Parabéns Bynia e Zoro
Pela excelente prestação na CAN.
- Bynia, 2º lugar, suplente utilizado creio que em todos os jogos - na final ia fazendo história, ao quase marcar um golo de... lançamento lateral. Que voltes depressa à equipa, que mais não seja por causa desses mortíferos lançamentos.
- Zoro - 4º lugar, titular em dois jogos, marcou um golo.
E, para os críticos do costume, não acho a CAN uma competição menor - segui-a com alguma atenção e vi muito bons jogos de futebol, ao nível de um Europeu. As melhores equipas não estão obviamente ao nível dos tubarões mundiais, mas estão numa muito digna segunda linha.
Com a presença cada vez maior de jogadores em grandes clubes europeus, e o fim do mau hábito de os melhores acabarem por se naturalizar por países mais fortes, penso que o futebol africano em breve estará entre os melhores.
Comentários
NR: eu sei que fui um pouco venenoso, mas inspirei-me no exotismo da vegetação exibida no genérico da CAN ;)
Não há dúvida que a CAN é uma grande competição e com futebol espectáculo. Por mais que queiram desprestigiar essa competição - e vão querer porque só o benfica tinha jogadores em fases avançadas da prova - quero salientar a qualidade dela.
em relação aos nossos jogadores aproveito, não só pra reiterar as tuas notas, mas também para lembrar muitos dos comentários que por todo o lado se têm feito acerca dos flops do Benfica. Basta ver os clubes representados nas meias finais da CAN para perceber que o Benfica foi inteligente na contratação destes dois jogadores.
na minha opinião são dois jogadores com muita qualidade apesar de poderem não ser primeira opção no benfica. desejo que zoro não saia porque o conheço bem e sei que seria um enorme erro.
cumprimentos
Amei Lisboa, a cosmopolita, e admirei o Porto, cidade à inglesa» LONGE vão os dias em que Bobby Robson, banhado em múltiplas glórias no futebol inglês e vencedor de dois campeonatos da Holanda pelo PSV, aceitou um convite do Sporting para rumar a Lisboa e assumir a direcção técnica do futebol em Alvalade. Foi em Julho de 1992. Visitámo-lo então na sua casa de Constitution Hill, em Ipswich, e testemunhámos o seu entusiasmo por vir trabalhar em Portugal, num dos principais clubes do nosso país. Com 59 anos, Robson estava certo de que aumentaria o brilho da sua carreira profissional, apresentando-se na primeira fila onde nomes famosos do futebol português se perfilavam. Longe vão esses dias, de facto, tal como está distante a passagem pelo FC Porto. Hoje, o tempo correu e Robert William Robson, a contas com uma doença terminal, disse-nos que esta entrevista seria possivelmente a última.
Em conversa telefónica, Bobby Robson recorda o início da sua ligação a Portugal, país que o encantou, que adoptou mais tarde, já a vida o levara para outras paragens, como destino de férias, como palco de golfe, uma das suas grandes paixões.
— Não hesitei perante o convite do Sporting. Sabia que ia trabalhar para um grande clube. A minha esposa tinha as suas dúvidas. É uma inglesa conservadora que não contemplava sem reflectir uma partida para esse país estranho que é o dos portugueses, onde as coisas se vivem com imensa paixão. Eu, pelo contrário, oriundo do Norte de Inglaterra, nunca tive dúvidas. Trabalhar em Portugal era uma alteração drástica na minha carreira. Mas convenci-me, rapidamente, de que essa alteração seria no melhor sentido.
— E foi?
— Tudo correu da melhor forma possível. O Sporting alugou-me um apartamento na zona de Carnide. Era um 9.º andar. Mas, das varandas, o que via eu? Nada mais, nada menos, o Estádio da Luz. Senti-me logo agradado com a atmosfera portuguesa. O Estádio da Luz era conhecido no mundo inteiro. Não podia sentir-me estranho à magia que o envolvia. Para mais, entre os portugueses, o meu clube era o Benfica. Entretanto, pensei que pertencia ao rival mais directo. E as pessoas diziam-me que o clube tinha a sua maneira especial de estar na vida. Foi formado por aristocratas e abriu-se, gradualmente, à classe média e, depois, ao mundo dos trabalhadores. Era um clube de todo o povo. Senti, então, que o meu novo clube era o Sporting. No fim de contas, também fui trabalhador. Nasci na zona operária de Durham e trabalhei nas minas de carvão como electricista. Mas a vida deu-me oportunidades e ultrapassei as diferenças de classe. Assim, sem problemas, o meu clube, agora, era o Sporting.
Dois anos mais tarde, Bobby Robson tinha atravessado o deserto, em Lisboa. Em Dezembro de 1993 a sua equipa andava na frente do campeonato português, mas a eliminação frente ao Casino Salzburgo, na Taça UEFA, faria perder a paciência ao presidente do clube, Sousa Cintra.
— Nunca na minha vida tinha sido despedido, nem quando trabalhei na indústria mineira, nem no futebol. Criaram-me uma situação insólita no clube. O pagamento dos meus honorários era protelado todos os dias. Marcavam-me reuniões. Eu estava preparado para deixar o Sporting e reorganizar a minha vida, rapidamente, desde que me pagassem o que me era devido. Estávamos no Outono de 1993 e tornava-se-me, particularmente, doloroso abrir as portas da varanda do meu apartamento, olhar o Estádio da Luz e pensar: Eis o clube onde devia estar, o glorioso Benfica, aquele que sempre admirei.
Gratidão a Portugal
Finalmente, o Sporting pagou-lhe. Bobby Robson, assim, ficou livre, mas não foi para a Luz, antes para o FC Porto. Com ele seguiu alguém que, além das funções de tradutor que tinha em Alvalade, já manifestava qualidades de condutor de homens e de especialista do treino, José Mourinho.
— Qual o momento mais emocionante e honroso que viveu na sua movimentada carreira?
Bobby Robson pára a conversa um pouco para pensar. Pelo espírito passavam-lhe, certamente, grandes momentos de futebol vividos no caudal dos grandes jogos, dos grandes acontecimentos. Mas, de repente, a inquietação que o atormentava diluiu-se e conheceu a realidade. «Foi quando me foi outorgado o título de sir e fui escolhido como um dos melhores do meu país.»
«Olha, se calhar vamos para o Benfica...»
Depois de Sporting
e FC Porto rumou a Barcelona, mas apenas um ano depois, quando deixou o comando técnico da equipa catalã e assumiu o cargo de director desportivo, o regresso a Portugal esteve perto. Para o Benfica. A seu lado teria vindo José Mourinho:
— A candidatura de Abílio Rodrigues à presidência do Benfica estava oficializada, em 1997, e tinha negociado comigo a minha ida para Lisboa para assumir o cargo de treinador principal do futebol benfiquista. Provavelmente, levaria comigo o José, a quem já tinha informado do destino para o qual me perfilava. Olha que, se calhar, vamos para o grande Benfica! Mas a verdade é que, feitas as eleições, o candidato que me escolhera não foi escolhido pelos votantes e, assim, uma vez mais, o destino afastou-me do clube em que tanto ambicionara trabalhar. Sem dúvida alguma, escolhi o cavalo errado. A minha aposta em Abílio Rodrigues falhou, tal como o seu projecto. Obviamente, teria sido sensacional. Seria um dos poucos na História do futebol português a ser treinador dos três principais clubes portugueses. Não acha que seria brilhante? É que o nome do Benfica põe brilho nas coisas...
Bobby Robson foi homenageado, recentemente, pela BBC, que lhe ofereceu o Prémio anual reservado à Personalidade Desportiva do Ano, na presença dos sobreviventes das equipas do Ipswich que venceram a Taça de Inglaterra e a Taça das Taças em 1978 e em 1981. Foi-lhe oferecida, também, uma diferente versão daquele Prémio com a qual a BBC só havia distinguido até agora Alex Ferguson, George Best e Pelé no futebol, Ian Botham no cricket e Martina Navratilova e Bjorn Borg no ténis.
Yes we CAN.....!
Anastercio Leonardo
Era tudo a correr de um lado para outro, sem marcações, sem defesas posicionadas, sem ataque estruturado...muita alma e pouca cabeça.
Bons jogos, competitivos, com golos e sem aqueles erros defensivos que eram costumeiros à uns anos atrás no futebol africano.
Gostei muito do Egipto (era comprarmos o Zidan , só que deve ser um pouco carote ), dos Camarões, Angola (super Manucho ). A desilusão foi o Senegal.
Em relação ao Bynia , boa CAN , tanto a medio como a lateral direito (sempre dá mais garantias que o Luís Filipe) e ao Zoro , também gostei, acho que como ele é que devia ser o terceiro central, pois é bem melhor que o Edcarlos . Alem disso, trata-se de um jogador que traz boas referencias do futebol italiano, onde era bastante elogiado pelos colegas de equipa e por adversarios.
Semper Fidelis , Semper Benfica
PS: Não há golos resultantes directamente de um lançamento da linha lateral.
No lance do Bynia, a bola lançada sobrevoa toda a gente e em seguida bate no chão na pequena área; não tenho as regras presentes, mas creio que ao bater no chão fica em jogo - e se tivesse entrado, era golo. O GR foi obrigado a esticar-se e ir buscá-la lá acima, junto à barra, depois do ressalto no chão.