Desequilíbrio
Foi demasiado Milan para nós. O Benfica bateu-se como pôde, mas a verdade é que o resultado final da partida nunca pareceu estar em causa, particularmente depois do Milan ter conseguido rapidamente colocar-se numa situação confortável. Ainda não foi desta que quebrámos a malapata de San Siro.

Com a infeliz ausência do Petit, foi preciso esticar a manta. Isto significou subir o Katsouranis para o meio-campo, promovendo-se o regresso do Miguel Vítor ao centro da defesa, alinhando ao lado do Edcarlos. Também no meio-campo houve alterações, com a passagem do Maxi Pereira para o centro, subindo o Rui costa para as costas do ponta-de-lança e passando o Di María para a direita. A superioridade do Milan tornou-se evidente desde o primeiro minuto, sobretudo no meio-campo. Talvez um reflexo da ausência do Petit, parecia-me sobretudo que o nosso meio-campo estava demasiado macio, dando demasiado tempo e espaço ao fantástico Pirlo para pensar e distribuir quase todo o jogo dos italianos. Para além disso, havia ainda o pequeno 'pormenor' Kaká, que parece jogar a uma velocidade superior a todos os outros. Em termos ofensivos, e com o Rui Costa um pouco 'enterrado' no meio dos cinco médios milaneses, a construção do nosso jogo era quase inexistente, com as jogadas a serem mortas quase à nascença à entrada do meio-campo adversário, devido à pressão constante dos médios milaneses.
O Milan chegou à vantagem logo aos oito minutos, através de um livre directo do Pirlo. A primeira impressão que dá é que o Quim é mal batido, até porque chega a tocar na bola, mas a verdade é que a bola foi colocada mesmo no ângulo. E diga-se que mesmo tendo passado apenas tão pouco tempo, o Milan já tinha estado perto de marcar, e dado sinais de querer resolver o jogo cedo. Tanto que, mesmo após o golo, não abrandou, e continuou a pressionar à procura de mais um golo. Esteve perto de o conseguir, e valeu-nos o desacerto do Inzaghi e o acerto do Quim para que tal não acontecesse. O primeiro safanão que o Benfica deu no jogo foi pouco depois dos vinte minutos, com um remate do Rui Costa defendido em dificuldade pelo Dida, e logo a seguir com uma cabeçada do Cardozo ao poste após cruzamento do Di María. Praticamente na resposta, o Milan voltou a marcar. Fê-lo de uma forma que acaba por ser irritante, já que foi através de um contra-ataque. Com o Benfica instalado na área adversária para a marcação de um livre, um mau passe do Miguel Vítor acabou nos pés do Kaká, que correu de uma baliza à outra deixando praticamente toda a nossa equipa sem velocidade para recuperar. A classe do Pirlo fez o resto, oferecendo o golo ao Inzaghi. A partir daqui o Milan desacelerou nitidamente, passando o jogo então a ser mais repartido, e reforçando a minha ideia de que contra o Milan, as equipas jogam o que o Milan deixa. Sem mais grandes sobressaltos, chegou o intervalo.
A segunda parte iniciou-se como a primeira, com o Milan a permitir que o Benfica tivesse um pouo mais de bola, e a tentar explorar oportunidades de contra-ataque sempre que possível. Quanto a nós, e apesar desta maior iniciativa (que também não pareceu alheia ao facto do Rui costa ter começado a aparecer mais frequentemente em terrenos mais recuados), nunca conseguimos colocar a defesa adversária em sobressalto. A partir dos sessenta minutos de jogo, e durante cerca de um quarto de hora, o Milan voltou a pegar no jogo, e esteve em diversas ocasiões perto de marcar o terceiro. É apenas uma opinião, mas esta súbita alteração do rumo do jogo não me pareceu de todo alheia à troca do Cardozo pelo Nuno Gomes (eu nesta altura esperava que o Nuno Gomes entrasse para o lugar de um dos centrais), já que o Nuno não joga tão fixo na frente e como tal não segura tanto a linha recuada adversária. Este desequilibrio só pareceu atenuar-se novamente quando o Benfica fez o Katsouranis recuar para central, estreando-se o camaronês Gilles no meio-campo, parecendo então que o resultado final estaria encontrado. Mas na última jogada da partida, e numa altura em que o Rui Costa já tinha sido substituído para receber a merecida homenagem dos adeptos milaneses, o Nuno Gomes, a passe do Katsouranis, acabou por atenuar o resultado para a diferença mínima. Confesso que para mim esta diferença mínima não é um reflexo justo nem da diferença que parece haver entre as duas equipas, nem daquilo que se passou em campo esta noite.
Em relação aos jogadores, gostei sobretudo do Rui Costa. O nosso jogo ofensivo é completamente diferente quando a bola passa pelos pés dele. Também gostei do Rodríguez, que tentou sempre jogar em progressão e trazer a equipa para a frente. O Quim também acabou por safar a equipa em mais que uma ocasião, com algumas boas intervenções. O Edcarlos voltou a não me impressionar, sobretudo na forma como se posiciona para atacar os lances. Parece-me perder facilmente o homem por cuja marcação é responsável. O Luís Filipe voltou a estar mal, desastroso sobretudo no passe, pouco participativo no ataque, e inseguro na defesa (perdi a conta das vezes que o Jankulovski entrou por aquele lado quase sem oposição, devido ao facto do Luís filipe fugir frequentemente para o meio).
Creio que o Benfica acabou por fazer a exibição possível contra o adversário desta noite. Não estivemos brilhantes, mas também não foi mau de todo. Podia dizer que se calhar com alguns dos jogadores em falta teríamos conseguido dar mais luta, mas temos que contar com os que estão disponíveis, e com esses julgo que fizemos o melhor possível. Não me sinto de forma alguma envergonhado com o jogo desta noite, porque estou perfeitamente consciente da força do nosso adversário e das nossas próprias limitações. Tenho orgulho na nossa equipa, e sei que deram o que tinham. A nossa luta neste grupo não é com o Milan, é com o Shakhtar.

Com a infeliz ausência do Petit, foi preciso esticar a manta. Isto significou subir o Katsouranis para o meio-campo, promovendo-se o regresso do Miguel Vítor ao centro da defesa, alinhando ao lado do Edcarlos. Também no meio-campo houve alterações, com a passagem do Maxi Pereira para o centro, subindo o Rui costa para as costas do ponta-de-lança e passando o Di María para a direita. A superioridade do Milan tornou-se evidente desde o primeiro minuto, sobretudo no meio-campo. Talvez um reflexo da ausência do Petit, parecia-me sobretudo que o nosso meio-campo estava demasiado macio, dando demasiado tempo e espaço ao fantástico Pirlo para pensar e distribuir quase todo o jogo dos italianos. Para além disso, havia ainda o pequeno 'pormenor' Kaká, que parece jogar a uma velocidade superior a todos os outros. Em termos ofensivos, e com o Rui Costa um pouco 'enterrado' no meio dos cinco médios milaneses, a construção do nosso jogo era quase inexistente, com as jogadas a serem mortas quase à nascença à entrada do meio-campo adversário, devido à pressão constante dos médios milaneses.
O Milan chegou à vantagem logo aos oito minutos, através de um livre directo do Pirlo. A primeira impressão que dá é que o Quim é mal batido, até porque chega a tocar na bola, mas a verdade é que a bola foi colocada mesmo no ângulo. E diga-se que mesmo tendo passado apenas tão pouco tempo, o Milan já tinha estado perto de marcar, e dado sinais de querer resolver o jogo cedo. Tanto que, mesmo após o golo, não abrandou, e continuou a pressionar à procura de mais um golo. Esteve perto de o conseguir, e valeu-nos o desacerto do Inzaghi e o acerto do Quim para que tal não acontecesse. O primeiro safanão que o Benfica deu no jogo foi pouco depois dos vinte minutos, com um remate do Rui Costa defendido em dificuldade pelo Dida, e logo a seguir com uma cabeçada do Cardozo ao poste após cruzamento do Di María. Praticamente na resposta, o Milan voltou a marcar. Fê-lo de uma forma que acaba por ser irritante, já que foi através de um contra-ataque. Com o Benfica instalado na área adversária para a marcação de um livre, um mau passe do Miguel Vítor acabou nos pés do Kaká, que correu de uma baliza à outra deixando praticamente toda a nossa equipa sem velocidade para recuperar. A classe do Pirlo fez o resto, oferecendo o golo ao Inzaghi. A partir daqui o Milan desacelerou nitidamente, passando o jogo então a ser mais repartido, e reforçando a minha ideia de que contra o Milan, as equipas jogam o que o Milan deixa. Sem mais grandes sobressaltos, chegou o intervalo.
A segunda parte iniciou-se como a primeira, com o Milan a permitir que o Benfica tivesse um pouo mais de bola, e a tentar explorar oportunidades de contra-ataque sempre que possível. Quanto a nós, e apesar desta maior iniciativa (que também não pareceu alheia ao facto do Rui costa ter começado a aparecer mais frequentemente em terrenos mais recuados), nunca conseguimos colocar a defesa adversária em sobressalto. A partir dos sessenta minutos de jogo, e durante cerca de um quarto de hora, o Milan voltou a pegar no jogo, e esteve em diversas ocasiões perto de marcar o terceiro. É apenas uma opinião, mas esta súbita alteração do rumo do jogo não me pareceu de todo alheia à troca do Cardozo pelo Nuno Gomes (eu nesta altura esperava que o Nuno Gomes entrasse para o lugar de um dos centrais), já que o Nuno não joga tão fixo na frente e como tal não segura tanto a linha recuada adversária. Este desequilibrio só pareceu atenuar-se novamente quando o Benfica fez o Katsouranis recuar para central, estreando-se o camaronês Gilles no meio-campo, parecendo então que o resultado final estaria encontrado. Mas na última jogada da partida, e numa altura em que o Rui Costa já tinha sido substituído para receber a merecida homenagem dos adeptos milaneses, o Nuno Gomes, a passe do Katsouranis, acabou por atenuar o resultado para a diferença mínima. Confesso que para mim esta diferença mínima não é um reflexo justo nem da diferença que parece haver entre as duas equipas, nem daquilo que se passou em campo esta noite.
Em relação aos jogadores, gostei sobretudo do Rui Costa. O nosso jogo ofensivo é completamente diferente quando a bola passa pelos pés dele. Também gostei do Rodríguez, que tentou sempre jogar em progressão e trazer a equipa para a frente. O Quim também acabou por safar a equipa em mais que uma ocasião, com algumas boas intervenções. O Edcarlos voltou a não me impressionar, sobretudo na forma como se posiciona para atacar os lances. Parece-me perder facilmente o homem por cuja marcação é responsável. O Luís Filipe voltou a estar mal, desastroso sobretudo no passe, pouco participativo no ataque, e inseguro na defesa (perdi a conta das vezes que o Jankulovski entrou por aquele lado quase sem oposição, devido ao facto do Luís filipe fugir frequentemente para o meio).
Creio que o Benfica acabou por fazer a exibição possível contra o adversário desta noite. Não estivemos brilhantes, mas também não foi mau de todo. Podia dizer que se calhar com alguns dos jogadores em falta teríamos conseguido dar mais luta, mas temos que contar com os que estão disponíveis, e com esses julgo que fizemos o melhor possível. Não me sinto de forma alguma envergonhado com o jogo desta noite, porque estou perfeitamente consciente da força do nosso adversário e das nossas próprias limitações. Tenho orgulho na nossa equipa, e sei que deram o que tinham. A nossa luta neste grupo não é com o Milan, é com o Shakhtar.
Comentários
Negativo: Luis Filipe. Espero sinceramente que Nélson já esteja recuperado para jogar frente ao Braga e o Sporting. Centrais... demasiado tenrinhos.
http://encarnado-e-branco.blogspot.com/2007/09/anti-depressivo.html
:D
Temos muitas baixas desde logo os centrais e o PETIT ui Jesus que falta fez ontem são baixas importantes a alteração do Katsouranis para o meio campo se a eu percebo ainda perturbou mais a arrumação da equipa.
A defesa tremeu por todo o lado o meio campo não conseguiu estancar o jogo ofensivo nem depois servir o nosso maestro.
Cardoso deixa-me intrigado parece-me um bom jogador mas depois falha lances que nos dissemos que são imperdo á veis aquela bola ao poste se fosse o Nuno Gomes os nomes que eu lhe chamaria.
Enfim a nossa luta é com os ucranianos pelo segundo lugar e com o Celtic pelo terceiro, este era o jogo menos importante.
Destes jogos com Camacho “ Salir a ganar ” verifica-se uma mudança de atitude mais garra os uruguaios são bons nisso mas temos um plantel como previa desequilibrado não h á ninguém para o lugar do PETIT e temos alguns jogadores jovens como Di Maria que é preciso deixar crescer dar tempo para ser mais eficaz .
Uma nota final parece-me que deste jogo o Luís Felipe vai sair com pouco espaço de manobra, mas a culpa não é dele mas sim de quem foi busc á lo.
Agora h á que apontar baterias ao Braga e salir a ganar
- Rodriguez foi o que teve menos "medo" do Milão
- O golo do Nuno Gomes, já que às vezes até no goal-average se decide a passagem
- Indicações de Gilles, gostei mais do que vi dele em 20 minutos do que do Pereira até agora
- Exibição e homenagem ao Maestro, justa e inesquecível
Negativo:
- Erro de Quim no 1º golo, se bem que depois foi dos nossos melhores
- Falhanço do Cardozo, simplesmente inacreditável, quando percebi que o Dida não chegava à bola, já estava a gritar golo
- Erros no 2º golo: primeiro Miguel Vitor falha um passe a um metro, depois Pereira teve um momento em que tinha de partir para cima do Káká, fazendo falta, apanhando amarelo, mas NUNCA deixando seguir, era óbvio o que ia acontecer
- passes do Luís Filipe
- Maxi Pereira: já formei o meu ódio de estimação, porque ontem percebi a polivalência dele, joga tão mal ao meio como ao centro. Esforcei-me para contar, e duvido que tenha feito mais de 2 recuperações de bola no jogo todo. Eu dizia que 1 milhão de euros pelo Ruben Amorim era muito, por isso nem vou comentar os 3 milhões por ele.
E infelizmente do que vi do resumo do Shaktar, as coisas vão ser muito complicadas neste grupo...
Americano
Com mil diabos, perder não é vergonha nenhuma, especialmente com o Milan em San Ciro, agora entrar e jogar com medo é que já acho inadmíssivel!
Isso não é BENFICA!
Venha o próximo, aí é que vamos ter que mostrar mais qualquer coisa.