De Malevich a Queiroz.

O problema de Carlos é que é um Queiroz numa terra em que o julgam Queirós. Se o avaliassem como Queiroz, certamente que o perceberiam. Mas não, isto é terra de choldra e de choldra não passará.


 


Falemos de Queiroz e não do outro. Queiroz é um iluminado inovador e, como todos os iluminados inovadores (veja-se Santana Lopes outro adiantado mental… talvez daí resulte o choque de egos), é um incompreendido. Ninguém compreende que Queiroz não está agarrado à táctica do quadrado que tão bons resultados deu em Aljubarrota ou à táctica do losango que tão bons resultados dá com Mourinho (uma espécie de Condestável) e tão peculiares resultados dá com Paulo Bento (uma espécie de padeira). Estes conceitos medíocres como o do losango já não fazem sentido na pós-modernidade da geometria futebolística. Queiroz sabe-o. Queiroz revoluciona e evoluciona, criando um novo conceito de arte e geometria futebolística assente nos pressupostos do suprematismo.


 


Logo, há que transgredir, transgredindo a própria transgressão, chegando à transfiguração. Assim, tal como a pintura, o futebol não deve ter um carácter objectivo. Olhando para a táctica queiroziana percebemos que a inspiração surge do tríptico de Malevich: a Cruz Negra, o Círculo Negro e, essencialmente, o Quadro Negro. Este último é, obviamente, o primeiro e único que a choldra conseguiu percepcionar para o futuro.


 


A culpa é da choldra que não percebe Queiroz. Eu, por via das dúvidas, passo a assinar como Pherreira. É outro cachet.



(Malevich's dynamic suprematism: imagem de uma das obras que inspirou o 'desenho táctico' de Queiroz. O tal que substitui os losangos e afins)


 


Pedro Ph. Pherreira.


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[post actualizado com um modelo de observação aproximado ao empirismo (seja lá o que isto quer dizer) da táctica queiroziana]

Comentários

toni disse…
este post achei um pouco pretensioso, ao contrario dos anteriores do mesmo autor...
M. disse…
Kandinsky tb teria uma palavra a dizer nesse eventual esquema táctico....
toni, tem razão. Mas isto ainda vai piorar mais.
:)
O problema de kadinsky, particularmente o do período Bauhaus (para que o toni ainda me considere mais pretensioso eu faço questão de vincar que não estou a falar da banda do Peter Murphy), é que na sua harmonia não cabe a fantasia, a irreverência e as birrinhas do artista anteriormente conhecido como Cristiano e actualmente conhecido como CR7
Superman Torras disse…
Até me podem considerar suspeito mas de uma coisa não me poderão acusar, ou nunca o fizeram até agora, que é a de ser pretensioso, e portanto sem mais delongas deixem-me expressar a minha opinião sobre este post:

Está phantástico!
tma disse…
Um dúvida, caro Pherreira:
Pressuponho que neste modelo esteja implícita a entrada do Pacheco (ao intervalo). Estou correcto?
tma disse…
(e, claro, o PAcheco entra para o lugar do P. Torres).
TMA, não só o Pacheco substitui o Paulo Torres ( http://nao-se-mencione-o-excremento.blogspot.com/2006/07/instantneos-iv-ao-intervalo.html )
como o Paneira traça uma linha ao longo de toda a superfície direita da pintura.

Agora, meu caro TMA, o grande teste que te faço prende-se com a capacidade de perceber por que motivo o Manél está ligeiramente à frente (por cima) da bola e qual a personagem que no imaginário "infanto juvenil" da nossa geração está implícita nesta associação táctica entre esses dois elementos. Isto sim isto é pergunta para queijinho.

:)
Anónimo disse…
Atenção: pede-se a todos os adeptos Portugueses que se dirijam a uma loja do Benfica e comprem máquinas calculadoras,atendendo à crise que varre o País futebolístico e não só, será um objecto a utilizar no futuro aquando dos jogos da selecção. a única pessoa que não pensa desta forma é o Badocha, ele ainda entende e muito bem... que Portugal vai organizar o Mundial de 2050.Já quanto à podridão que que se vive no interior da Federação ele chuta para canto.
Cumpts.
Abelourinha.
al disse…
Tá visto que o Suprematismo não resultou. Nesta linha a alternativa ao "Quadrado Negro sob Fundo Branco" seria o "Quadrado Branco sob Fundo Branco", que aliás inspirou as atitudes do presidente, do seleccionador e do capitão de equipa logo após o jogo.
Portanto se o Suprematismo não resulta, mude-se para o Neoplasticismo: há que dar muita volta aos miolos para descobrir uma forma de nos apurarmos para o Mundial. Se bem que seja no Surrealismo que melhor nos exprimimos - julgo que neste ponto consegui um vasto consenso. Ou não?
algarviu disse…
O último comentário (?) é de Algarviu.
Abel Pontes disse…
Antes de mais obrigado pelo links que permitiram recordar coisas antigas e bastante aprazíveis. Agora, parece-me que o QueiroZ é um fiel seguidor do Peneirismo, aquela corrente artística tão em voga no futebol português e que advoga a supremacia das peneiras relativamente a todo o resto.

A colagem ao suprematismo é, no entanto, bastante interessante e apresentar a tática adoptada contra a Albânia como expressão do suprematismo dinâmico de Malevitch é uma análise excelente do que se passou durante a performance de 4ª feira. Intrigante realmente a posição do Manel relativamente à bola, mas do peneirismo (transmutado em suprematismo) de QueiroZ espera-se tudo.

Resumindo, excelente e divertido post.


Saudações Benfiquistas
Anónimo disse…
Este post está fantástico ... Inteligente, irónico, com muitas Verdades ... saliento numa analogia que em certos pontos... comparo este post da pintura e ao que se passa na FPF, Treinador e Jogadores ... ao método de Taine na Literatura .... o meio ... a raça ... e o momento ... lolol ...

Parabéns ...

Benfiquista Reguense ...
paul bekas disse…
Olá Pedro Ferreira
A este quadro, muito bem apanhado deve juntar-se uns quadros do periodo azul do Picasso, porque o homem pelo que está a demonstrar ao não incluir Nuno Gomes no onze inicial não quer nada com o periodo rosa, outra obra a juntar deve ser o Grito (cujo autor não me recordo mas que está no museu em Oslo) que representa o desespero dos Portugueses e a Festa do Povo assinado por Brughel que representa a alegria de todos os Benfiquistas por não terem levado com o CQ como treinador e por fim na Galeria deste post da Tertulia as Meninas de Velazquez que representa a classe do nosso treinador QuiQue Flores

Saudações Benfiquistas
LF disse…
Mesmo depois de um resultado trágico, fizeram-me rir ás gargalhadas. Com o post, e alguns dos comentários.

Parabéns!

Assubiaco disse…
Com vossa licença, estão todos enganados. Ora reparem nos movimentos dos elementos no plano geométrico e as emanações do constructor " desconstrutivista. E o que se observa? O mais profundo e militante nihilismo polvilhado aqui e além por movimentações muito ao gosto do absurdo por Camus .
tma disse…
Não sou assim tão profundo conhecedor da vida e obra de Queiroch para perceber quem será o "Manél", no contexto do universo "queirosziano". Pistas?...
TMA, a chave está na associação "Manél" - bola - anos 70. Há quem a tenha e há quem fique a olhar para dita.
D'Arcy disse…
No caso táctico queirosiano, a tendência é mesmo para a bola ir-se embora e fugir de todos os Manéis que ele atira para dentro do campo.
tma disse…
Uma última pergunta: o "Manél" em questão tem (ou teve) bola ou fica apenas a olhar para ela? Suponho, obviamente, que "Manuel" faça parte do nome da pessoa em questão...
Ao "Manél" é apenas pedido que olha para a bola.
pge disse…
Porque o post é sobre arte queria comentar a relação entre a arte e o moço que é capitão da selecção do meu país, porque ele não é nenhum pacóvio, não senhor. Ele também percebe de arte senão vejamos:
O moço tem na sua sala de jantar um armario com 3 portas em que os puxadores são numa porta um C noutra um R e noutra um 7..digam o disserem isto é arte. Mas o seu culto á personalidade não ficou por aqui então teve mais uma ideia chiquissima, original e cheia de requinte que foi na mesa de jantar apoiar o tampo da mesa em vidro em tres pedaços de madeira...adivinhem o que se pode ler nos mesmos....não é fácil.....espantem-se...são um C um R e um 7.
Pois é temos um capitão com um culto da personalidade tal, que Estaline ao pé dele é um menino.
A uma personagem destas temos de perdoar tudo, birras, pouca vontade, má educação etc etc, porque ele não está ao nosso nivel ele está ao nivel de Deus (pelo menos ele pensa assim).
Como português sinto-me bem representado. Ou não.

E despeço-me com uma expressão que aqui li algures e que gostei muito:

"Carrega Benfica"

Cumprimentos.
tma disse…
Caramba, falhou-me o pensamento "out of the box" :-P (e a resposta do D'Arcy até tinha a solução e tudo...).
No meu caso concreto, é tanto mais imperdoável já que ao longo dos últimos anos tenho recorrido com alguma frequência a esse "Manél" para adormecer os meus filhos. Actualmente ainda produz alguns resultados com o mais novo, mas acho que efeito soporífero que o último jogo da selecção produziu em mim é ainda maior...

Enfim, alguém que cante "esta" canção ao Queiroch a ver se o consola :-P
Mondrian disse…
Do Malevich gosto sobretudo do "carré rouge" e por razões, não só estéticas.
Já agora, este Queirós, não era o tal "pintor" que o conhecido apreciador de "arte velha"de nome Vieira queria contratar para pintar o estádio?
Mesmo assim, só se fosse por fora, porque, convenhamos, não está à altura do interior que é lindissimo.
Marco disse…
As minhas desculpas pelo comentário off-topic, mas achei que a malta da Tertúlia podia querer experimentar uma variação mais gloriosa do Google: http://www.slboogle.com/

Saudações benfiquistas!
remate cruzado disse…
permito-me discordar. vejo aqui muito mais de uma delirante sensualidade de joan miró. a forma como quaresma corre em círculos para poder estar sempre com os olhos numa bola imaginária que é só dele, as espirais desenhadas por hugo almeida em velocidade supersónica criando poços no terreno onde cabe toda a água que a selecção ainda vai meter e até mesmo o abstraccionismo niilista do meio campo de trigémeos.