Thriller
Como quem anda atento a estas coisas do futebol sabe, comemora-se este ano o 25º aniversário do lançamento do álbum “Thriller”, desse que poderia ter sido um talentoso jogador da bola e que costumava responder pelo nome de Michael Jackson, antes de se desintegrar.
Ora, o videoclip que notabilizou este álbum foi algo inovador na altura, não só pelo tempo que demorava (em algumas televisões era exibido com intervalo e tudo) mas, sobretudo, pela produção que o originou. Sucintamente, a história versava sobre um alegre casal no qual, depois de assistir a um filme de terror, o “rapaz” se transformava em zombie e passava a liderar uma trupe de mortos-vivos que perseguiam a esbelta e assustada miúda com o intuito de contaminá-la com a sua maldição.
Pois bem, vendo os últimos jogos da equipa de futebol do nosso Sport Lisboa e Benfica, claramente que só posso concluir que o Clube também se associou às comemorações e a melhor maneira que encontrou de o fazer foi replicar o vídeo, transformando as suas últimas (e a extensão deste conceito de “últimas” é muito elástico) exibições em verdadeiros momentos de terror.
Senão, vejamos os motivos deste sentimento analógico que me atravessa a imaginação e o sentir:
-Tal como no vídeo, também na nossa realidade futebolística o líder (que, curiosamente, lá enverga um casaco vermelho) passou de um personagem bem arranjado, sorridente e companhia desejada para um ser mortificado e mortificante, rígido nos movimentos, encovado nas feições e de voz rara (aqui cada um personifica a liderança como bem lhe apetecer);
- Ao ver a nossa equipa tenho a quase mórbida sensação de, naquela molhada de personagens desfiguradas com movimentações lentas, arrastadas e repetitivas, assistir ao desfile de verdadeiros “mortos-vivos”; isto é, gente que, ainda mexendo (e bem!) para o ano já não farão parte da vida desta equipa (Rui Costa, Léo e Rodriguez). Depois temos alguns “vivos-mortos”, que não vou enunciar, e muitos figurantes;
- Alguns dos nossos jogadores têm um aspecto verdadeiramente assustador e agressivo (Petit, Bynia, Luisão e, por vezes, Nelson). Outros assustam pela falta de aspecto de jogo;
- Também temos desengonçados (Mantorras, Cardozo e Di Maria) e aleijados quase eternos (Nuno Gomes, regressa rapidamente ao mundo dos vivos para os golos, por favor);
- E tudo isto se vai passando à noite. Numa noite que extravasa o sentido literal para o espírito de cada um de nós, mesmo na plenitude do Sol.
Já me esquecia, como é óbvio, para mim, a miúda do vídeo encarna a Fama e a Glória Benfiquista que, coitada, se vê desprotegida e tenta fugir aos assomos desta realidade aterradora.
Em suma, a um tempo, tudo isto é arrepiante, terrorífico e assombroso, pondo-me a respiração constantemente em suspenso.
Agora, só espero que, ao contrário do verdadeiro, este nosso “Thriller” não evolua para um “Bad” (maior, digo eu).
(Resta escrever que o “Thriller” teve um sucesso inolvidável, à semelhança do que eu tenho a certeza que nos vai acontecer na quinta-feira, neste novo “Julgamento de Nuremberga” de onde sairemos ilibados de uma derrota que nos impeça de assistirmos a, pelo menos, mais uma eliminatória europeia na Luz esta época. Depois, com mais ou menos “pipocas”, logo se vê como o filme acaba, e em que estilo.)
FORÇA RAPAZES, QUE EU ESTOU AQUI A TREMER POR VÓS! São vocês que podem e devem mudar o(s) argumento(s) desta película.
Comentários
Algarviu, virtualmente, outro abraço
E os alemães, ficaram a Cry, como the lost Children
Abraços
"show de bola"
Saudacoes
Fumas