À Benfica
Missão cumprida, e o prémio de consolação (continuidade na Europa, via UEFA) conquistado. E isto foi conseguido, tal como outras vitórias esta época, à custa de atitude. Foi esta atitude que eu não vi no Sábado passado em campo, e por isso me irritei tanto. É que mesmo quando as coisas por acaso não correm pelo melhor, quando os jogadores se apresentam em campo com a mentalidade de hoje, há sempre mais hipóteses do final ser feliz.

Duas 'surpresas' no onze inicial do Benfica esta noite, considerando as equipas que iam sendo avançadas pelos jornaleiros: o regresso do Nélson à titularidade na direita da defesa e a presença do Cardozo no ataque, relegando o Nuno Gomes para o banco de suplentes. Pelo Shakhtar, entrou em campo exactamente a mesma equipa que há cerca de dois meses nos venceu na Luz, com o trio brasileiro no meio-campo que tanto trabalho deu nesse jogo. Os ucranianos entraram com a intenção de pressionar o Benfica, mas logo aos cinco minutos de jogo um desentendimento entre na defesa ucraniana deixou o Cardozo isolado, e o Tacuara limitou-se a ultrapassar o guarda-redes e a atirar para a baliza deserta. Era difícil pedir um início melhor. O Shakhtar não abrandou a pressão, jogando um futebol de passes rápidos e bastante aberto, com os laterais a surgirem frequentemente nas alas a cruzar a bola. Apesar desta pressão, a verdade é que a bola era colocada na nossa área várias vezes, mas não se viam muitas verdadeiras oportunidades de golo para os adversários, muito por culpa da coesão e organização defensiva do Benfica. Aliás, uma boa parte da culpa desta pressão ofensiva ucraniana era do próprio Benfica, que parecia demasiado ansioso em afastar a bola o mais rapidamente possível da sua baliza, em vez de tentar saídas mais controladas para o ataque, e assim a bola regressava rapidamente aos pés dos adversários, permitindo-lhes lançar mais um ataque.

Estava o jogo nesta toada quando, pouco depois dos vinte minutos, o Benfica resolve atacar com alguma organização. O Nélson recupera uma bola em antecipação sobre a linha do meio-campo, progride até perto da área e solta a bola para o Maxi Pereira na direita. Este faz um centro bem medido para a área, onde o Cardozo aparece a fuzilar a baliza com um cabeceamento irrepreensível. Nada mau para um jogador cujo jogo de cabeça tem sido objecto de críticas frequentes desde que chegou à Luz (e talvez sinal que algum trabalho estará a ser feito para corrigir esse aspecto do jogo dele). Dois a zero para o Benfica, conseguidos com uma eficácia tal que até era estranho (nos cinco jogos anteriores devemos ter feito mais de oitenta remates para marcarmos três golos). Infelizmente a tranquilidade de uma vantagem de dois golos não durou muito, já que à meia-hora de jogo um penalti muito infantil (também um pouco forçado) do David Luiz permitiu aos ucranianos reduzirem, através do Lucarelli. Só que quando se esperava um assalto ainda mais intenso à nossa baliza, a verdade é que pouco depois deste golo aconteceu precisamente o contrário. O Shakhtar como que perdeu a chama, e o Benfica começou a ser capaz de manter a bola em seu poder durante mais tempo, trocá-la em progressão, e jogar no meio-campo adversário, sendo assim relativamente fácil chegar ao intervalo em vantagem.

Na segunda parte mais uma vez o Shakhtar deu a sensação de querer entrar em força, mas foi sol de pouca dura, já que acabou por ser um fogacho de cerca de cinco minutos. Com o Benfica a melhorar bastante o posicionamento na defesa e, pareceu-me, uma subida acentuada de rendimento dos nossos dois médios defensivos (em especial o Katsouranis), o adversário já não conseguiu impor o seu ritmo no jogo. Talvez por isso (felizmente) alteraram radicalmente o seu estilo de jogo, já que em vez do futebol ao primeiro toque e pelas faixas, passaram a optar cada vez mais pelo jogo directo, com os brasileiros do meio-campo a passarem grande parte do tempo a verem a bola passar por cima das suas cabeças. A um jogo deste tipo o Luisão e o David Luiz agradecem, e acho que apenas consigo recordar-me de uma oportunidade dos ucranianos, quando o Srna apareceu a rematar de um ângulo quase fechado à parte de fora do poste (com o Quim bem posicionado). Entretanto abriam-se também espaços para o Benfica poder contra-atacar, e pelo menos já tinha a sensação de que até era possível que conseguíssemos marcar o golo que decidiria o jogo. Tal não aconteceu, e o resultado que nos deu o apuramento para a UEFA foi seguro sem grandes sobressaltos.

A equipa hoje actuou sobretudo como um bloco, e não é fácil estar a destacar muitos jogadores. Mas é evidente que o Cardozo, por ter marcado os dois golos, e por ter trabalhado muito na frente apesar de desacompanhado a maior parte do tempo, tem que ser mencionado. Também menciono a defesa. Não destaco nenhum jogador individualmente, até porque para mim todos eles acabaram por cometer um ou outro erro básico durante o jogo. Mas a verdade é que quando um destes erros era cometido, aparecia quase sempre um colega bem posicionado a fazer a dobra e a anular o perigo. Gostei desta coesão do sector defensivo, e da equipa em geral.

Não foi uma exibição brilhante, mas foi mais uma vitória conseguida à custa de muito trabalho e de uma boa atitude em campo. Conforme já disse, quando é assim é mais difícil as coisas correrem mal. E mesmo quando correm mal, é mais difícil eu ficar chateado com a equipa. Porque jogar com esta alma é também jogar à Benfica, e por isso hoje foi uma vitória à Benfica. Não tenho muitas dúvidas que esta vitória será uma desilusão para muita gente, apostada que estaria em ver o Benfica resvalar após a derrota do passado Sábado. Uma ronda rápida pelos jornais online já deixa antever azia, e ver que aquilo que por outras bandas seria 'eficácia' ou 'personalidade' quando se passa aqui para os nossos lados já se chama 'sorte', 'felicidade' e outras coisas mais. Nada a que não esteja já habituado.

Duas 'surpresas' no onze inicial do Benfica esta noite, considerando as equipas que iam sendo avançadas pelos jornaleiros: o regresso do Nélson à titularidade na direita da defesa e a presença do Cardozo no ataque, relegando o Nuno Gomes para o banco de suplentes. Pelo Shakhtar, entrou em campo exactamente a mesma equipa que há cerca de dois meses nos venceu na Luz, com o trio brasileiro no meio-campo que tanto trabalho deu nesse jogo. Os ucranianos entraram com a intenção de pressionar o Benfica, mas logo aos cinco minutos de jogo um desentendimento entre na defesa ucraniana deixou o Cardozo isolado, e o Tacuara limitou-se a ultrapassar o guarda-redes e a atirar para a baliza deserta. Era difícil pedir um início melhor. O Shakhtar não abrandou a pressão, jogando um futebol de passes rápidos e bastante aberto, com os laterais a surgirem frequentemente nas alas a cruzar a bola. Apesar desta pressão, a verdade é que a bola era colocada na nossa área várias vezes, mas não se viam muitas verdadeiras oportunidades de golo para os adversários, muito por culpa da coesão e organização defensiva do Benfica. Aliás, uma boa parte da culpa desta pressão ofensiva ucraniana era do próprio Benfica, que parecia demasiado ansioso em afastar a bola o mais rapidamente possível da sua baliza, em vez de tentar saídas mais controladas para o ataque, e assim a bola regressava rapidamente aos pés dos adversários, permitindo-lhes lançar mais um ataque.

Estava o jogo nesta toada quando, pouco depois dos vinte minutos, o Benfica resolve atacar com alguma organização. O Nélson recupera uma bola em antecipação sobre a linha do meio-campo, progride até perto da área e solta a bola para o Maxi Pereira na direita. Este faz um centro bem medido para a área, onde o Cardozo aparece a fuzilar a baliza com um cabeceamento irrepreensível. Nada mau para um jogador cujo jogo de cabeça tem sido objecto de críticas frequentes desde que chegou à Luz (e talvez sinal que algum trabalho estará a ser feito para corrigir esse aspecto do jogo dele). Dois a zero para o Benfica, conseguidos com uma eficácia tal que até era estranho (nos cinco jogos anteriores devemos ter feito mais de oitenta remates para marcarmos três golos). Infelizmente a tranquilidade de uma vantagem de dois golos não durou muito, já que à meia-hora de jogo um penalti muito infantil (também um pouco forçado) do David Luiz permitiu aos ucranianos reduzirem, através do Lucarelli. Só que quando se esperava um assalto ainda mais intenso à nossa baliza, a verdade é que pouco depois deste golo aconteceu precisamente o contrário. O Shakhtar como que perdeu a chama, e o Benfica começou a ser capaz de manter a bola em seu poder durante mais tempo, trocá-la em progressão, e jogar no meio-campo adversário, sendo assim relativamente fácil chegar ao intervalo em vantagem.

Na segunda parte mais uma vez o Shakhtar deu a sensação de querer entrar em força, mas foi sol de pouca dura, já que acabou por ser um fogacho de cerca de cinco minutos. Com o Benfica a melhorar bastante o posicionamento na defesa e, pareceu-me, uma subida acentuada de rendimento dos nossos dois médios defensivos (em especial o Katsouranis), o adversário já não conseguiu impor o seu ritmo no jogo. Talvez por isso (felizmente) alteraram radicalmente o seu estilo de jogo, já que em vez do futebol ao primeiro toque e pelas faixas, passaram a optar cada vez mais pelo jogo directo, com os brasileiros do meio-campo a passarem grande parte do tempo a verem a bola passar por cima das suas cabeças. A um jogo deste tipo o Luisão e o David Luiz agradecem, e acho que apenas consigo recordar-me de uma oportunidade dos ucranianos, quando o Srna apareceu a rematar de um ângulo quase fechado à parte de fora do poste (com o Quim bem posicionado). Entretanto abriam-se também espaços para o Benfica poder contra-atacar, e pelo menos já tinha a sensação de que até era possível que conseguíssemos marcar o golo que decidiria o jogo. Tal não aconteceu, e o resultado que nos deu o apuramento para a UEFA foi seguro sem grandes sobressaltos.

A equipa hoje actuou sobretudo como um bloco, e não é fácil estar a destacar muitos jogadores. Mas é evidente que o Cardozo, por ter marcado os dois golos, e por ter trabalhado muito na frente apesar de desacompanhado a maior parte do tempo, tem que ser mencionado. Também menciono a defesa. Não destaco nenhum jogador individualmente, até porque para mim todos eles acabaram por cometer um ou outro erro básico durante o jogo. Mas a verdade é que quando um destes erros era cometido, aparecia quase sempre um colega bem posicionado a fazer a dobra e a anular o perigo. Gostei desta coesão do sector defensivo, e da equipa em geral.

Não foi uma exibição brilhante, mas foi mais uma vitória conseguida à custa de muito trabalho e de uma boa atitude em campo. Conforme já disse, quando é assim é mais difícil as coisas correrem mal. E mesmo quando correm mal, é mais difícil eu ficar chateado com a equipa. Porque jogar com esta alma é também jogar à Benfica, e por isso hoje foi uma vitória à Benfica. Não tenho muitas dúvidas que esta vitória será uma desilusão para muita gente, apostada que estaria em ver o Benfica resvalar após a derrota do passado Sábado. Uma ronda rápida pelos jornais online já deixa antever azia, e ver que aquilo que por outras bandas seria 'eficácia' ou 'personalidade' quando se passa aqui para os nossos lados já se chama 'sorte', 'felicidade' e outras coisas mais. Nada a que não esteja já habituado.
Comentários
- Luisão: o gigante voltou, desta vez face a algum nervosismo e infantilidade de David Luíz, foi o Luisão a impor a ordem e a liderar a nossa defesa
- Cardozo: 2 golos, já "valeu" 2 vitórias na Champions, é isto que esperamos do Tacuara. Eu aconselhava-o era sempre a jogar com aquela fita preta, para quem cá não faz um cabeceamento de jeito, ontem disparou um míssil "à Jardel"! Fantástico.
Pela negativa apenas a insegurança no passe, nomeadamente na 1ª parte, o que fazia com que a possa de bola fosse maioritariamente do Shaktar acentuando a pressão que só não deu piores resultados porque a equipa ucraniana falhou quase sempre no último passe.
Americano
acho que o equipamento foi bem escolhido para a noite de ontem: uma exibição que alternou entre o cinzento e o vermelho muito deslavado, que resultou num resultado cor-de-rosa, próprio de um conto de fadas ou de uma história faz de conta, neste caso, em que Cardozo fez de conta que era o liedson (no primeiro golo) e que era o jardel (no segundo); o Benfica fez de conta que era uma equipa da nossa liga, da tabela inferior, a jogar na Luz; o shakhtar fez de conta que era o Benfica a jogar na Luz contra uma equipa da nossa liga, da tabela inferior; e até o Quim fez de conta que defendeu o pénalti (também um bocadinho faz de conta). No meio disto tudo, e feitas as contas, ganhámos (bem ou mal, pouco interessa) e continuamos na europa como mercemos e devemos O QUE ME DEIXA EXTREMAMENTE...normalizado, porque nunca pensei que não fosse este o nosso destino.
NR: no final do jogo, não pude deixar de pensar nos adeptos do shakhtar e dedicar-lhes alguma compaixão - eu sei bem o que me custa perder jogos desta maneira. Passado esse segundo voltei a sorrir
;)))