moços com um fetiche por estações de serviço da A1 e em fases de desenvolvimento adequadas ao paleolítico a vomitar ruídos semelhantes ao de macacos sob o efeito de ecstasy. No Alvalixo, apenas gente com tendências profundas para o sado-masoquismo é que se enfia num WC forrado a azulejos rejeitados por instituições de solidariedade social com (maior) sentido estético, e recheado de cadeiras escolhidas por um daltónico, para ver 11 indivíduos disfarçados de barracas de praia a tentar interpretar o intrincado modelo técnico-táctico de um moço com uma doença capilar gravíssima (conhecida no meio médico como ‘penteado ridículo’) e que não dorme há mais de 6 meses, atendendo às olheiras. O que explica porque é que os 35 queques que por regra estão nas bancadas têm normalmente um ar incomodado. Ser masoquista, parecendo que não, incomoda.
No Estádio da Luz, além da evidente espectacularidade do nosso opíparo recinto, da esplêndida e bem apessoada moldura humana (isto, evidentemente, sem qualquer laivo de facciosismo) e do bom aspecto do nosso treinador, voilá!, temos este omnipresente sentido lúdico e de espectáculo. O Benfica sabe, sobretudo, entreter e recrear a massa associativa. O Benfica pensa, acima de tudo, em nós.
O que é bonito, porque nós pensamos no Benfica, acima de tudo.
p.s. estive aqui a pensar melhor e, vendo bem, um jogo do FC Porco pode, na verdade, ter entertainment value. Perguntem ao Wenger.
Comentários
(agora, se não te importas, tira lá o anti spam da coisa, não me apetece ter de andar a copiar caracteres com códigos tão estranhos como a lógica da Justiça portuguesa na foz do Douro)
é imbecil do Jesualdo. Apenas a nível físico, mind you.
A nível da personalidade, podia ser considerado como um daqueles vira casacas porcos que os nazis recrutavam para serem bufos nos campos de concentração.