Dicotomia
Da noite para o dia. Foi esta a diferença do Benfica da primeira parte para a segunda. Diferença na táctica, na qualidade de jogo, e sobretudo na atitude dos jogadores em campo. E todas estas diferenças (para melhor na segunda parte) permitiram-nos derrotar folgadamente o Estrela da Amadora, ficando até a sensação de que o resultado final poderia ter sido ainda mais folgado do que o 3-0.
Com quase o mesmo onze do Restelo (a única alteração foi o Binya no lugar do Petit), o Benfica na primeira parte presenteou-nos com um autêntico 'Pesadelo no Restelo - Parte II'. Muita apatia na maioria dos jogadores, falta de comunicação, mau futebol e escassez de ideias resultaram numa exibição atroz. Em termos tácticos os próprios jogadores pareciam estar confusos, aglomerando-se no centro do terreno e atrapalhando-se uns aos outros. A apatia e falta de vontade de correr dos jogadores ficou para mim bem expressa numa jogada em que o Nélson intercepta uma bola junto à nossa área, e de imediato progride no terreno junto à linha. Pouco depois de passar a linha do meio-campo teve que parar e passar a bola para trás, isto porque nessa altura ele já era o jogador mais adiantado no terreno: o resto da equipa ficou toda parada a olhar para ele enquanto subia. O Benfica também jogou praticamente sem extremos: os dois uruguaios passaram o tempo todo a complicar, agarrando-se à bola e metendo-se para o interior do campo, chegando a ser exasperante ver os nossos laterais sem opções para trocar a bola junto à linha (em relação ao Maxi Pereira, devo dizer que durante a primeira parte terá feito uma das exibições mais inúteis e desastradas que alguma vez vi um jogador do Benfica fazer - incluindo o Luís Filipe). Durante estes penosos primeiros quarenta e cinco minutos, apenas dois lances de realce: um cabeceamento do Cardozo a centro do Rui Costa, bem defendido pelo Nélson, e um outro cabeceamento do Rodríguez após uma bonita iniciativa do Nélson na direita, que passou muito perto do poste. E assim se chegou ao intervalo, connosco mais uma vez a dar uma parte de avanço ao adversário.

Na segunda parte vieram as já referidas alterações. Em primeiro lugar, tácticas, com o Benfica a apresentar-se num 4-4-2 bem definido, e com duas surpresas, pelo menos para mim. A primeira foi a saída do Nélson, ficando o Maxi com as funções de lateral direito. Conforme disse, o Maxi foi claramente o pior jogador do Benfica na primeira parte (e tendo em conta quão má foi a nossa primeira parte, isto quer dizer muito), e ter-se mantido em campo pareceu-me um recompensa injusta para tal desempenho. A segunda surpresa foi a saída do Rui Costa, tendo em conta a conhecida dependência que temos dele (eu teria apostado no Binya para sair). Para os seus lugares entraram o Di María e o Nuno Gomes. A diferença notou-se praticamente desde o apito para o início do segundo tempo. A atitude foi completamente diferente, e houve jogadores que se transfiguraram completamente após o intervalo - o Katsouranis foi o caso mais flagrante. Talvez por não podermos recorrer ao subterfúgio de meter sempre a bola nos pés do Rui Costa e esperar para ver o que ele faz, começámos a jogar a toda a largura do campo - desta vez com extremos a sério, com o Di María bem encostado à linha direita e o Rodríguez a fazer o mesmo do lado contrário. Além disso, como também não havia o marcador directo do Rui a segui-lo por todo o lado, a zona no meio-campo à frente da defesa do Estrela ficou mais desanuviada, o que permitiu mais espaço para construirmos jogadas perto da área adversária.

As oportunidades de golo começaram a surgir de imediato. Logo a abrir o Binya enviou uma bola à barra. E pouco depois o golo surgiu mesmo, num cabeceamento do Rodríguez ao primeiro poste, após um lançamento de linha lateral do Binya. Não abrandou o Benfica após o golo, e as oportunidades continuaram a suceder-se: livre do Cardozo a originar uma grande defesa do Nélson, cabeceamento do Katsouranis a passar perto, remate de ângulo apertado do Nuno Gomes a ser sacudido para canto, e na sequência desse mesmo canto, penalti (pareceu-me) claro sobre o David Luiz, que o Cardozo aproveitou para colocar o marcador em 2-0. A pressão continuou, com os nossos jogadores a manterem sempre um ritmo de jogo bastante elevado, jogando-se quase exclusivamente no meio-campo do Estrela, mas só mesmo no minuto noventa surgiu o terceiro golo, com o Nuno Gomes a encostar facilmente após uma assistência do Di María na direita. E ainda deu para mais nos minutos de desconto, pois o Cardozo ainda viu uma grande oportunidade de golo ser negada pelo Nélson, e não sei se não terá sido mesmo penalti sobre o Adu (que viu cartão amarelo por simulação).

Quanto aos nossos jogadores, acho que praticamente só posso falar da segunda parte, já que a primeira foi tão má que quero apagá-la rapidamente da memória. Não sei se foi o melhor em campo ou não, mas um jogador que me agradou durante quase todo o jogo foi o David Luíz. A jogar muito em antecipação, como gosta, trouxe várias vezes a bola controlada para o ataque, enquanto que na defesa esteve sempre atento. Também o Katsouranis, tal como disse anteriormente, fez para mim uma grande segunda parte, actuando como um verdadeiro médio 'box-to-box' assim que se libertou das amarras da posição de trinco puro. Achei que a entrada quer do Di María, quer do Nuno Gomes, foram importantes. O primeiro esteve bastante activo na direita, construiu boas jogadas de entendimento com o Maxi, e culminou a sua actuação com uma assitência para o Nuno Gomes marcar. Além disso veio trazer mais velocidade a um jogo que, da nossa parte, estava quase estagnado no primeiro tempo. O segundo veio causar muito maiores dificuldades à defesa do Estrela com as suas movimentações, alterando o cenário da primeira parte, em que o avançado único era presa fácil, e ainda marcou um golo (o sexto no campeonato). O Léo também fez uma boa segunda parte, e viu o seu nome ser gritado das bancadas da Luz. No final do jogo, com a educação a que nos habituou, deu-nos esperanças que possa permanecer no Benfica. Pela parte que me toca, espero que assim aconteça.
Esta vitória foi importante para travar o ciclo negativo das últimas jornadas, garantindo a passagem de ano no segundo lugar. Fica a preocupação de termos visto uma primeira parte a um nível muito baixo, quando todos esperaríamos que o que se passou no Restelo não voltasse a acontecer. Resta agora esperar que 2008, traga melhores dias nas muitas jornadas que ainda há por disputar no campeonato.
Com quase o mesmo onze do Restelo (a única alteração foi o Binya no lugar do Petit), o Benfica na primeira parte presenteou-nos com um autêntico 'Pesadelo no Restelo - Parte II'. Muita apatia na maioria dos jogadores, falta de comunicação, mau futebol e escassez de ideias resultaram numa exibição atroz. Em termos tácticos os próprios jogadores pareciam estar confusos, aglomerando-se no centro do terreno e atrapalhando-se uns aos outros. A apatia e falta de vontade de correr dos jogadores ficou para mim bem expressa numa jogada em que o Nélson intercepta uma bola junto à nossa área, e de imediato progride no terreno junto à linha. Pouco depois de passar a linha do meio-campo teve que parar e passar a bola para trás, isto porque nessa altura ele já era o jogador mais adiantado no terreno: o resto da equipa ficou toda parada a olhar para ele enquanto subia. O Benfica também jogou praticamente sem extremos: os dois uruguaios passaram o tempo todo a complicar, agarrando-se à bola e metendo-se para o interior do campo, chegando a ser exasperante ver os nossos laterais sem opções para trocar a bola junto à linha (em relação ao Maxi Pereira, devo dizer que durante a primeira parte terá feito uma das exibições mais inúteis e desastradas que alguma vez vi um jogador do Benfica fazer - incluindo o Luís Filipe). Durante estes penosos primeiros quarenta e cinco minutos, apenas dois lances de realce: um cabeceamento do Cardozo a centro do Rui Costa, bem defendido pelo Nélson, e um outro cabeceamento do Rodríguez após uma bonita iniciativa do Nélson na direita, que passou muito perto do poste. E assim se chegou ao intervalo, connosco mais uma vez a dar uma parte de avanço ao adversário.

Na segunda parte vieram as já referidas alterações. Em primeiro lugar, tácticas, com o Benfica a apresentar-se num 4-4-2 bem definido, e com duas surpresas, pelo menos para mim. A primeira foi a saída do Nélson, ficando o Maxi com as funções de lateral direito. Conforme disse, o Maxi foi claramente o pior jogador do Benfica na primeira parte (e tendo em conta quão má foi a nossa primeira parte, isto quer dizer muito), e ter-se mantido em campo pareceu-me um recompensa injusta para tal desempenho. A segunda surpresa foi a saída do Rui Costa, tendo em conta a conhecida dependência que temos dele (eu teria apostado no Binya para sair). Para os seus lugares entraram o Di María e o Nuno Gomes. A diferença notou-se praticamente desde o apito para o início do segundo tempo. A atitude foi completamente diferente, e houve jogadores que se transfiguraram completamente após o intervalo - o Katsouranis foi o caso mais flagrante. Talvez por não podermos recorrer ao subterfúgio de meter sempre a bola nos pés do Rui Costa e esperar para ver o que ele faz, começámos a jogar a toda a largura do campo - desta vez com extremos a sério, com o Di María bem encostado à linha direita e o Rodríguez a fazer o mesmo do lado contrário. Além disso, como também não havia o marcador directo do Rui a segui-lo por todo o lado, a zona no meio-campo à frente da defesa do Estrela ficou mais desanuviada, o que permitiu mais espaço para construirmos jogadas perto da área adversária.

As oportunidades de golo começaram a surgir de imediato. Logo a abrir o Binya enviou uma bola à barra. E pouco depois o golo surgiu mesmo, num cabeceamento do Rodríguez ao primeiro poste, após um lançamento de linha lateral do Binya. Não abrandou o Benfica após o golo, e as oportunidades continuaram a suceder-se: livre do Cardozo a originar uma grande defesa do Nélson, cabeceamento do Katsouranis a passar perto, remate de ângulo apertado do Nuno Gomes a ser sacudido para canto, e na sequência desse mesmo canto, penalti (pareceu-me) claro sobre o David Luiz, que o Cardozo aproveitou para colocar o marcador em 2-0. A pressão continuou, com os nossos jogadores a manterem sempre um ritmo de jogo bastante elevado, jogando-se quase exclusivamente no meio-campo do Estrela, mas só mesmo no minuto noventa surgiu o terceiro golo, com o Nuno Gomes a encostar facilmente após uma assistência do Di María na direita. E ainda deu para mais nos minutos de desconto, pois o Cardozo ainda viu uma grande oportunidade de golo ser negada pelo Nélson, e não sei se não terá sido mesmo penalti sobre o Adu (que viu cartão amarelo por simulação).

Quanto aos nossos jogadores, acho que praticamente só posso falar da segunda parte, já que a primeira foi tão má que quero apagá-la rapidamente da memória. Não sei se foi o melhor em campo ou não, mas um jogador que me agradou durante quase todo o jogo foi o David Luíz. A jogar muito em antecipação, como gosta, trouxe várias vezes a bola controlada para o ataque, enquanto que na defesa esteve sempre atento. Também o Katsouranis, tal como disse anteriormente, fez para mim uma grande segunda parte, actuando como um verdadeiro médio 'box-to-box' assim que se libertou das amarras da posição de trinco puro. Achei que a entrada quer do Di María, quer do Nuno Gomes, foram importantes. O primeiro esteve bastante activo na direita, construiu boas jogadas de entendimento com o Maxi, e culminou a sua actuação com uma assitência para o Nuno Gomes marcar. Além disso veio trazer mais velocidade a um jogo que, da nossa parte, estava quase estagnado no primeiro tempo. O segundo veio causar muito maiores dificuldades à defesa do Estrela com as suas movimentações, alterando o cenário da primeira parte, em que o avançado único era presa fácil, e ainda marcou um golo (o sexto no campeonato). O Léo também fez uma boa segunda parte, e viu o seu nome ser gritado das bancadas da Luz. No final do jogo, com a educação a que nos habituou, deu-nos esperanças que possa permanecer no Benfica. Pela parte que me toca, espero que assim aconteça.
Esta vitória foi importante para travar o ciclo negativo das últimas jornadas, garantindo a passagem de ano no segundo lugar. Fica a preocupação de termos visto uma primeira parte a um nível muito baixo, quando todos esperaríamos que o que se passou no Restelo não voltasse a acontecer. Resta agora esperar que 2008, traga melhores dias nas muitas jornadas que ainda há por disputar no campeonato.
Comentários
- Com Rui Costa, a equipa ganha obviamente em classe e em capacidade de passe - isto é tão óbvio que nem seria preciso dizer, a não ser para suportar o que digo a seguir.
- Infelizmente: não há um ponta-de-lança com o grau de eficácia necessário para transformar em golos as oportunidades que os "passes de morte" do maestro criam
- Com ele, a táctica da equipa parece transformar-se em "Passa a bola ao Rui e espera a ver o que ele faz"; os restantes jogadores parecem demitir-se de responsabilidades quando ele está em campo (o que se calhar resulta na tal falta de empenho que já aqui foi debatida)
- Com ele, a equipa perde velocidade
Veja-se o jogo de ontem: Rui COsta jogou bem na primeira parte, fez coisas magníficas, mas a equipa não o acompanhou e o resultado prático foi nulo.
Na segunda parte, não houve Rui Costa mas a equipa resolveu.
Pergunto: haverá neste momento um divórcio entre Rui Costa e a equipa? Espero que não, que isto não passe de infeliz coincidência.
É um tema que me preocupa, gostaria de ler as vossas opiniões.
A última delas, precisamente no Restelo, nem sequer foi presenciada por Luís Filipe Vieira, mais uma vez obrigado a vestir a pele de director-geral e a viajar para o México com o objectivo de assegurar os reforços desejados na reabertura do mercado.
Neste quadro, é difícil adivinhar qual das situações seria mais irreal se o clube em causa fosse o FC Porto, o líder destacado da Liga e tido unanimemente como a instituição modelar no que respeita aos princípios de organização e de gestão. Até José Veiga seria o primeiro a admitir que depois de duas derrotas seguidas nem sequer o sítio oficial do FC Porto seria autorizado a desvendar a intimidade do Olival, quanto mais uma câmara "exterior" a filmar e a escutar as declarações de Jesualdo Ferreira. Por outro lado, jamais seria equacionável a ausência do presidente e muito menos à conta da "rodagem" de uma "novela" mexicana, como já parece ser o caso da controversa aquisição de "Chelito".
Perante estes exemplos, que vêm de cima, percebe-se facilmente a naturalidade com que o capitão de equipa, Nuno Gomes, apadrinhou o lançamento de uma obra cujo título acaba por revelar um dos poucos "segredos" de balneário que ainda não se conheciam das águias. "Somos os maiores, mainada!" está no cabeçalho do último livro do universo encarnado e é também, ficou a saber-se, o grito de "guerra" que Nuno costuma lançar aos companheiros em dia de jogo.
Enfim, no meio da total dispersão de meios, ideias e pessoas que caracteriza o "circo" mediático do Benfica nesta quadra natalícia, é de louvar ainda assim a sintonia semântica que une os discursos de Camacho e Nuno Gomes. Se o capitão também sustenta as palavras de incentivo aos colegas na impressionante massa associativa benfiquista, já o treinador é o primeiro a assumir que "o melhor do Benfica são os adeptos". Esta avaliação do espanhol pode, claro, ser interpretada de muitas formas e deve merecer a total consideração de Vieira na hora de escolher os reforços, até porque o próprio Camacho também já revelou que em breve poderão sair "jogadores importantes". E aqui sim, neste cenário reservado às vendas, o líder do Benfica estará em condições de oferecer a sua experiência de viajante a Pinto da Costa, o qual, de acordo com o seu advogado, um dia ter-se-ia deslocado a Vigo não para fechar um qualquer "Chelito" mas antes na expectativa de vender Pepe...
esta é a diferença entre o maior clube p+ortugues de todos os tempos e o clube dos porcos esta é a verdade por muito ke custe nao sao eles ke sao muito bons na nossa casa é ke á gente muito fraca a cabeçinha destes dirigentes trocada por um burro a animal ficaria a perder de certeza alem do amor deles ao clube e sobretudo ao futebol deve ser pouco quando o gosto é pouco é dificilimo ser bom naquilo ke se faz
foi ao mexico prestar se ao ridiculo enfim
O problema não é do Rui Costa, nem de um suposto divórcio entre o Rui e a equipa. É da táctica e do treinador.
Por isso é que se diz que o Benfica joga melhor com dois avançados (por isso e por os dois avançados terem melhores características para jogarem acompanhados!)
Bom Natal a todos
Já sei, o Benfica não é caso único, há muitos casos assim em Portugal e lá fora. Mas entristece-me ver assim o Benfica, jogadores vulgares por jogadores vulgares, preferia que fossem portugueses.
Não tem características de extremo, e por isso é fácil criticá-lo. O Camacho desta vez fez a opção correcta, porque o Maxi é o melhor lateral direito do Benfica, e o lugar devia ser dele, porque o faz melhor, e porque com um jogador mais ofensivo a médio direito o Benfica joga muito melhor.
Já o Rui Costa é um falso problema.
O problema (um dos muuuuuuuuitos do Benfica de hoje) é o facto de jogarmos com 2 trincos contra uma equipa como o Estrela, não faz sentido.
Com 1 + Rui Costa, e 2 avançados, a equipa joga muito mais à frente - a questão não é o melhor ser o Nuno Gomes ou o Cardozo ou o Rui ou qq outro, mas sim o posicionamento de toda a equipa.
Vivó Benfas
Quanto às claques... só quero ver quanto é que o Benfica vai pagar por mais uma parvoice das claques.
1000 ou 2000 euros...
No que toca a Léo... sim ele é educado. O advogado dele é que é mesmo uma besta. Uma personagem que foi ao Estádio da Luz e a uns jornais disse que a reunião foi cancelada e a outros que a reunião não deu em nada... bem...
E além do mais... pelas minhas fontes (e confirmado pelo que veio na BOLA de ontem) não havia reunião agendada durante esta semana.
Se a tocha (aquilo não é um very light ) tivesse sido acendida para provocar a polícia tinha sido atirada na sua direcção. Mas foi precisamente no sentido contrário. Eu, pessoalmente, gosto de ver tochas e potes de fumo nos estádios (já não percebo os very light que, felizmente, desde a tragédia do Jamor não voltaram a ser utilizados), mas compreendo a sua proibição e que haja quem não goste. O que não posso, e já ontem discuti isso com alguns dos meus companheiros de bancada, é aceitar que alguém justifique a intervenção policial. Seria o mesmo que dar carta branca à polícia para agredir um automobilista que não respeita os limites de velocidade ou que é apanhado a conduzir bêbedo. Acho que ainda vivemos num Estado de Direito onde o uso da força tem que ser proporcional aos acontecimentos. E aquela carga policial poderia ter ferido muita gente (felizmente ninguém caiu bancada abaixo). A tocha esteve muito tempo a arder entre os adeptos (como viria a estar outra após o segundo golo) antes daquele estúpido a ter atirado para o relvado (atitude que, obviamente, condeno). Mas via-se (pelo menos dos pisos superiores ) que estava mais ou menos na 10ª fila a contar de cima. A polícia nem chegou a lá ir. Limitou-se a bater em quem estava à sua frente. Como nem sequer apareceram à vista do público, significa que não passaram da 3ª fila (as que ficam tapadas pelo Piso 1). Ou seja, limitaram-se a aproveitar a situação para dar umas bastonadas e mandar o pessoal pela bancada abaixo sem se preocupar minimamente em identificar e deter o prevaricador. Isto não é zelar pela segurança. Isto é promover a insegurança. Entretanto, já tive a oportunidade de falar com os amigos que frequentam o Piso 0 da Sagres e fiquei a saber que foram os próprios elementos à paisana que puseram fim à situação, pedindo ao Corpo de intervenção que recuasse, o que reforça, penso eu, a questão do uso desproporcionado de força naquela situação.
A Luz, infelizmente, continua a ser um local perigoso, mais por culpa dos elementos de segurança que pelos adeptos. Alguns já terão conhecimento desta história, mas reproduzo-a para alerta de outros. No mês passado, um adepto do Belenenses que se deslocou à Luz para ver o Benfica Milan foi barbaramente agredido por vários polícias, que o abordaram no momento em que fotografava adeptos de ambos os clubes. Perante a recusa de entregar a sua máquina fotográfica, arrastaram-no para as escadarias onde consumaram a agressão, primeiro, e decretaram a sua detenção. No dia seguinte foi presente a tribunal por alegada agressão aos verdadeiros agressores. É triste que isto aconteça e dou por mim a pensar se não corri o mesmo risco quando fui ver a Roma ao Alvalaxia e me diverti a tirar fotos e fazer vídeos do jogo (incluindo o auto golo do Polga :)). Lamento também outra situação ocorrida no Benfica Porto. Não sei o que vos disseram à data da aquisição dos vossos cativos, mas a mim garantiram-me que o lugar é transmissível. Já passei o meu cartão a amigos quando estive ausente do País e até já levei a minha namorada em dias que o meu pai não pode estar presente. Acontece que uma amiga minha foi barrada por ter tentado aceder ao lugar de um familiar (julgo que o tio). Foi-lhe dito por um elemento da segurança privada que o cativo não era transmissível e, perante a sua insistência em falar com um responsável antes de abandonar o local (direito que lhe assiste), foi-lhe dito que iria ser chamado o Corpo de Intervenção para a retirar dali. escusado será dizer que ela se pôs logo a andar e foi ver o jogo para um dos restaurantes da galeria comercial. Pergunto-me que lógica assenta por trás desta constante exibição de músculo no nosso estádio.
Quanto ao jogo, acho a vitória natural pela alteração do desenho táctico, mas não acho que o Benfica tenha jogado melhor na segunda parte do que na primeira. Mas é óbvio que ter mais gente na frente, especial contra uma equipa fraquinha que, naturalmente, vai quebrando fisicamente, ajuda